Nirlando Beirão: A maioridade penal e as peladas da Playboy


Os truculentos xerifes do Parlamento sempre hão de pedir… mais, mais…

Do R7

Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem/21.02.2000

Passei por três diferentes encarnações, nos anos 80 e depois em meados dos 90s, na Playboy.
Era uma revista que fazia do nu explícito um exercício de bom gosto.
Os fotógrafos eram do primeiro time, tipo Bob Wolfenson e JR Duran, as produções, primorosas, em locações caríssimas, que iam da Sicília (Maytê Proença) a Santorini (Adriane Galisteu).
O nu sem disfarce era do cânone da Playboy-mãe, aquela do Hugh Heffner. Mas a edição brasileira – reconhecida como a mais requintada entre mais de uma dúzia de edições internacionais – era muito mais do que isso.
Havia, porém, uma barulhenta minoria de leitores sempre disposta a resmungar: falta ousadia nos ensaios fotográficos, vocês têm que mostrar mais.
A redação ouvia a queixa, discutia, mas a gente sempre chegava a um consenso: mesmo que os ensaios fossem mais grosseiros, ainda que as fotos descambassem para a mais ostensiva ginecologia, esse tipo de leitor jamais ficaria satisfeito, haveria sempre de reclamar: mais, mais…
A pornográfica decisão da Comissão de Justiça da Câmara de considerar legítima a redução da maioridade penal me fez lembrar a revista Playboy. Os truculentos xerifes do Parlamento sempre hão de pedir… mais, mais…
Agora, 16 anos. Daqui a pouco, 14 anos. Se um pivete de 13 anos apontar um estilete para alguém na Praça da Sé – basta um pivete, um episódio – no dia seguinte o Congresso estará mobilizado para mandar para as masmorras qualquer criança em idade escolar.
Responder a violência com mais violência: infelizmente, este é o projeto “civilizador” de uma sociedade sem noção, que desistiu de pensar com a cabeça e com o coração para pensar com o fígado e com o intestino.

Reprodução/Instagram/Carrie Underwood

Me contam que é assim no Texas. Que lá se pune até bebê de colo. O Texas compete com a Arábia Saudita e o Irã no campeonato mundial de pena de morte.
Grande exemplo em que se espelhar: o Brasil como um imenso Texas.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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