Vai começar a temporada de concursos estaduais do Miss Brasil 2014. E, com eles, mais corrupção, compra de votos e casos de prostituição de candidatas


Tristesse não tem fim, felicité sim

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise
(Atualizado em 28/4/2014, às 12h43)

Charles V. Tines/The Detroit News/AP/11.04.2012


Fakih numa corte de Chicago: imagina no Olimpop…

A partir de 17 de maio, 24 Estados e o Distrito Federal começam a definir as representantes para a 60ª edição do concurso de Miss Brasil válido pelo título de Miss Universo, somando-se a Amazonas e Rio Grande do Sul. E, com o início da temporada de concursos estaduais, começa também a temporada de denúncias de más condutas praticadas por coordenadores em relação a candidatas, patrocinadores, público pagante e meios de comunicação. Entre elas estão suspeitas de corrupção, estelionato, falsidade ideológica, compra de votos, “aluguel” de títulos, suborno e, nos casos de candidatas que já saíram de seus reinados, facilitação à prostituição e outras práticas criminosas, inclusive as mais hediondas.
Não se trata de invencionice do TV em Análise Críticas e sim da constatação de uma realidade gritante para o país da quinta mulher mais bela do mundo, de acordo com os resultados oficiais do concurso Miss Universo 2013, realizado em novembro passado, em Moscou. O escândalo do cancelamento do concurso Miss Mato Grosso do Sul 2013, mostrado aqui neste espaço em agosto, causou revolta aos defensores da prática arcaica de indicação de candidatas estaduais ao título de Miss Brasil, que já caminha para a adoção do modelo implantado com sucesso no Miss USA. Lá, cada uma das 51 candidatas estaduais é eleita pela respectiva coordenação credenciada diretamente pela Miss Universe Organization, sediada em Nova York. Descendo para o Brasil, o problema cai da MUO, desce para as mãos da Enter, empresa de eventos da Rede Bandeirantes, e desemboca em 27 “franqueados” estaduais, terminologia usada pela coordenação brasileira do Miss Universo para os coordenadores de concursos estaduais.

Organograma feito por Colin Edward Brayton/Blog do Mello

institutomillenium_aliadosmissesdaband

A fúria dos aliados de Melissa Tamaciro com a denúncia do Críticas sobre a indicação, com fins eleitoreiros, de Patrícia Machry para representar Mato Grosso do Sul no Miss Brasil 2013 causou uma erupção vulcânica sem precedentes nas redes sociais, a ponto de desesperar a área jurídica da Band. Em resposta à provocação liberticida dos aliados do Instituto Millenium (cliquem na arte acima para ampliar) e do Projeto Neoliberal de Destruição do Brasil, os índios Tupinambás do sul da Bahia entraram com uma ação judicial contra a Enter, a Band e seus coordenadores estaduais. Na etapa brasileira do Miss Universo 2013, Machry representou o PSDB e seus coiotes latifundiários a serviço do capitalismo ianque, representados pela Chevron, Citibank, Alstom e Siemens. Sua classificação entre as 15 semifinalistas é tão questionável quanto a sua indicação pela coordenação local, que deixou a ver navios dezenas de candidatas que já tinham sido inscritas e viram seus sonhos virarem pó.
O chilique virtual da coordenação do Mato Grosso do Sul ante o caso do concurso estadual de 2013 foi apenas a ponta de um iceberg de distorções nas 27 etapas estaduais do Miss Brasil realizadas em 2013. Das 27 candidatas, 25 foram eleitas em concursos e apenas duas (Machry e a acreana Raíssa Campelo) foram indicadas. No Acre, a razão para a não realização do concurso estadual de 2013 era óbvia, segundo a coordenadora Meire Manaus: não havia dinheiro do Estado (governado pelo petista Jorge Viana). Pior: com a mega enchente do rio Madeira que assolou e Estado em abril último, o concurso previsto para 8 de junho está seriamente comprometido. Não há recursos no orçamento estadual que assegurem a realização do concurso. Boa parte dos negócios de patrocinadores do Miss Acre se perdeu com a cheia, que isolou por terra a capital, Rio Branco, do resto do país.
A pobreza verificada na coordenação do Miss Acre não se justifica no Mato Grosso do Sul: empresária há mais de duas décadas, Tamaciro tinha sim os recursos necessários para a produção e concepção artísticas do concurso Miss Mato Grosso do Sul 2013. Não o realizou porque o prefeito de Sidrolândia, Ari Basso (PSDB), mancomunado com transnacionais do agronegócio (as norte-americanas Monsanto e Cargill inclusas) e as Organizações Globo (verdadeiras donas da concessão do Miss Universo para o Brasil), não deixou. Tamaciro e seus sócios Alexis Prappas e Neil Brazil se acovardaram diante dos interesses econômicos perneantes no Mato Grosso do Sul. O da exploração de mão de obra escrava. O do massacre de indígenas, patrocinado pelas grandes corporações.
Em outra ponta, candidatas que saem dos seus reinados e não conseguem colocação no ramo do entretenimento ou qualquer outro se arriscam na prostituição e até mesmo no mundo do crime. O caso da libanesa Rima Fakih, eleita Miss USA em 2010, é emblemático e serve para o Brasil. De 2003 para cá, quantas ex-misses São Paulo, Rio, Minas, etc. abriram mão de suas perspectivas de estrelato para descambarem para o lado podre da vida real do reino mineral de Michael C. Hall e “o melhor do Carnaval”, como diria Boni, pai do Boninho do The Voz Brasil? Mais à frente, são inúmeros os casos de políticos e empresários oferecendo propinas a jurados dos 27 concursos estaduais do Miss Brasil-Miss Universo em troca de votos, principalmente para candidatos do eixo PSDB-DEM-PPS-PV-PSB-Rêde (Globo de) Sustentabilidade. É um Brasil de escândalos impossível de reportar em detalhes aqui neste Críticas, mas cabe reflexão antes de Jakelyne Oliveira começar a sua corrida sucessória.

A propósito: A área de comentários está aberta aos internautas para relatar casos de corrupção e outras práticas suspeitas na realização da cada etapa estadual do Miss Brasil 2014. Não serão aceitos comentários fora do objetivo desta pauta bem como os carregados de impropérios, ofensas pessoais e à linha editorial de isenção e independência do Críticas, bem como aqueles que denotem defesa velada dos interesses dos coronéis-coiotes da direita conservadora que quer atrasar o Brasil em 514 anos de Escravidão.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Força da Grana, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Podres poderes, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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