50 anos após o golpe militar de 1964, Band ameaça Críticas por jornalismo investigativo sobre os concursos de misses


Área jurídica da Band está desesperada com a verdade nua e crua dos fatos. Os quais é complacente com a irresponsabilidade de coordenadores estaduais

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Roberto Brilhante/Carta Maior/22.03.2014


Na foto, passista da Marcha criada pelo sogro-avô do Johnny Saad

No começo da tarde desta segunda-feira, a caixa de comentários do TV em Análise Críticas foi bombardeada por uma notificação extrajudicial da Rede Bandeirantes (não de sua empresa de eventos, a Enter, criada só em 2011) acerca de seis reportagens: “EXCLUSIVO: Instituto Innovare ofereceu propina para jurados elegerem Jakelyne Oliveira como Miss Brasil 2013”, “EXCLUSIVO: Empreiteira, afiliada da Globo e shopping gaúcho também participaram do esquema de propinas pró-Gabriela Markus no Miss Universo 2012”, “A bonificação por volume da Band às coordenações estaduais do Miss Brasil(*): incentivo à prostituição de luxo para a direita conservadora”, “EXCLUSIVO: Band assinou contrato sem licitação com Minascentro para Miss Brasil(*) 2013 em BH”, “Coordenadora do Miss Mato Grosso do Sul faz ameaças ao TV em Análise Críticas” e “O golpe da Arena Models nas candidatas a Miss Mato Grosso do Sul 2013”.
No documento, a Band acusa o Críticas de publicar “diversas matérias mentirosas sobre o Miss Brasil, Misses Estaduais (principalmente o Miss Mato Grosso do Sul) e Miss Universo”. Matérias mentirosas onde? Para parecer na Ilha de Caras que “tudo está bem com nossa miss, nada foi produto de roubo”? Ou para negar o óbvio (que oito das 11 misses Brasil eleitas sob a tutela da Band desde 2003 foram apoiadas por governadores de oposição do eixo PSDB-DEM-PFL-PPS-Instituto Millenium-CIA-Chevron-Rede Globo)?
Para seu governo, a Band tem agido reiteradamente na intenção de intimidar blogues e jornalistas que fazem matérias investigativas e de denúncia sobre o submundo tenebroso que se esconde por trás do espetáculo de excelência e organização que são as 27 etapas regionais, o Miss Brasil e o próprio Miss Universo. Ressalte-se: É dever da imprensa fiscalizar e denunciar os maus promotores de concursos de misses. O caso de Melissa Tamaciro, que se negou a realizar o Miss Mato Grosso do Sul 2013, é o exemplo mais claro e escabroso da irresponsabilidade, da arrogância e da falta de escrúpulos que norteia parcela coronelista dos coordenadores estaduais, que parecem agir como jagunços da direita conservadora. Assim como colunistas e jornalistas das rádios e dos canais de TV aberta e paga do Grupo Bandeirantes, cuja plataforma desde o primeiro dia dos governos petistas de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tem sido exalar o ódio aos movimentos sociais (UNE, UBES, MST, Contag, etc., apenas para citar algumas entidades), travestido nas marcas de colônia usadas pelas 11 vencedoras do Miss Brasil eleitas pela Band desde 2003 – não à toa, o primeiro ano da Era Lula.
Desde que passou a integrar a família WordPress, em 1º de agosto de 2010, o TV em Análise Críticas sempre apoiou na medida do possível a divulgação dos concursos de beleza promovidos pela Band, tida para muitos como fonte referencial de informação (ou falta dela) acerca desse tipo de evento. Em quase quatro anos, o Críticas produziu diversas matérias de investigação denunciando atrasos e irregularidades nas organizações de diversos concursos. Destaque para a extensa quantidade de referências ao Miss Universo 2011, realizado pela recém-nascida Enter no Credicard Hall, em São Paulo no dia 12 de setembro do ano em questão. Corrupção, prostituição, estelionato, falsidade ideológica e formação de quadrilha existe em qualquer lugar, inclusive no chamado “mundo miss” (tão protegido