Band não repassa dinheiro a coordenações e 11 concursos estaduais do Miss Brasil 2015 estão ameaçados


Franqueados já acumulam dívidas de mais de R$ 880 mil

Da redação TV em Análise
Com reportagem de João Eduardo Lima

Lucas Ismael/Band/Divulgação/27.09.2014


As maiores dívidas são das coordenações do Piauí e do Mato Grosso do Sul

A pouco mais de seis meses da realização do concurso Miss Brasil 2015, 11 das 27 coordenações estaduais ainda não receberam o repasse da Enter-Entertainment Experience para organizar os concursos locais válidos pela etapa brasileira do Miss Universo. De acordo com levantamento exclusivo do TV em Análise Críticas, estão com dívidas na praça as coordenações estaduais do Acre, Alagoas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. Segundo fontes de mercado, os coordenadores não conseguiram levantar fundos para a realização de seus certames e podem ter seus contratos com a Enter, empresa de eventos da Rede Bandeirantes, rescindidos.
A situação mais grave se verifica no Piauí, cujo coordenador local, Nelito Marques, teria débitos de cerca de R$ 100 mil junto à Enter por taxas de franquia não pagas desde 2012. A segunda maior dívida é a do Mato Grosso do Sul, cuja coordenação local, representada pela Arena Models, deve R$ 98,5 mil. Logo atrás vem Alagoas (R$ 88,5 mil), Sergipe (R$ 80 mil), Tocantins (R$ 79 mil), Acre (R$ 77,5 mil), Maranhão (R$ 75 mil), Rondônia (R$ 76 mil), Roraima (R$ 75,9 mil), Amapá (R$ 68 mil) e Mato Grosso (R$ 66 mil).
Uma fonte da Enter informou ao Críticas que candidatas poderão ser indicadas pela coordenação nacional para os Estados cujos contratos de franquia não serão renovados para o Miss Brasil 2015. É o que prevê o regulamento do concurso. Outra hipótese aventada pela Enter é a de fazer castings nesses Estados como uma forma de dar “intervenção branca” nas coordenações locais. As coordenações citadas nesta reportagem não tem qualquer tipo de parceria com as afiliadas da Band nos respectivos Estados. Somadas, as dívidas dessas franquias do Miss Brasil chegam a R$ 884,4 mil.
Procurada pela reportagem do Críticas, a direção da Enter, empresa que organiza o Miss Brasil e detém a concessão do Miss Universo para o país, informou que não irá se manifestar sobre o caso.

GRANA QUE FALTA NO NORTE, GRANA QUE SOBRA NO SUL

De acordo com um dos coordenadores endividados, que pediu para manter o anonimato, a Enter não repassou-lhe a verba de patrocínio do Miss Brasil 2014 “por contingenciamento de verbas ordenado pela presidência do Grupo Bandeirantes de Comunicação”. “Deveríamos ter recebido R$ 180 mil da Band para podermos tocar a preparação das candidatas, dar auxílio aos coordenadores municipais e dar seguimento à cobrança das taxas de franquia, necessárias à manutenção do nosso concurso”, desabafou a fonte. “Não podemos fazer concursos de beleza numa cultura de modelos ultra milionárias quando temos de auxiliar quem mais precisa: os nossos irmãos desamparados do Sertão”, reclamou essa fonte, mandando um recado indireto à coordenadora do Miss Ceará, Gláucia Tavares, responsável pela preparação bem-sucedida de Melissa Gurgel para levar o título nacional.
Enquanto falta dinheiro para coordenadores de Estados como Piauí e Mato Grosso do Sul organizarem seus concursos, em outra ponta sobra dinheiro para a Enter/Band contemplar forças como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul: só na semana do Miss Universo 2014, realizado nas cidades de Doral e Miami (EUA), a empresa repassou cerca de R$ 4,5 milhões para as coordenações dos três Estados adiantarem os preparativos de suas etapas válidas pelo Miss Brasil 2015. Só a BMW Eventos, empresa que promove o Miss Paraná, recebeu em repasses da Enter R$ 1.976.265,55 – mais que o recebido pela coordenação do Miss São Paulo (R$ 1.873.260,00). A coordenação catarinense, por sua vez, recebeu bem menos: R$ 887.567,28. Isso, considerando o valor apurado pela Band com as vendas de espaços comerciais para o projeto Miss 2014, que abrigou a transmissão de 10 concursos estaduais, do Miss Brasil e do próprio Miss Universo.
Apesar de ainda não ter decidido nada sobre o concurso Miss Rio Grande do Sul 2015, a filial local da Band recebeu R$ 3.597.286,93 da matriz paulista para organizar o certame. Uma verba adicional, de cerca de R$ 6,5 milhões, deverá ser providenciada pela Band para incentivar o concurso gaúcho e fortalecer a divulgação das etapas municipais. “Temos que honrar, aqui no Rio Grande, o legado deixado pelo Evandro [Hazzy, atual coordenador técnico do Miss Brasil] quando coordenou nosso concurso aqui na Band RS”, declarou uma fonte do concurso de Miss Rio Grande do Sul, que pediu para não ser identificada.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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