Um álbum lançado no ano em que Morena Baccarin veio ao mundo: Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, de Moraes Moreira


Numa época em que a Som Livre tinha artistas de MPB e não estercos de sertanejo universitário em seu elenco

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Na noite desta sexta-feira (6), véspera de feriado nacional e dos distúrbios dos baderneiros do movimento Black Block na Avenida Presidente Vargas televisionados por Globo e Record, o Canal Brasil levou ao ar o episódio do programa O Som do Vinil que tratou do álbum Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, do baiano Moraes Moreira, lançado em 1979, ano em que a atriz carioca Morena Baccarin (indicada ao 65º Primetime Emmy pela atuação coadjuvante em Homeland) nasceu. Segundo o produtor musical Guto Graça Mello, “o álbum permanece atual”. E permanece mesmo.
Esse álbum foi um dos motivos de Moraes Moreira ter se desligado dos Novos Baianos (outra cria da Som Livre, braço fonográfico da Globo que já abrigou nomes da MPB como Fafá de Belem e Rita Lee e agora abriga estercos musicais sertanejos como Luan Santana, Paula Fernandes, Michel Teló e outros). Após esse álbum, o baiano se desligou da Som Livre e gravou seu álbum seguinte (Bazar Brasileiro, 1980) pela Ariola (atual Sony Music).
Durante a década de 1970, Moraes Moreira se tornou o primeiro grande cantor de trios elétricos da Bahia e deu publicidade ao invento criado pelos já falecidos Dodô e Osmar. Dessa fase, saíram sucessos comerciais como Pombo Correio, Vassourinha Elétrica e Bloco do Prazer, todos de cunho carnavalesco, muito antes de Claudia Leitte, Ivete Sangalo, Netinho (não o pagodeiro que espanca mulher e humorista), Cid Guerreiro, Luiz Caldas e outros embarcarem nessa onda a partir de 1980. Como consequência, redes nacionais como Manchete (atual Rede TV!), SBT e Band, fora as emissoras locais abertas, passaram a dar atenção total às músicas que ditavam o ritmo do carnaval de Salvador.
O sucesso comercial de Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira nas lojas de discos fez a Bahiatursa (empresa de turismo da Bahia), em conjunto com a Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo), vender o desfile de trios elétricos do Carnaval soteropolitano como um dos main-events do Carnaval brasileiro (ao lado dos desfiles de escolas de samba do Rio e de São Paulo, neste último caso após a inaguguração do Sambódromo projetado por Oscar Nieneyer em 1991). A repercussão do carnaval baiano pelos grandes meios de comunicação, no início dos anos 1980, obrigaria Moraes Moreira a virar cantor romântico de trilha de novela e dissociar seu nome dos trios elétricos por pouco mais de uma década.
Porém, como diria o ex-titã Charles Gavin (abaixo com o papa do crooning dos trios elétricos), esta é uma outra história.

Reprodução/Facebook/Canal Brasil/Divulgação

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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