Expulsão de Nayla Micherif da coordenação do Miss Brasil talvez explique o ódio da Band aos governos petistas. E a defesa da manutenção de Zés Dirceu e Genoino na cadeia


Para inglês entender

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/Escrevinhador

Quando Nayla Micherif assumiu a coordenação do Miss Brasil em fins de 2001, o país ainda estava sob o (des)governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Agonizando, em pleno apagão.
Quando a Miss Brasil de 1997 conseguiu através de um testa-de-ferro denominado Boanerges Gaeta Jr. fechar o primeiro acordo televisivo de grande porte desde 1981 (o contrato do SBT com o Miss Universo expirara em 1991 e não mais fora renovado desde então), Nayla já tinha uma posição clara e formada para as eleições gerais de 2002.
Apoiar Lula para a presidência da República e Aécio Neves para o Governo do Estado de Minas Gerais, seu torrão natal.
No frigir dos ovos, do eggs and bacon, Nayla e Gaeta estavam de um lado apoiando nos estertores o projeto petista de perpetuação no poder até 2018.
E, do outro, para agradar ao herdeiro da Rede Bandeirantes Johnny Saad, a cantilena do “choque (de trio elétrico) de gestão” proposta pelo futuro governador mineiro, do PSDB.
Tal como FHC e seu bando.
Para agradar ao novo modo petista de governar, chamaram para o júri do Miss Brasil 2003 a então vice-primeira dama do país, Marisa Alencar, ligada a Aécio (no plano estadual) e a Lula (no federal).
Quando explodiu o escândalo do mensalão, menos de 10 dias depois de a catarinense Carina Beduschi ter participado do Miss Universo 2005, Nayla iria apresentar (e mandar no) Miss Brasil 2006 com uma pergunta em aberto:

-Qual seria a sua solução para botar os políticos corruptos na cadeia?

Nenhuma das 10 finalistas à ocasião falou sobre José Dirceu de Oliveira e Silva (o sujeito rebelde da foto de 1968), muito menos sobre Marcos Valério e suas negociatas.
Por ser mineira, esse último era um assunto altamente sensível a Nayla, íntima dos artífices do mensalão mineiro do PSDB. de matiz idêntica ao operado no governo petista.
No ano seguinte, Natália Guimarães desandou a fazer propaganda descarada dos feitos do segundo governo aecista:

Mas a resposta pró-PSDB da futura segunda colocada do Miss Universo 2007 não foi suficiente para manter o poderio de Nayla e Gaeta na Band para além da eleição presidencial de 2010. A que foi vencida por outra mineira, a ex-guerrelheira Dilma Rousseff. Aquela mesma que foi ofendida na recente abertura da Copa FIFA 2014 por artistas de quatro das cinco principais redes nacionais de TV e moleques da elite branca instalados em camarote VIP de banco patrocinador da Selecinha. Os quais pagaram R$ 990 para mandarem Dilma para aquele lugar, ao contrário da melosa canção irritante (para os militares) de Odair José.
Quando São Paulo foi designada para sediar o Miss Universo 2011, em 13 de dezembro de 2010, os destinos de Nayla e Gaeta já estavam selados: o olho da rua.
***
Em meio ao fel de matérias raivosas contra os avanços de governos petistas, veiculadas pelo jornalismo da Band entre dezembro de 2010 e junho de 2014, nenhuma versou sobre as relações umbilicais de Nayla Micherif, Boanerges Gaeta Jr. e o cancro do núcleo petista de operação de esquemas de corrupção. Nenhum parlamentar do PSDB a ajudou enquanto amargurava seus dias de ostracismo. Como consequência da criação da Enter, empresa de eventos da Band, a Gaeta foi obrigada a fechar as portas em 2012. Vendeu à Band o domínio missbrasiloficial.com.br, única propriedade que tinha, numa transação avalizada pela Miss Universe Organization de valores não revelados.
Para pessoas ligadas ao ex-presidente da Enter, Caio Luiz de Carvalho, Nayla Micherif deve ser vista como um elelento nefasto, cancerígeno do lulopetismo que afundou a reputação brasileira junto ao Miss Universo entre 2003 e 2010. De oito participações no período, vieram apenas três classificações. E essa conta a Enter quer acertar a todo custo. Até que venha um título de Miss Universo para o país – coisa que não vem desde quando Zé Dirceu liderava, como presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, as grandes passeatas de enfrentamento ao regime militar na rua Maria Antônia, por onde as candidatas ao Miss Universo 2011 sequer passaram.
Íntima do sertanejo engajado (e depois arrependido) de Zezé Di Camargo & Luciano, Nayla imprimiu uma linguagem kitsch-panfletária no Miss Brasil. Transformou o certame em palco de apoio a Lula abastecida pelos mensaleiros da SMP&B e do extinto Banco Rural e pela maldição da ascensão social da classe C (de cidadania e não de cassetete). Para a atual gestão tucana do Miss Brasil, intérpretes como MC Anitta e Cláudia Leitte devem ser enxergados como cisticercoses do retrocesso musical a que o certame fora submetido em 10 anos de humilhação, desrespeito às candidatas e concessão errada de privilégios. Nem sequer devem ser considerados para atrações musicais. A contratação da inexpressiva sambista Aline Calixto para cantar no Miss Brasil 2013 foi um sinal claro da mudança imposta por Caio Carvalho e seu superior imediato, Frederico Nogueira.
Resumo da ópera: Na sede paulistana da Band, perto do estádio do Morumbi (que a FIFA preteriu para a Copa em favor do novíssimo Itaquerão) Nayla e Gaeta não entram nem a pau.
E com Nayla fora do comando do Miss Brasil, a Band se sentirá mais à vontade para descer a lenha em Lula e Dilma.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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