2015 começa com uma pendência herdada de 2014: o concurso de Miss Universo


Candidatas começaram a desembarcar em solo americano antes da virada do ano; desembarques em Miami começam no domingo (4)

Da redação TV em Análise

Reprodução/Facebook/Sash Factor


A candidata da Suíça, Zoe Metthez, antes de embarcar para Miami

Prometido inicialmente para Fortaleza, capital do Estado brasileiro do Ceará, o concurso Miss Universo 2014 teve de ser remarcado de 11 de outubro para 25 de janeiro de 2015 por uma conjunção de fatores. O primeiro deles diz respeito a uma suspeita de uso eleitoral do concurso por parte do Governo estadual para tentar favorecer o petista Camilo Santana, eleito governador em segundo turno. Diretores da Enter-Entertainment Experience, empresa de eventos da Rede Bandeirantes, tentaram minimizar o estrago com a candidatura de Fortaleza à sede do concurso, mas já era tarde: quando tentavam negociar uma alternativa para a desistência da capital cearense, seu principal executivo, Caio Carvalho, foi “punido” pela direção do Grupo Bandeirantes com uma transferência para o canal pago Arte 1.
Contribuíram para a queda de Fortaleza como sede do Miss Universo 2014 dois fatores. O primeiro, as denúncias de superfaturamento na construção do Centro de Eventos do Ceará, que deveria abrigar as preliminares e a final televisionada. E o segundo, o conjunto de obras inacabadas do período da Copa do Mundo FIFA, que teve jogos realizados na Arena Castelão durante o mês de junho. Segundo matéria do jornal O Povo, dois túneis e uma rotatória com dois viadutos num cruzamento, que deveriam ser construídos para o Mundial, sequer começaram. As obras do Aeroporto Internacional Pinto Martins e do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) também estão paradas. Essa é a herança maldita que a cidade natal de Melissa Gurgel, representante brasileira na 63ª edição do Miss Universo, carrega para uma eventual aspiração a sediar a 64ª edição do certame, a ser realizada possivelmente no final de 2015.
A denúncia pioneira do TV em Análise Críticas, feita no dia seguinte ao concurso Miss Universo 2013, caiu como uma bomba entre missólogos e diretores da Miss Universe Organization que, desconfiados da péssima situação da economia brasileira (de acordo com dados do Ipea, o Ceará é o quarto Estado com maior número de pessoas na miséria extrema – 9% da população). Os investimentos em turismo prometidos na gestão do agora ex-secretário Bismarck Maia ficaram apenas no discurso: parte dos projetos sequer saiu do papel, assim como o sonho cearense de sediar uma edição do Miss Universo. Desesperado, Donald Trump, empresário norte-americano que detém a propriedade do concurso junto com o grupo de mídia NBCUniversal, parou a procura por uma cidade-sede para trocar o patrocinador da coroa do certame: saiu a norte-americana Diamond NexusLabs, entrou a empresa tcheca Diamonds International Corporation (DIC), com sede em Praga.
Não foram apenas as irregularidades nas candidaturas brasileiras (além de Fortaleza, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Manaus e Porto Alegre chegaram a ser submetidas pela Enter para consideração pela MUO) que emperraram o processo de definição da cidade-sede do Miss Universo 2014. Um componente crucial também seria levado em conta: o choque da data tentativa – 17 de dezembro – com a programação do concurso Miss Mundo 2014, que ocorreu em Londres entre os dias 29 de novembro e 14 de dezembro. Candidatas ao Miss Universo 2014 que também tinham sido eleitas em seus países para o Miss Mundo estavam lá, entre elas a sul-africana Rolene Strauss, que perdeu a vaga para o Miss Universo após sua coroação como Miss Mundo 2014. De acordo com a 30ª avaliação parcial que o TV em Análise Críticas publicou no domingo (28), Ziphozakhe Zokufa, candidata que sucedeu Rolene na vaga sul-africana para o Miss Universo 2014, aparece entre as 16 favoritas ao título. Mas pode ter suas notas ultrapassadas pelas de outras candidatas que poderão ter suas notas de traje de banho e traje de gala revistas na 31ª parcial.
A escolha da cidade de Doral, para hospedar as 88 candidatas, não foi surpresa alguma para os diretores da Miss Universe Organization. No processo de seleção da sede do Miss USA 2014 (transferida para Baton Rouge), Trump enfrentou oposição ferrenha dos conselheiros locais. Mas conseguiu dar um cala-boca ao oferecer US$ 2,5 milhões à Prefeitura local para dar suporte às competidoras, que sairão direto do Aeroporto Internacional de Miami para o Trump National Doral. Por razões de espaço, Trump foi obrigado pela NBC a acertar com a Florida International University (FIU), que possui uma arena de basquete e vôlei universitários com capacidade para 5 mil espectadores sentados, no perímetro urbano de Miami. Saiu por bem menos da metade dos R$ 122 milhões de sobrepreço verificados na construção do CEC, toda bancada com recursos públicos.
Com a proximidade da virada para 2015, algumas dessas candidatas nem quiseram esperar a queima de fogos e trataram de afivelar suas malas para embarcar rumo a Nova York. No dia 30 de dezembro (terça-feira), já estavam no Aeroporto Kennedy em Bova York as candidatas da China, Karen Hu, de Kosovo, Artnesa Karsniqi, da Albânia, Xhaneta Byberi, e da Guiana, Niketa Barker. A tendência é que essa movimentação se intensifique nas próximas horas, principalmente em direção a Miami. Só depois que a sucessora da venezuelana Maria Gabriela Isler for coroada, na noite do dia 25 de janeiro, ante 1 bilhão e meio de telespectadores em 213 países e territórios, é que se pode dizer Feliz Ano Novo.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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