EXCLUSIVO: Uma semana após o Miss Universo 2012, novas descobertas sobre o esquema de propinas que contaminou o concurso de beleza


Além de Brasil, Estados Unidos, Rússia, França e Venezuela, outros 14 paises (inclusive não-classificados) ofereceram suborno a jurados

Da redação TV em Análise

Reprodução


Teutônia: desperdício de verbas na cidade da quinta mais bela do mundo

Uma semana após a denúncia, pelo TV em Análise Críticas, de que candidatas de cinco países se classificaram às semifinais do concurso Miss Universo 2012 mediante pagamento de propinas a jurados da final televisionada, novas descobertas estarrecedoras vem à tona. Coordenações de, pelo menos, outros 14 países e territórios, também teriam oferecido suborno aos jurados da fase preliminar, conhecida como Presentation Show, realizada no dia 13 de dezembro.
Segundo investigações feitas pelos produtores de Homeland, Parenthood, NCIS, Law & Order: SVU, Good Christian Belles e 666 Park Avenue, em colaboração com o Comando de Caça aos Comunistas (CCC), a Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab), o Instituto Millenium e a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), dois bancos sediados em Road Town (Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal sob domínio da coroa inglesa) teriam oferecido cheques ao portador cujos valores variam de US$ 2.500 a US$ 199 mil. Não para beneficiar a candidata local, Abigail Hyndman. Mas para favorecer ilegalmente a candidata da Colômbia, Daniella Álvarez Vásquez. Ao saber da transação espúria, a direção do Concurso Nacional de Beleza, que detém a concessão do Miss Universo para a Colômbia, através de carta dirigida ao Concepab e à Rede Globo (detentora dos direitos do Miss Universo para o Brasil, repassados à Rede Bandeirantes), mandou parar a negociação, alegando que era “lesiva aos interesses dos colombianos e, sobretudo, dos amantes dos concursos de beleza”.

Lixo brasileiro

Para reforçar o propinoduto para a candidatura de Gabriela Markus, a prefeitura da cidade de Teutônia (100 km ao norte de Porto Alegre) torrou todo o orçamento para 2013 em cheques destinados ao pagamento de jurados técnicos e a jurados da final televisionada. Cerca de US$ 855 mil (R$ 427,5 mil, em moeda local) foram desperdiçados pelo gabinete do prefeito reeleito Renato Altmann (PP), que toma posse no dia 1º de janeiro, para tentar subornar nomes como Brad Goreski, Scott Disick, Ximena Navarrete, Pablo Sandoval, Carlos Anaya, Crystle Stewart e Corinne Nicolas, presidenta da Trump Models Management. Recursos que poderiam ir para áreas essenciais como educação, saúde e infraestrutura foram desperdiçados em favor de um lobby que se mostrou inútil e ineficaz. “Foi o maior assalto não aos cofres públicos, mas à inteligência do povo tão sofrido dessa cidadezinha (gaúcha)”, assinalou o ator Mandy Patinkin, o doutor Saul de Homeland, que retrucou: “Já me arrependi de tudo: ter feito Criminal Minds, ter sido jurado de etapa estadual do Miss USA e ainda tentaram me convidar para o júri do American Idol. Tudo aquilo destruiu minha alma, meu Soul Train.” Além do Brasil, a executiva de Donald Trump também teria sido subornada por coordenações da Holanda, China, Tailândia, Irlanda, Turquia e Rússia.
Uma hora antes do show preliminar, Nicolas foi assediada por lobistas que diziam agir em nome de Natalie Den Dekker, Diana Xu, Farida Waller, Adrienne Murphy, Çagil Özge Ozgul e Elizaveta Golovanova. Foi acahacada com 36 cheques administrativos entre US$ 2.985 e US$ 774 mil. Mandou todos se retirarem do PH Live antes que as torcidas nacionais chegassem. Ao saberem da movimentação suspeita, um grupo de torcedores da filipina Janine Tugonon, altamente revoltado com a presença de elementos com malas 007 abarrotadas de dinheiro, partiu para a pancadaria e escorraçou os propineiros de Den Dekker, Xu, Waller, Murphy, Ozgul e Golovanova. A guerra só não foi maior porque seguranças do local do certame contiveram os ânimos da torcida revoltada. Apesar de ter ficado na 55ª colocação na avaliação final do Críticas, Tugonon se classificou entre as 16 semifinalistas através do Trump Card, instrumento da Miss Universe Organization que dá vaga automática a seis das 16 semifimnmalistas, ancorado no desempenho individual de cada candidata.

Jogo sujo

Além de Holanda, China, Tailândia, Irlanda, Turquia e Rússia, as coordenações de Porto Rico, Austrália, Hungria, El Salvador, Canadá, Kosovo, Panamá, Japão e Paraguai ofereceram propinas não apenas a jurados, mas também a jornalistas para que emplacassem matérias favoráveis e simpáticas a suas candidatas. Por mais citações amáveis que tivesse no consórcio da grande imprensa afiliada à SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), a paraguaia Egni Eckert (apontada pela mídia aliada da SIP como “rival” de Larissa Riquelme, musa da Copa do Mundo FIFA de 2010) não conseguiu convencer. Favorita do consórcio da mídia golpista, Eckert (75ª colocada na avaliação do Críticas) não se classificou entre as 16 semifinalistas. Apesar disso, seus preparadores armaram um verdadeiro esquema de suborno a três jurados da final televisionada caso Eckert se classificasse, o que não chegou a ser feito. Desperdiçaram-se na operação fracassada US$ 897 mil em santinhos confeccionados numa gráfica da capital, Assunção.
No caso da salvadorenha Ana Yancy Clavel, a coordenação local ofereceu, além dos santinhos de praxe e do material publicitário, dois cheques sem fundos, no valor de US$ 84 mil cada um. A trapaça foi descoberta por um oficial da MUO, que expulsou os salvadorenhos da área dos jurados técnicos. Para a kosovar Diana Avdiu, ofereceu-se aos jurados um prospecto da candidatura fracassada de Pristina ao Miss Universo 2012. De acordo com os investigadores, não houve quantias em dinheiro ou cheques oferecidas aos jurados, mas a coordenação do Miss Universo Kosovo converteu a propina em publicidade. Estima-se que tenham sido gastos US$ 551 mil com a confecção dos “santinhos” datados. Mas já acordou a MUO para uma candidatura a sede do Miss Universo 2013 que talvez nem se concretize.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Corrupção nos concursos de beleza, Jóia da coroa, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para EXCLUSIVO: Uma semana após o Miss Universo 2012, novas descobertas sobre o esquema de propinas que contaminou o concurso de beleza

  1. Marcio disse:

    Ainda bem que a organização do Miss Líbano não está envolvida nessa sujeira! A mais bela candidata ao Miss Universo era a libanesa Rina Chibany.

  2. Pingback: Ex-coordenador municipal do Miss Rhode Island USA [EXCLUSIVO]: Empreiteiras desviaram verba do furacão Sandy para comprar eleição de Olivia Culpo como Miss Universo 2012 | TV em Análise Críticas

  3. Pingback: EXCLUSIVO: As ligações entre a blogueira cubana Yoani Sanchez e o esquema de corrupção que elegeu Olivia Culpo como Miss Universo 2012 | TV em Análise Críticas

  4. Pingback: Quatro meses depois, ninguém foi punido pelo caso das propinas no concurso Miss Universo 2012 | TV em Análise Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s