Assunto da semana: A diferença entre Bomtempo e Sutherland é essa


Conselho Tutelar mostra que é evento de drama do ano

Fotos Daniel Smith/FOX/Divulgação/12.04.2014 e Rede Record/Divulgação

Sem cair no “conto do Jack Bauer”, a minissérie Conselho Tutelar que a Record exibiu nesta semana mostrou como se faz um evento de dramaturgia de verdade, sem a panfletagem demagógica de uma rede americana como a Fox, que vendeu 24: Live Another Day como se fosse gato por lebre. Feita em parceria com a produtora Visom, a trama de Marco Borges e Carlos de Andrade com roteiros de Bosco Brasil e outros cinco profissionais toca a partir da balada rap de sua abertura, realizada ao melhor padrão cinematográfico.

Rede Record/Reprodução

Útil, a premissa dos três episódios iniciais a que assisti (Promotora, Janete e Felipe/Bebê) exerce uma cidadania incomum aos padrões convencionais de teledramaturgia do país, acostumados em certa emissora amamentada pelo regime militar de 1964 a falsificar a ascensão social da nova classe C com atores cariocas sarados travestidos de nordestinos. Faz os amores roubados de certa Série Brasileira de verão da Rede Globo parecerem roubada ante a crueza da denúncia social dos maus tratos infantis na cidade do Rio de Janeiro.

Rede Record/Reprodução

Vista por 1,27 milhão de telespectadores em 430 mil domicílios na Grande São Paulo (média de 6,6), segundo dados preliminares do Ibope, a estreia de Conselho Tutelar conseguiu superar o “apagão” de público deixado pela sua antecessora na faixa, Plano Alto, obscurecida pela munição de notícias anti-Petrobrás plantadas durante o período do segundo turno para a Presidência da República e Governos Estaduais. A eleição passou, mas a atuação de Roberto Bomtempo como o conselheiro Sereno passa longe de qualquer viés ideológico.

Rede Record/Divulgação

Ainda no quesito atuação, destacam-se também as performances de Paulo Gorgulho (juiz Carvalho Brito) e Petrônio Gontijo (promotor André Noronha) no núcleo do Judiciário; Gaby Haviaras (assistente social Lídia) e Andrea Neves (psicóloga Ester), na parte burocrática do Conselho Tutelar da trama; e Paulo Vilela (César, parceiro de Sereno nas fiscalizações do CT). Fora a mão diretorial de Rudi Lagemann em seu quarto trabalho de TV, os depoimentos de conselheiros reais também ajudam a dar substância e veracidade à trama. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (7/12)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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