Provocador: Ex-Casseta insiste em continuar sendo sem graça


O autointitulado humorista não sumiu da TV por acaso

Por Marco Antonio Araújo
Do R7

TV Globo/Divulgação


Segundo INSS, Globo continuava pagando Madureira

Não deve ser fácil criar programas para ocupar as 24 horas das centenas de canais a cabo existentes. É impossível encontrar assuntos e criatividade suficientes para atender a uma demanda monstruosa dessas. Por isso, zapeando, nos deparamos com tudo, desde entrevistas com depiladores de cães até documentários sobre cultivo de abacate para fins medicinais. Foi assim que me deparei com a estreia do programa Extraordinários, no Sportv. Tá puxado, viu?
No clima de Copa, o canal resolveu abusar o velho truque de botar várias pessoas jogando conversa fora dentro de um estúdio. É barato e serve para dar ocupação a pessoas que jamais teriam um programa de verdade. Tudo depende de quem é chamado para ocupar os indefectíveis sofazinhos que compõem o cenário.
Extraordinários abusou. Sem nenhuma lógica aparente, botou pra trocar comentários inúteis o ex-compositor Paulo Miklos, o ex-escritor Eduardo Bueno, o ex-galã de bordel Xico Sá e a eterna solteira e pensionista Maitê Proença. Até aí, tudo bem, cada qual no seu quadrado, não fosse pela presença do famigerado ex-Casseta & Planeta Marcelo Madureira. Aí não dá. Exijo explicações.
O autointitulado humorista não sumiu da TV por acaso. Suas piadas misóginas, sexistas, preconceituosas e absolutamente sem graça foram varridas de nossa memória no que parecia ser um gesto higienista e profilático das Organizações Globo. Numa atitude humanitária, a emissora continuava a pagar seu salário — é que se comenta nos corredores do INSS. Por que não colocar uma estátua de cera em homenagem ao Bussunda, em vez de tentar ressuscitar essa triste figura?
Além de se comportar como âncora do programa, no que foi advertido e desautorizado por seus colegas, Madureira ainda se permitiu fazer comentários constrangedores (que provavelmente ele acha hilariantes) como “vuvuzela de japonês é pequena, a dos africanos é maior”. Não bastasse, a certa altura, perguntou para a única mulher presente se ela sabia “refogar um feijão”. Em vez de perguntar se ele sabe carpir um lote, Maitê, constrangida, disse que sim. Ah, que saudades da Dercy Gonçalves numa hora dessas!
O que fazer diante de tamanha grosseria, burrice e falta de noção? Meu controle remoto não me deixa sofrer, fui procurar algo menos degradante para assistir. Por sorte, estava passando uma especial sobre a vida sexual das amebas. Bem mais divertido.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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