Castro: Avenida Brasil é apenas uma boa novela, nada mais do que isso


Recomenda-se a Galvão Bueno procurar um psiquiatra; irmão novelista da Cláudia Ohana não revolucionou nada

Por Daniel Castro
No R7

Fotos Lucy Nicholson/Reuters/23.09.2012 e TV Globo/Divulgação

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Julianne Moore reprovando a performance de Adriana Esteves (no SBT e não aconteceu p@rr@ nenhuma) como Sarah Palin na novela das nove

Nos últimos dias, a novela Avenida Brasil tomou conta das rodas de conversa. Os amigos conversam sobre futebol, e de repente alguém faz piada sobre Tufão, evoca Carminha. E a vizinha quer saber: “Quem matou Max?”.
Até a presidenta Dilma Rousseff mandou remarcar um comício agendado justamente para o horário do último capítulo da novela das nove da Globo, nesta sexta.
É incontestável o sucesso de Avenida Brasil. No Ibope, está próxima da média final de 39 pontos, o que equivale a quase 40 milhões de telespectadores, algo que a TV americana só conhece em ocasiões especiais, como o Oscar. Se fosse nos anos 1980, Avenida Brasil estaria dando 80 pontos.
É também inegável a qualidade da novela.
A produção congrega ricos e pobres, bregas e chiques, em um grande churrasco na laje. Atrai a classe C com personagens populares, que espelham o “povão”. Seduz os mais descolados com uma “estética de cinema”, com a exploração da profundidade de campo, do uso da câmera na mão, de uma decupagem menos careta.
Avenida Brasil, enfim, é uma das melhores novelas dos últimos anos.
Mas andam exagerando. No horário da novela, pessoas inteligentes e descoladas se comportam nas redes sociais como se estivessem diante de uma obra-prima; outras, como se estivessem vendo o melhor time do mundo jogando a final de uma Copa. Menos, bem menos.
O capítulo de segunda-feira não teve interpretações “memoráveis”, ao contrário do que Galvão Bueno bradou ontem de manhã, narrando Brasil x Japão. Avenida Brasil não é “nosso” Lost, como escreveram no Twitter mais de uma vez. E, desculpe, Fernanda Montenegro, mas João Emanoel Carneiro não revolucionou teledramaturgia nenhuma.
Porque Avenida Brasil, acima de tudo, nunca deixou de ser uma telenovela convencional. É verdade, no começo parecia série e telefilme, a história desenrolava sem parcimônia em ótimos ganchos. Sustentou em um mês um ritmo que as novelas costumam segurar somente no primeiro capítulo. Aí, sim, foi ousada.
Mas, passada essa primeira fase, não teve como fugir do esquema industrial da telenovela, movido a muito nhenhenhem e (no caso) soluções inverossímeis, porque ainda não criaram história nem estrutura de gravação que gere um ótimo capítulo por dia durante 180 dias.
Assim, Nina (Débora Falabella) passou meses cortando tomate e pimentão. Sua vingança só foi deflagrada por volta do centésimo capítulo, e ainda assim parcialmente, porque a mocinha não destruiu completamente a vilã Carminha (Adriana Esteves). Do contrário, acabaria com a novela.
Agora, nessa reta final (“eletrizante” para muitos) quem surge como grande vilão é um personagem secundário, que só se revelou recentemente, o vovozinho Santiago (Juca de Oliveira).
Do ponto de vista narrativo, Avenida Brasil também foi nada além de um novelão clássico, melodrama puro. Seu tema principal, a vingança, é um clássico da literatura Ocidental há quase 170 anos.
Dentro de alguns meses, avenida Brasil será apenas uma importante via do Rio de Janeiro.

Eduardo Naddar/O Globo/10.01.2012

https://i2.wp.com/extra.globo.com/incoming/3669468-eb4-24a/w640h360-PROP/2012011460442.jpgGLOBO.jpg
End of scene

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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2 respostas para Castro: Avenida Brasil é apenas uma boa novela, nada mais do que isso

  1. Pingback: A dupla de apresentadores do Miss Universo 2012 está praticamente formada. Falta o consenso entre a MUO e a NBCUniversal | TV em Análise Críticas

  2. olavo disse:

    NOVELA PARA O POVAO MESMO E BATE NA MESMA TECLA FALTA CRIAÇAO NA DRAMATURGIA BRASILEIRA ANTIGAMENTE ATE DECADAS DE 60 70 e 80 as novelas tinham enredo melhor falta criaçao nos tempos atuais

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