Rubens Ewald Filho: Analisando as indicações – Oscar 2013


Começando pelo efeito que a mudança de data, adiantando tudo, teve nas indicações

Do R7

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Argo

Vocês já sabem que eu estava em viagem de Los Angeles para Atlanta onde vou fazer a transmissão neste domingo do Globo de Ouro e por causa da distância e fuso horário não tive condições de escrever antes. Mas talvez tenha sido até bom porque com uma certa distância, pode-se perceber melhor as coisas. Começando pelo efeito que a mudança de data, adiantando tudo, teve nas indicações. A Academia não confessa, mas deve ter tido um número menor de votantes, muita gente viajando e ainda em férias, muita gente errando na internet. Poucos tendo tempo para ver os filmes, principalmente os mais obscuros. A abstenção deve ter sido grande.

1- parece lógico que quando há nove indicados para melhor filme e apenas cinco como melhor diretor, que alguns vão sobrar. Sabe que eu até achei que a Academia acabou acertando, eliminando os candidatos mais fracos. Não indicaram Tom Hook por Les Miserables e fizeram muito bem, porque o trabalho dele é lamentável. Deixaram de lado Tarantino porque é polêmico e se repete, mas a melhor coisa que fizeram realmente foi terem sido a única premiação -junto com o Critic’s Choice em lembrar do belo e talentoso Beasts of the Wild South, reconhecendo sua incrível atriz infantil, seu belo roteiro e realização.

2- O Grande escândalo foi deixar Kathyn Bigelow de lado supostamente porque houve acusações de senadores e da própria CIA de que o filme dela, A Hora mais Escura, distorce os fatos (vejam que surpresa, Hollywood mudando fatos históricos! Isso acontece SEMPRE… e como alguém ainda pode levar a sério burocratas negando o óbvio, de que não se usa tortura nos interrogatórios??? O que eu suspeito é que ela não foi indicada porque o filme não é isso tudo, os críticos de nova York enlouqueceram e o filme é confuso, longo e superestimado. Escuro ainda por cima e não convincente. Continuo a achar que lhe deram o Oscar por aquele filmeco Guerra ao Terror só porque tinham mesmo raiva de James Cameron! Foi pura vingança e agora se faz justiça.

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As Aventuras de Pi

3- Fiquei chateado com a ausência de Skyfall da lista dos filmes, sinal de que a ideia de incluir o melhor blockbuster do ano falhou. Por outro lado se confirma a impressão de que Batman capítulo final realmente decepcionou e o mesmo aconteceu ainda pior com Prometeheus). Também senti a falta de Javier Bardem como coadjuvante.

4- Por outro lado, como sempre, na categoria de filme estrangeiro a Academia aprontou das suas deixando de lado a barbada que era o francês Intocáveis – imenso sucesso mundial – substituindo-o por filmes menores. A não ser pelo agora favorito, Amour, de Michael Haneke. Desculpe, mas uma Academia que tem a coragem de dar indicações e tantas para um filme tão digno, tão sério e sem concessões como este, está fazendo alguma coisa certa. Lembrando mesmo da Atriz Emmanuelle Riva, a mais velha até hoje indicada, aliás, este ano também houve a mais nova, com a encantadora menina de Beasts. Ainda que esquecendo de Jean Louis Trintignant que está no mesmo nível dela.

5- As omissões foram muitas e podemos especular o porquê. Leonardo Di Caprio está muito bem – como de hábito – em Django Livre, mas a Academia não tem maiores simpatias por ele. Denzel Washignton foi indicado por O Voo, mas apesar dele estar carismático, o filme não é nenhuma maravilha, nem é um grande momento do ator. Eu sou fã de Marion Cotillard e ressinto sua ausência, mas o filme dela, temos que admitir que é difícil e pesado (Osso e Ferrugem). O pior e mais absurdo corte foi mesmo do coadjuvante John Hawkes, por Sessões, claro que é um filme pequeno e ninguém viu, votaram em Helen Hunt pelo prestígio que ela tem. Azar dele que dá um show de naturalismo e discrição neste ótimo filme.

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Django Livre

6 – Falou-se muito este ano de um filme que não comentei até hoje aqui que é O Mestre/The Master, de Paul Thomas Anderson que foi defendido pela crítica que não teve coragem de falar mal de uma tentativa ambiciosa de retratar o chefe de uma seita que o diretor roteirista depois se esforçou para dizer que não era a Cientologia. Houve até interferência do Tom Cruise que trabalhou com ele em Magnolia e por causa dele fez cortes.
O filme acabou ficando esquisito, truncado, sem realmente criticar ou atacar nada, se fixando no relacionamento de amigos entre o chefe da seita, Phillip Seymour Hoffman, um ator que vem cada vez mais me cansando e se repetindo, e um rapaz ex-militar que funciona meio como guarda costas, o repulsivo Joaquim Phoenix, também pelo personagem grosseiro e tarado. Amy Adams tem uma participação muito discreta como a mulher do líder, ou seja, O Mestre, que ela faz com seu habitual charme e encanto. Ou seja, o filme só foi lembrado pelo elenco e nada mais. Como foi fracasso de bilheteria total, perdeu sua chance de redenção.

7 – A primeira vista, as indicações técnicas me parecem corretas, mas ainda não tive tempo de ouvir todas as trilhas musicais ou analisar nada em profundidade. Temos tempo para isso. Só posso comentar que um dos mais indicados na parte técnica foi Anna Karenina do diretor Joe Wright, que é um dos meus favoritos. Realmente o filme na primeira meia hora parece genial e eu exclamava, é o novo Fellini.
Mas vai perdendo fôlego, se atrapalhando, se perdendo, prejudicado por Keira Knightley como a protagonista que não segura um personagem difícil demais, por um galã embonecado e ridículo, por Jude Law inconvincente e também mal caracterizado. Mas tudo é teatral, como se passasse realmente num teatro e o pessoal do nosso teatro vai vibrar. É dos filmes mais belos já feitos e como direção de arte é arrebatador. Mas não para o espectador comum.

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Lincoln

8 – Apesar de ontem o filme Argo ter sido votado como melhor diretor e filme dramático pelo Críticos de Broadcast, nada abalou ainda o prestígio de Lincoln e de Spielberg, nem de Daniel Day Lewis que é a Meryl Streep deste ano. Lembram dele ano passado em Iron Lady/Dama de Ferro, estava tão acima de tudo que não tinha como não premiá-la. É o que acontece Daniel este ano, é tão perfeito e magnífico que não tem competidor. Ainda assim, acho que o filme será um fracasso no exterior, inclusive no Brasil, onde Lincoln é muito vagamente conhecido. É um filme lento, sem ação, escuro, sobre politicagem e políticos que desconhecemos. Mas ainda é o favorito.
Neste domingo então, vamos ter o Globo de Ouro. Não percam na TNT, mas ainda volto a fazer a matéria sobre ele na edição de domingo.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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