pela Band quanto criancinha mimada da elite paulistana – aquela mesma que, em 13 de março de 1964, incitada por Adhemar de Barros, co-fundador da Rádio Bandeirantes, queria a derrubada do então presidente João Goulart [o qual só receberia funeral de chefe de Estado em dezembro de 2013, 45 anos depois do Brasil ter conquistado sua segunda – e, até agora, última – coroa de Miss Universo] na famigerada Marcha da Família com Deus e Pela Liberdade (de Expressão dos Donos dos Órgãos de Imprensa Aliada da Casa Branca))). Basta o presidente da Enter, Caio Luiz de Carvalho (ex-ministro do Turismo do [des]governo FHC) assumir a culpa por tamanha conivência. Dada à sua seriedade, a Miss Univwerse Organization não merece no Brasil franqueados dessa natureza.
Em algumas dessas matérias, o Críticas pegou pesado com as coordenações do Miss Brasil nos diversos Estados e até com a própria MUO. É sabido que a Band é aliada sim, de ONGs de direita conservadora ligadas à defesa da liberdade de imprensa [dos donos dos órgãos de imprensa], entre as quais se destacam a Sociedade Interamericana de Imprensa, Instituto Muillenium, Instituto Innovare e Palavra Aberta (as três últimas, em associação com a Globo, parceira corrente nos direitos de transmissão do futebol em TV aberta). Ao contrário do que a Band insinua, as reportagens do Críticas sobre os concursos de misses não tem objetivo econômico algum. Pelo contrário: o TV em Análise Críticas se opõe por completo à imbecilidade dos meios de comunicação que auferem vantagens econômicas com cachorradas tipo Big Brother Brasil, novelas da Rede Globo, futebol de quinta categoria em Teatros de Pompeia Padrão FIFA erguidos às custas dos contribuintes – caso específico da Arena Pantanal, em Cuiabá (capital do Estado natal da Miss Brasil 2013, Jakelyne Oliveira). Não há como dissociar o nome de Jakelyne de tamanha sujeira a que este país está submetido, principalmente em ano de Copa do Mundo da FIFA (a qual a própria Band é licenciada junto à FIFA e à Rede Globo de Televisão).
A reportagem do TV em Análise Críticas cometeu, para o jurídico da Band, o crime de informar à sociedade à verdade dos fatos que os atuais responsáveis pela concessão brasileira do Miss Universo insistem em mascarar. Herança maldita essa adquirida dos anos em que a famigerada Gaeta Promoções e Eventos mandou e desmandou naquele que foi por anos o principal concurso de beleza do país. Esse também foi o crime cometido pelo produtor Tim Lopes, em 2002, quando investigava esquema de prostituição em bailes funk do subúrbio carioca para os telejornais da Rede Globo e até mesmo para o Fantástico (quando era o Fantástico e não o circo de horrores do American Horror Story: Frak Show do Faustão da Eliana do Geraldo Luís a que se presta no presente dia).
Esta é a opinião do TV em Análise Críticas acerca da medida intimidatória, totalitária e autoritária que a Band tomou contra a liberdade de informação nos concursos de misses no Brasil. Para quem se sentiu incomodado com as verdades expostas nas nossas reportagens, a retratação está feita. E, ao mesmo tempo, desafia os maus promotores de concursos a fazerem o mesmo em relação às modelos que sonhavam ser candidatas a miss e se sentiram lesadas, bem como suas respectivas famílias, Essas sim, querem justiça contra a Band, a Enter e seus entes missológicos travestidos de animais políticos da direita mais retrógrada (ver também O jogo pesado: tirar a Petrobras de campo, na Carta Maior – texto contundente de Saul Leblon).

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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5 respostas para 50 anos após o golpe militar de 1964, Band ameaça Críticas por jornalismo investigativo sobre os concursos de misses

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