Assunto da semana: Gritos de horror no Teatro Dolby


A facada de Richtofen para cima dos Óscares da Globo e ABC

Kevin Winter/Getty Images/22.02.2015 e Reprodução/Rede Record

Feita a leitura dos números solidificados de audiência ante a estreia de Gugu Liberato na Record, fica a ligeira constatação de que o apresentador Neil Patrick Harris não ficou apenas seminu, de cuecas, ante 1,6 milhão de telespectadores na Grande São Paulo, pelas medições do Ibope. Na comparação com a entrevista da carcerária Suzane von Richtofen, exibida na noite desta quarta-feira (25), vem uma constatação mais escabrosa: a 87ª edição do Oscar, realizada no domingo (22), tomou uma facada de 3,3 milhões de telespectadores.

Robyn Beck/AFP/Getty Images/22.02.2015

E tal afirmativa faz sentido também para o mercado americano: na comparação com os números registrados pela condução de Ellen DeGeneres no domingo de Carnaval de 2014, boicotado por diversas estrelas de Hollywood na Sapucaí em favor do mega-selfie do Dolby Theatre, a peça teatral que NPH fez para o Oscar 2015 perdeu 16% de seus telespectadores, por mais que a ABC se esforce em justificar isso ou aquilo. Nem o abração da Lady Gaga sapecado na Julie Andrews salva o estrago já consumado. Algo tem de ser reinventado.

Robyn Beck/AFP/Getty Images/22.02.2015 e Tumblr Desespero da Veja

Embora ainda seja a premiação de entretenimento mais vista da televisão americana de uma forma geral, servindo até como balança divisória da mid-season para a temida spring-season, o Oscar, como produto televisivo, precisa sofrer ser profundamente repensado para os próximos anos do convênio entre a rede ABC e a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS, na sigla em inglês). Precisa pensar, principalmente, nas audiências jovens que começaram a assimilar dramas tipo A Culpa é das Estrelas. Esse é o erro.

ABC/Reprodução/22.02.2015

Não estamos aqui para desmerecer o trabalho dos produtores executivos Craig Zadan e Neil Meron. Muitíssimo pelo contrário: na cantoria de Jennifer Hudson em memória dos mortos da comunidade cinematográfica no exercício 2014-2015, a ex-competidora do American Idol mandou no torque vocal um recado indireto a Kelly Clarkson e Carrie Underwood: quem não tem competência para ser atriz, não se estabelece, nem merece papel digno de Oscar. Uma verdadeira banana sonora para essa gente. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (1º/3)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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