Racismo no Miss Brasil 2014 é maior que se pensa


Diante de discriminação contra candidatas de Minas Gerais e Tocantins, chiadeira contra cearense é episódio menor

João Eduiardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Lucas Ismael/Band/Divulgação/23.09.2014


Karen e Wizelany: apartheid explícito

Depois do lamentável episódio do goleiro Aranha do Santos, ofendido por uma idiota gremista, surge mais uma demonstração grotesca de racismo no Brasil. E, desta feita, no principal concurso de beleza do país, o Miss Brasil. Apesar de o foco da imprensa estar nos ataques bairristas (também lamentáveis) à vencedora (a cearense Melissa Gurgel), deve-se registrar também a atitude segregacionista do júri preliminar, formado por diretores da Enter, empresa de eventos da Band, e de supostos “especialistas” em moda e comportamento, que desclassificaram da listagem de 15 semifinalistas as duas únicas afro-brasileiras que tinham na competição – a mineira Karen Porfiro e a tocantinense Wizelany Marques. Na avaliação final que o TV em Análise Críticas divulgou na véspera do concurso, ambas estavam entre as 15 favoritas a obter uma vaga nas semifinais. Foram desclassificadas por preconceito de cor, partido sabe Deus de onde. Da Amanco? Do Instituto Millenium (que sublicencia o Miss Brasil em nome da Rêde Globo de Televisão e do CCC, Comando de Caça aos Comunistas)? Da Chevron? A ver.
É compreensível que a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Ceará, ache importante identificar os engraçadinhos que postaram comentários idiotas no Facebook oficial do certame acerca da representante brasileira no 63º concurso de Miss Universo, eleita no último sábado (27) no superfaturado Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Mas cabe a pergunta: não seria mais interessante aos órgãos do Judiciário investigar essa atitude racista tomada pelo senhor de engenho Evandro Hazzy em colaboração com seus comparsas? Ou preferem varrer essa vergonha para baixo do tapete?

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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13 respostas para Racismo no Miss Brasil 2014 é maior que se pensa

  1. fabio disse:

    e a respeito da miss Pará e da miss Amapá, elas são brancas? não vejo racismo nenhum na não classificação das misses Tocantins e Minas Gerais, nunca achei que elas seriam semifinalista ao contrário das misses Pará e Amapá. aguardo resposta.

    • João Lima disse:

      Fábio, o texto versa apenas sobre as candidatas de Minas e Tocantins. Justamente as duas únicas afro-brasileiras que estavam na competição. Pará e Amapá são mestiças (miscelânea de várias raças), tipo comum na região Norte, especificamente entre os índios nativos e os brancos colonizadores (desde a época do Tratado de Tordesilhas, que passou a Amazônia aos espanhóis).

      A redação do Críticas

      • fabio disse:

        Caro João, obrigado por responder e agradeço pelas explicações sobre mestiçagem e sobre o tratado de tordesilhas, fui um bom aluno e sei o que significa e do que se trata.
        não conheço a Isis mas vejo que ela conhece uma das candidatas citadas e ao que parece deve ser negra. se fizeres uma enquete penso que a maioria a classificará como negra como também a outra candidata.
        Ah! poderia por gentileza, se tiveres, informar o que acontece no reino Kossovar quanto a Senhorita Mirjeta Shala, vejo que ela não computa mais entre as misses que constam nesse site e também nos outros.
        Gentileza gera gentileza e educação não faz dano algum para você independente de ser direita ou esquerda, não precisar esculachar a moça seja maior do que isso.
        Desculpe a demora em responder, estive trabalhando e consegui um tempinho para você. tenha um bom dia e uma ótima semana.

      • João Lima disse:

        Duas coisas:

        1-Não estou esculhachando ninguém. Estou apenas fazendo uma constatação jornalística;
        2-Concurso kosovar: a princípio, marcado para o próximo dia 10/10 (6ª feira, salvo eventual adiamento).

        A redação do Críticas

  2. isis disse:

    Desculpe querido… acho que vc está mal informado sobre a representante do Pará. Ela é negra do cabelo cacheado, talvez vc não percebeu devido as muitas sessões de relaxamento pelas quais a moça passou e não me venha dizer que estou enganado pq conheço a moça, sou paraense. Mais feio que falar o que não se sabe é querer impor cota racial ate em concurso de beleza, pois acho que se elas não mereciam estar entre as finalistas então deveriam entrar por qual motivo?? Tipo tem que ter 2 ou 3 vagas reservadas para afro descendentes… acho que não é assim, ano passado tivemos uma baiana linda, negra da flor de maracujá, alta, com corpo bonito. Este ano, Minas Gerais e Tocantins não estavam com candidatas bonitas, não por serem negras, mas realmente não eram as mais belas. E sobre melissa, acho ela bonita, bem desenvolta porem não acho que sua altura vá ajudar a moça e isso não é bairrismo. E por ultimo e não menos importante, se os missólogos disserem que a miss X vai se jogar de um penhasco, isso terá que ser executado na risca??? Marina não chegou nem no top 5 então vai ter a 3ª guerra mundial pq o TV criticas disse que ela tinha que ser a campeã???

    • João Lima disse:

      Como prova, a mestiçagem da Miss Pará (Foto Lucas Ismael/Band/Divulgação/23.09.2014):

      MIss Brasil 2014 - Preliminar Traje de Banho - Pará

    • João Lima disse:

      Seu idiota, na própria avaliação final para o certame estava expresso em seu subtítulo:

      Sem ajuste de nota, gaúcha Marina Helms, cearense Melissa Gurgel e matogrossense Jéssica Rodrigues são as principais favoritas à coroa

    • João Lima disse:

      E mais uma coisa, sua ameba globelezada-tucarina do Homerand(*): Insegurança Nacional: Santa (e Bela) Catarina em Chamas (Mais que a Virgem Ingrid Migliorini): o TV em Análise Críticas nunca teve intenção de provocar guerra alguma. Nem na Bósnia-Herzegovina de Pedrinhas, em São Luís do Maranhão da Alcione do Zeca Baleiro dos Fiscais do Sarney do Saudoso Joãozinho Trinta do Reggae. Muito menos com os “missólogos” (dos programas não governamentais Menos Médicos e Meu Aeroporto Minha Vida) de que vc fala. Pare de ser hipócrita!

      Ass. Heloísa Faissol
      Ordem dos Advogados do Brasil
      Raymundo Faoro
      Goffredo da Silva Telles Jr.
      Mr. Catra
      DJ Marlboro
      E todos os demais expoentes do funk carioca, desde os primórdios da Furacão 2000, durante o regime militar (quando tocava apenas James Brown e música ambiente)

      (*)É o modo como se pronuncia a série terrorista Homeland, em Taubaté, no Vale do Paraíba. Lá, Claire Danes é chamada de Craire Deinis

    • João Lima disse:

      E mais uma coisa, sua idiota, sua escrota da imprensa tacanha e conservadora (inclui sites direitistas e emissoras de rádio e televisão): nós estamos aqui exercendo JORNALISMO, não pilantragem!

      Ass. Bezerra da Silva
      Moreira da Silva
      Dicró
      Armando Nogueira (fazendo bom jornalismo do Céu…)

    • João Lima disse:

      Mais uma coisa: o Críticas nunca disse que candidata A ou B tinha que vencer o concurso. Marina Helms era tão favorita de internautas e missólogos quanto Melissa Gurgel (que acabou ganhando de facto o título). E a própria cearense (como a gaúcha) era uma das duas principais favoritas ao título na avaliação final que este espaço divulgou na véspera do certame.

      A redação do Críticas

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