A vira-latice pátria de Flávio Ricco e os ‘coxinhas’ yankees da Globo


O que José Carlos Nery esconde de seus cada vez mais escassos leitores

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Acervo Última Hora/Folha Imagem/1975

Quando a Rede Globo precisou montar às pressas a grade para tapar o “buraco” deixado pela saída do Programa Sílvio Santos, em 25 de julho de 1976, montou-a da seguinte forma: abre com O Planeta dos Macacos (atração importada não relacionada ao Idi Amin Dada do STF, Joaquim Barbosa), depois um tal de Domingo Gente (sic, nada a ver com o programa atual da Record, anteriormente do pagodeiro Netinho), segue com o Esporte Espetacular, passando para Uri Geller (importação israelense tal qual Homeland e Rising Star da MIPCOM 2013), Moacyr TV, Globo de Ouro (a parada musical) e 8 ou 800 antes de entregar o Bom Domingo para o então Fantástico (hoje mais conhecido como O Show da Morte, das Dores Lombares do Anderson Silva e da Mentira que Tem Perna Mais Curta que a da Repórter Sônia Bridi do que o show da vida a que se prupunha). Num sintoma claro de senilidade mental e desconhecimento, o jornalista José Carlos Nery (que cobre as imerecidas férias de Flávio Ricco, no UOL), urra um exercício de ignorância jornalística e de infantilidade ao comparar os empulhados humorísticos nacionais da tarde com a faixa noturna da Rede Record de Televisão – Spartacus (com o finado Andy Rhitfield) e Breaking Bad (com Bryan Cranston) não tem nada a ver com essa viagem na maionese Hellmann’s contaminada com salmonelas tucanas-americanófilas de imbecis de apelações jornalísticas tipo Manhattan Connection, Entre Caspas (e Beijos da Morte), dentre outros.
Para conhecimento do retardado mental que escreveu a matéria, a Globo (até então sustentada pelas verbas do carnê do Baú da Felicidade e das empresas do Grupo Sílvio Santos, que crescia à época à velocidade de foguete do programa espacial americano Skylab, já extinto) tinha cinco atrações nacionais para duas importadas. Mãs, segundo matéria do Jornal do Brasil de 5 de agosto daquele ano, houve caso em que precisou se programar um filme – Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Voadoras (EUA, 1965, distribuição: 20th Century Fox, direção: Ken Annakin) – para cobrir a baixíssima audiência do EE em Recife, João Pessoa e Natal (nessa época as capitais paraibana e potiguar tinham repetidoras da Globo Recife e não afiliadas, como hoje). Nesse caso, a proporção subia de dois importados para quatro nacionais.
Com os cancelamentos do Domingo Gente, do Moacyr TV e do 8 ou 800 a partir de 1977 – somada à chegada de Os Trapalhões, egresso da Rede Tupi, a disseminação de séries importadas no domingo global chegou a níveis alarmantes. A ponto de, em 1982, se contabilizarem apenas três produções nacionais na grade ante cinco importadas. No horário do Divertics, por exemplo, passava Disneylândia.
Para uma emissora que deu os peitões para amamentar a “ditabranda” militar (com direito a matéria paga da Agência Nacional camuflada de programa jornalístico após a novela O Casarão), investir “cada vez mais em teledramaturgia, através de produções próprias ou em parcerias com produtoras” significava pagar os proventos e contracheques dos atores contratados dos estúdios Disney, MGM, Columbia (o 2º e o 3º hoje parte da máquina da Sony Pictures) e Warner (cuja empresa parenta, a Time-Life, ajudou a implantar a TV Globo do Rio, com recursos do governo do general Castelo Branco e supervisão-geral da CIA, a agência de inteligência da Casa Branca). As saudosas Liz Taylor, Richard Burton e Bette Davis que os digam. Significaria camuflar que a própria Globo investe em produtos importados (filmes da Fox, Sony e Disney) para fazer a “ponte” do EE para o insignificante Divertics. O qual não passa de ideia de cabeças ocas alocadas no Projac tipo Jorge Fernando e outros.
***
Se de um lado, o serviçal da Globo-UOL cospe na Record como se fosse a Andresa Urach atacando a Claire Danes no centro do Roda Presa da TV Cultura com saliva, por outro a Record tem mais o que comemorar com a estreia da aplaudidíssima Breaking Bad (após cinco anos nos canais pagos da Sony – Sony e AXN). Registrou média de 6 pontos na medição do Ibope realizada na Grande São Paulo. No entanto, se tomarmos comparação com outras séries importadas que estrearam (ou retornaram) ontem à noite, BB perdeu para Homeland por uma diferença de apenas dois pontos (6 ante 8 da trama terrorista lead-out do terrorismo psicológico do William Waack no jornal da globo). Ou seja, o oposto do que acontecera no 65º Primetime Emmy de setembro último. Covert Affairs/Assuntos Confidenciais (com Piper Perabo) registrou a quarta maior audiência de seu segmento: 4 pontos. Ficou atrás de CSI: NY, também na Record, que registrou 5. Isso tomando como referência apenas a faixa nobre.

Ursula Coyote/AMC/Divulgação

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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