Assunto da semana: Moscou em Washington dos anos 1980


A reconstituição de época para a espionagem de The Americans

Craig Blankenhorn/FX/Divulgação

Embora exibida num horário horroroso para o público brasileiro, a primeira temporada de The Americans (FX, domingo, 9h, 18 anos) mostra a que veio para um 2013 marcado por acusações de espionagem na vida real no eixo Moscou/Washington. Concebida por um ex-agente do FBI, Joe Weisberg, a trama tinha tudo para abiscoitar boa parte das indicações ao Primetime Emmy de setembro último – no fim das contas, acabou concorrendo nas categorias de atriz convidada (Margo Martindale) e música-tema. Não passou daí.

Craig Blankenhorn/FX/Divulgação

Apesar de esnobada pelos Emmys e escamoteada pela filial brasileira do FX, The Americans tem todos os ingredientes dignos de uma trama de espionagem. Pesa a seu favor a ampla reconstituição de época, remetida a janeiro de 1981, quando o ex-ator Ronald Reagan assumiu a presidência dos Estados Unidos e Washington vivia em constante conflito com Moscou e seus países-satélite. Tanto era que no concurso de Miss Universo, a China que competia era a ilha capitalista (Taiwan) e não a continental. Maus tempos aqueles.

Craig Blankenhorn/FX/Divulgação

Outro item em que Americans tem a favor é seu figurino de época. Em uma rápida passada por Comint e Trust Me (os dois únicos episódios que assisti até agora), o trabalho de Jenny Gering (O Sistema, Sem Limites e Gente de Sorte, segundo informa o IMDb) poderia ter sido crucial para convencer os membros da Academia de Artes e Ciências da Televisão (ATAS, na sigla em inglês) de colocá-la na disputa. Como consolo, deve restar a premiação do CDG, sindicato americano dos figurinistas de cinema e TV. Pode ser.

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Primaz por retratar as tensões da Guerra Fria Reagan-camaradas do Partido Comunista Soviético, The Americans é a melhor reconstituição de época para uma trama ambientada na agitada década de 1980. Tanto é que o enredo de Weisberg (que não pôs as mãos nos roteiros de Comint e Trust Me) parece coisa menor que cena de mecânica de carros de Washington. A direção de arte de Alison Ford (Salt, White Collar, O Visitante, dentre outros) é primordial para esta Masterpiece política do fim do século 20. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (5/1)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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