Gugu Liberato e as cotas nacionais nos canais pagos


Fora da Record, apresentador já pode se preocupar apenas em produzir conteúdo, não mais apresentar

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Rede Record/Divulgação


Gugu, agora atrás das câmeras: sai o apresentador, entra o produtor

Foram 30 anos diante das câmeras exercendo papel de animador de massas. Com a expansão de seus negócios, Antônio Augusto Moraes Liberato, 53, entra agora no maior desafio de sua carreira televisiva de 39 anos: produzir programas, colocar a engrenagem para funcionar, atender às demandas do mercado de TV por assinatura no Brasil, impulsionadas com a vigência da lei 12.485/2011, que obriga programadoras internacionais com sinal dirigido ao Brasil a destinarem parte de suas programações a conteúdo de produtoras independentes. A GGP, empresa formada por Gugu Liberato no fim dos anos 1980, enfim começa a trabalhar, após algumas desventuras no sistema aberto.
A decisão mútua de Gugu de encerrar seu compromisso com a Rede Record não vem ao acaso: vem por necessidade de um mercado crescente, cada vez mais ávido por conteúdos nacionais em canais de TV paga. Há alvos interessados, como já sinalizou o próprio. Para melhor compreensão da coisa, recomenda-se a leitura atenta do comunicado abaixo:

“A Record e o apresentador Gugu Liberato, depois de um ciclo de quatro anos de contrato, decidiram rescindir o acordo que estava em vigor. A emissora e o apresentador consideram que o período de convivência profissional foi proveitoso para ambas as partes e atingiu seus objetivos.

A Record teve em seu elenco um dos maiores apresentadores da televisão brasileira e ofereceu todas as condições para que Gugu e sua equipe desempenhassem o seu trabalho.

Este contrato entre Gugu e Record chega ao final de forma acordada e sem qualquer impedimento para novas parcerias futuras ao longo do tempo.

Devido às mudanças de condições de mercado e a abertura de novas oportunidades, Gugu acredita ser o momento de investir em produção independente inclusive através de sua produtora GGP.

A Record deseja que Gugu Liberato siga em sua trajetória profissional e pessoal com muito sucesso.

São Paulo, 07 de junho de 2013”

Para sermos bem claros: Gugu deixa a Record para atender a um momento ímpar na indústria audiovisual brasileira, excluídas as necessidades industriais em função da Copa do Mundo FIFA de 2014 e das Olimpíadas e Paralimpíadas de Verão do Rio, em 2016: servir, a partir de agora, como coadjuvante, fornecedor de material de vídeo (a começar do uso de espaços da GGP para produção de programas) e, principalmente, ator principal da produção executiva de realities, programas de variedades e outros projetos, que vão até programas de culinária. Para Gugu Liberato, basta. Chegou a hora do apresentador dar lugar ao produtor. Do artista dar lugar ao profissional de bastidores, responsável pela concepção de conteúdos e produção de formatos em seus estúdios. Cabe agora a Gugu Liberato a chave do cofre da produção audiovisual de TV paga no Brasil. A Lei das Cotas nacionais existe para isso. E há terreno para tanto. Terreno bastante para Gugu explorar a partir de agora.
O fim da carreira do Gugu apresentador abre portas agora para o Gugu da produtora. Sai o Gugu das caravanas assistencialistas e entra o Gugu diretor, gerente, manager, showrunner de programas, séries e realities. A cultura nacional só tem a ganhar com essa importante mudança, que beneficiará não apenas a Record ou o SBT (emissoras em que trabalhou), mas também grifes como AXN, Sony, E!, MGM, Warner, TNT, HBO, dentre outras. O mercado de TV paga no Brasil, mais que nunca, precisa do know-how de Gugu em reportagens externas de programas de grande repercussão como Viva a Noite, Domingo Legal e outros para progredir. Sua saída da Rede Record, neste domingo (9), abriu esse capítulo importante para a história das comunicações de massa no país, outrora monopolizada por Marinhos, Civitas, Frias, Saads, et caterva.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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