Assunto da semana: Vida longa ao enredo-livro americano de The Returned (nada a ver com programa francês)


Chamar Resurrection de minissérie é ofensa ao leitor

Bob Mahoney/ABC/Divulgação

A julgar pelos dois episódios iniciais já apresentados – The Returned e UnearthResurrection (AXN, 5ª, 22h, 14 anos) tem elementos suficientes para desmontar a propaganda sugerida de “minissérie”. Entre aspas mesmo. Com um início registrando 13,3 milhões de telespectadores na exibição americana da ABC, a trama adaptada por Aaron Zelman (Criminal Minds, Damages, The Killing e franquia Law & Order) a partir do livro de Jason Mott tem carga de receber renovação para uma segunda temporada. Às razões.

Guy D’Alema/ABC/Divulgação

Primeira: as atuações de Omar Epps (ex-House) como o agente de imigração Marty Bellamy e Frances Fisher (em seu primeiro trabalho regular televisivo após múltiplos papéis recorrentes). Ambas pesam a favor para efeito de indicação ao Primetime Emmy na área de atuação coadjuvante e principal, respectivamente. Segunda: a própria adaptação de Zelman em cima de The Returned (que a ABC já usou como título de trabalho na fase de preleção de pilotos de 2013) não é nem um terço da francesa Les Revenants. É coisa original mesmo.

Bob Mahoney/ABC/Divulgação

A terceira razão pela qual Resurrection não tem cara nem jeito de minissérie e sim de série dramática é o time de produção da Plan B, empresa produtora do ator Brad Pitt (não creditado na equipe de produção representada por Zelman, JoAnn Alfano, Jon Liebman, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Michele Fazeskas e Tara Butters). É a mesma firma responsável pelo oscarizado 12 Anos de Escravidão. Na publicidade do canal pago AXN, a Resurrection que se mostra não é a de uma nova série. E sim de vacinação aos telespectadores para o pior.

Bob Mahoney/ABC/Divulgação

Embora tenha uma cancha limitada, o enredo de Resurrection desenvolvido por Zelman a partir de The Returned tem toda perspectiva de receber uma carga maior de elementos ficcionais caso receba renovação para sua segunda temporada. Um bom exemplo para a trama sobrenatural está em Marvel’s Agents of SHIELD: valer-se de pontos abertos no livro de Mott para intrigar ainda mais o telespectador. E não resumir à trama ao menino que saiu defunto do arrozal da China para acordar no Missouri, três décadas depois. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (27/4)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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