Assunto da semana: Confiscaram a gramática do Roberto Carlos do Canadá


Como a Record estragou o Natal de Michael Bublé em Nova York

Peter Kramer/NBC/Divulgação

A excelência artística empregada no especial Michael Bublé’s Christmas in New York, levado ao ar no Brasil na quarta-feira (24) pela Rede Record, à meia-noite, ficou totalmente comprometida pelo excesso de dublagem do material original, comprado junto à NBC, que o transmitira em território americano na semana anterior. Sem tecla SAP, ficou impossível saber o que o vencedor de quatro Grammys falava à plateia do Radio City Music Hall de Nova York (a cidade americana e não sua congênere do Maranhão). Ficou uma coisa plastificada.

Fotos Neil Jacobs/NBC/Divulgação

Com produção executiva do próprio Bublé, o especial abriu com uma cena que remetia ao clássico A Felicidade Não se Compra. Foi a única parte em preto e branco do show. E também a única sequencia que recebeu algum tipo de tratamento cinematográfico. Rockettes, Ariana Grande, Barbra Streisand e até a Piggy dos Muppets como convidados especiais serviram como contraponto à contaminação de globais no Roberto Carlos Especial da véspera. E serviram para chancelar a Bublé o título de “Roberto Carlos canadense”.

Peter Kramer/NBC/Divulgação

Em termos de audiência, Bublé passou apagado ante o rei global da censura a biografias não autorizadas. Pelos dados do Ibope na Grande São Paulo, Especial Michael Bublé em NY (título em português) foi visto por apenas 347 mil telespectadores ante 4,155 milhões registrados pelo velhaco Roberto Carlos Especial. Isso, na multiplicação dos pontos (1,8 ante 21,5) pela equivalência destes em indivíduos – até à data do fechamento deste texto eram 193.281 indivíduos em 65.201 domicílios. Isso considerando os dados de 2014.

Peter Kramer/NBC/Divulgação

Concebido pela NBC para ser um especial de uma hora de duração, Michael Bublé’s Christmas in New York acabou sendo condensado pela Record para ser apenas um ponto de entrega para o Fala que Eu te Escuto. Na edição brasileira, acabaram sendo 36 minutos de duração. Uma correria inimaginável para acomodar uma pancada de números musicais ou necessidade industrial de tirar os excessos de chamadas de “no próximo bloco isso, no próximo bloco aquilo outro”. Foi um verdadeiro atentado ao bom senso. Feliz 2015 a todos.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (28/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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