Carta aberta de Russo no Domingo Show a Daniel Castro: aula de como NÃO fazer crítica televisiva


O Fel da Terra e o “Escândalo da Ditabranda”

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/Rede Record/22.06.2014

Como parte das políticas de “capital humano” implantadas por seu diretor-geral, o jornalista Carlos Henrique Schroeder, a Rede Globo de Televisão tem empreendido uma verdadeira “caça às bruxas” na demissão de funcionários veteranos, como o ex-assistente de palco Antônio Pedro de Souza e Silva, 82, o Russo, figura folclórica de programas de auditório que a emissora produziu em 46 de seus 49 anos de existência. Período no qual Russo pertenceu ao “capital humano” da Globo, ora sob terceirização.
A covardia com a qual a Globo colocou Russo à mercê da própria sorte é a mesma com que a emissora carioca negou-se a noticiar no principal telejornal noturno o passamento de seu ex-locutor esportivo Maurício Torres, ultimamente nos quadros da Rede Record. E a mesma com a qual escondeu o movimento das Diretas Já e boicotou a cobertura do carnaval carioca de 1984, cujos direitos acabaram nas mãos da recém-inaugurada Rede Manchete, de propriedade do editor de revistas Adolpho Bloch (1908-1995), amicíssimo de todos os presidentes brasileiros de JK a Sarney.
Das poucas notas que saíram a respeito da presença de Russo no programa Domingo Show deste domingo (22), uma, em especial, chamou atenção pelo tom odioso com que foi redigida. Assinada pelo jornalista Daniel Castro (ele mesmo, ex-funcionário da Record), a reporcagem chama a homenagem de artistas como Genival Lacerda, Alcione, Sidney Magal, Paulo Cintura e Sylvinho Blau Blau, da ex-chacrete Rita Cadillac (olha os royalties para a Ford Motor Company americana, minha senhora!), do diretor Leleco Barbosa (da família Barbosa de Surubim, mata norte de Pernambuco, nada a ver com o Idi-Amin Dada do STF) e até mesmo de Sérgio Mallandro, hoje no Multishow (pertencente à Globosat Programadora, do mesmo grupo da Globo), de “miséria da desgraça”.
A notícia rancorosa tem lá sua razão de ser: na hora em que Russo era homenageado pela classe artística que com ele conviveu diretamente, o Domingo Show registrava 9 pontos, contra 5,2 do irrelevante Domingo Legal, do SBT e 5,1 das transmissões da Copa do Mundo FIFA na Band. O mesmo evento fez a Globo, antiga casa de Russo, registrar às 15h10 12,6 pontos de média na Grande São Paulo, segundo dados preliminares do Ibope.
***
Com o intento claro de dar carta branca a seu candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), Castro insinuou que “o capitalismo é assim, as pessoas envelhecem e são obrigadas a se aposentar, dar lugar aos mais jovens”. Mentira! Russo foi apeado da Globo em favor das políticas terceirizantes de Schroeder e de sua esquadra, sob o endosso dos filhos do jornalista Roberto Marinho – eles não tem nome próprio, cara, nem coração. Mais grave: num atentado ao bom jornalismo, Castro acusou a Record de “pagar R$ 10 mil pela entrevista”. Mentira! Russo recebeu o aludido montante em um cheque simbólico, fornecido por um anunciante do programa, como se vê no frame logo abaixo:

Reprodução/Rede Record/22.06.2014

Repare nas mãos da Candinha: o cheque tem o timbre do fabricante da máquina Compacta Print, não de nenhuma empresa do Grupo Record (Rede Record, Record News, R7), muito menos de empresas a ele afiliadas.
Esse é o “senso crítico” de colunistas televisivos da direita conservadora, a serviço de seus interesses comerciais, alinhados com o Projeto Neoliberal de Destruição do Brasil, da fabricação de miseráveis nos mais baixos estratos sociais do Nordeste brasileiro (para passar o Bolsa Família aos norte-americanos do Wal-Mart) e endeusar idiotas como Cristiano Ronaldo, Neymar, Messi, etc. E de gente como Castro, que joga seus diplomas da PUC-SP, Uninove, Universidade Columbia de Nova York, Academia Internacional de Cinema e Escola de Sociologia e Política de São Paulo no aterro sanitário – prática comum nas empresas do Grupo Folha, que controla o UOL e financiou a repressão militar com carros de reportagem de presente para o DOPS e DOI-Codi, entre 1971 (ano em que o Brasil, representado pela mineira Eliane Guimarães, ficou em quinto lugar no concurso de Miss Universo) e 1973 (quando Sandra Mara Ferreira, paulista como Castro e o fel da Folha de S. Paulo ante as conquistas sociais obtidas nos governos Lula e Dilma, ficou apenas entre as 12 semifinalistas do mesmo certame). A fúria desse indivíduo com o sucesso de Geraldo Luís está neste link (não recomendado para gente honesta, que não se verga ante o monopólio da informação).

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Ética jornalística, Imperialsmo midiático, Imprensa monopolista, Personalidades, Variedades e marcado , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s