Assunto da semana: Vai um lanchinho do prelúdio do Batman?


A força da grana e o ‘meu pirão primeiro’ da DC Comics em Gotham

Jessica Miglio/FOX/Divulgação

Podem achar que eu estou enlouquecendo, mas Gotham (Warner, 2ª, 21h30, 14 anos) nada mais é que uma dessas séries caça-níquel que a DC Comics concebe para a Warner Bros. produzir para redes de TV abertas americanas – desta feita, a FOX, casa de Glee, produto de seu braço de produção e distribuição televisiva, a 20th Century Fox, célula parenta da emissora, cuja estreia comercial ocorreu em março de 1987. Artisticamente falando, a atuação de Ben McKenzie como James Gordon é coisa menor ante essa análise econômica.

Jessica Miglio/FOX/Divulgação

É inegável a força do catálogo de propriedades da DC nas programações das emissoras, mas, em termos de concepção artística, Gotham deixa a desejar a começar de seu piloto e de Arkham, episódios dos quais assisti boa parte ou trechos. Parece coisa mais apropriada para People’s Choice Award saboneteiro ou premiação de sindicato técnico de janeiro. O penteado de Jada Pinkett-Smith como líder de uma gangue impressiona mais do que o da atriz escalada para o prelúdio da Mulher-Gato, Carmem Bicondova (No Ritmo, da Disney).

Jessica Miglio/FOX/Divulgação

Sem viajar na maionese, gosto não se discute. Mas o enredo de Bruno Heller (The Mentalist) para as propriedades da livraria da DC Comics não é coisa que impressione de princípio. Feita para consumo imediato de fast-food (com os royalties devidos), Gotham é uma decepção crítica. Nada tem que acrescente em termos de qualidade artística. A menos que esta, segundo seu público decrescente, responda para uma temporada completa. É o que já aconteceu. Uma primeira leva de 22 episódios (quatro já exibidos) já foi encomendada.

Jessica Miglio/FOX/Divulgação

Para não dizerem que não falei do jovem Bruce Wayne, a atuação pueril de David Mazouz (Touch) é a única que impressiona. Desde a concepção da série original do Batman, em 1966, nenhum diretor de TV ou de cinema teve a pachorra de recorrer ao passado distante dos personagens dos quadrinhos incorporados há 75 anos ao imaginário da cultura pop. Da comunicação de massa dos Beatles à seboseira capilar de Harry Styles, ninguém de Tim Burton a Christopher Nolan chegou a esse feitio. De converter o cult em mau gosto. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (26/10)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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