Assunto da semana: Uma Los Angeles nada noir na tela da TNT


Por que Mob City deve ser colocada no Emmy como minissérie

TNT/Divulgação

Concebida como um evento televisivo de três semanas, Mob City (concluída na segunda-feira [18] na TNT Brasil) não deve ser tratada como série televisiva e sim como um telefilme longuíssimo, desses de passar na rota Rio-Dubai ou Rio-Paris. Seis horas de duração, comprimidas em três grupos de dois episódios cada, são suficientes para compor o escopo de uma versão melhorada da biografia do mafioso Benjamim “Bugsy” Siegel (1906-1947), cuja trajetória de crimes já rendeu filme indicado ao Oscar de 1991 com Warren Beatty.

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Concebida, criada e pensada por Frank Darabont (The Walking Dead) a partir do livro L.A. Noir (que chegou a ser seu título de trabalho), a trama de Mob City retrata de forma crua as fricções entre o Departamento de Polícia de Los Angeles, chefiado em 1947 por William Parker (1905-1966, papel de Neal McDonough, Band of Brothers, Desperate Houswives) e a quadrilha comandada por Bugsy (Edward Burns, O Resgate do Soldado Ryan), as quais culminaram na apoteose de sangue dos dois últimos episódios.

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Filmada em cores, Mob City de noir não tem nada, a julgar pela assepsia que recebeu para ser uma minissérie (e não uma série regular, como alguns incautos fizeram acreditar). Oxpecker e Stay Down (o combinado que assisti) mostram bem o grau que coloca a trama na zona de potenciais candidatas ao 66º Primetime Emmy de minissérie ou telefilme, sobretudo em áreas técnicas (direção de arte, efeitos visuais e edição de som). As indicações de sindicatos específicos (ADG, VES e MPSE) estão aí para provar.

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Cru como peixe de feira, o enredo de Mob City dirigido em três e escrito por Darabont, 55, em quatro de seus seis episódios o coloca numa zona de conforto aparente para o Primetime Emmy dessas duas categorias. Deve fazer companhia a dois trabalhos de Ryan Murphy: o telefilme The Normal Heart (HBO, lançamento em maio, com a oscarizada Julia Roberts) e, claro, American Horror Story: Coven (FX, FOX), noves fora a penca de submissões da PBS, ABC, Lifetime e por aí vai. É uma rajada de competência artística. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (23/2)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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