Sem sede definida, 71 países já asseguraram presença no Miss Universo(*) 2012; desesperada, NBCUniversal vai tentar vender o concurso na MipTV


Se o concurso fosse hoje, seria a mais baixa presença de candidatas desde 2003

Da redação TV em Análise

Estevam Avellar/TV Globo/Divulgação

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Na foto, Mariska Hargitay numa cena da campanha Nordeste Urgente dirigida pelo Amauri Soares: Walter Avancini se revirando na tumba

Mesmo com o retorno anunciado de três países – Costa do Marfim, Namíbia e Senegal – e a estreia de outros três – Gabão, Lituânia e Togo – a expectativa de participação de candidatas ao título de Miss Universo(*) 2012 é a menor possível. Dados da redação do TV em Análise Críticas, cruzados com informações de alguns comitês nacionais (inclusive do Brasil), mostram que a edição deste ano do certame terá bem menos candidatas em relação ao ano passado a preço de hoje – 71 contra 89.
A freada no número de candidatas se deve, em grande parte, às dificuldades criadas por Donald Trump para anunciar, de imediato, a cidade-sede (Nova York) e a data do Miss Universo 2012 (3 de dezembro), antecipadas por este Críticas. Com sinais claros de desespero, a direção da NBCUniversal vai tentar vender as sobras de direitos internacionais do certame na MipTV, feira de programação internacional realizada anulamente em Cannes (França), no fim de outubro, que envolve várias emissoras dos cinco continentes.
Cientes do peixe estragado que irão vender em meio aos pacotes de séries e realities sob sua custódia, Trump e a NBC estão para lesar não apenas milhares de fãs de concursos de beleza ao redor do mundo. Mas, sobetudo, diretores de emissoras internacionais (fora as que asseguraram contratos de longa duração como a Venevision, ABS-CBN e a Band) em países e territórios de pouca (ou nenhuma) tradição em concursos de beleza. Pelas contas de especialistas, os direitos anuais de transmissão do Miss Universo devem valer cinco vezes menos que um capítulo de novela da Tevê Globo redigida no estilo papel de embrulhar peixe. Como é Revenge da Avenida (PR)asil do Tiririca da Debra Bloch-Messing. Moral da história: um executivo de uma rede pequena do Sudão do Sul, por exemplo, pensaria duas vezes ao tentar comprar a transmissão do Miss Universo para seu país – normalmente, os direitos de transmissão do certame são intermediados às emissoras com as coordenações nacionais (exceto nos casos de TV por assinatura, cujos direitos são negociados diretamente com a MUO).
Noutra ponta, a Caracol TV da Colômbia leva uma larga vantgaem sobre a RCN nas renovações multianuais do Miss Universo. Tem preferência contratual, tal qual a Globo no futebol de merda de várzea brasileiro. Em dois extremos, a Miss Universe Organization trabalha com dois pesos e duas medidas nas vendas dos direitos televisivos internacionais do Miss Universo. Até 2010, dava ao Brasil um tratamento marginal, proporcionado pela negociata entre a Globo e a ex-funcionária do SBT, Marlene Brito que escondeu o Miss Universo da opinião pública por longos 14 anos. Os direitos de transmissão do Miss Universo para o Brasil eram escondidos pela Globo para não serem vendidos a ninguèm. Nem à TV Educativa (pertencente ao Ministério da Educação) tampouco à RedeVida (ligada à Igreja Católica) ou à Rede Record (comprada em 1989 por pastores da Igreja Universal do Reino de Deus junto aos grupos Sílvio Santos e Machado de Carvalho, estes últimos donos também da rádio Jovem Pan, abrigo de Elliots Stabler da direita reacionária paulista como Joseval Peixoto – agora empregado do SBT – e o escritor paraibano José Nêumane Pinto direto ao assunto). Quando estes eram vendidos a alguma emissora, (caso do SBT, em 1998) valiam cinco vezes menos o que a CBS cobrava da Caracol TV da Colômbia, ou dez vezes menos o que era cobrado da Venevisión da Venezuela. Para não dizer outra coisa. Quando a Globo repassou o Miss Universo(*) à Band em 2003 (tal qual faz hoje com os campeonatos de futebol da FIFA, UEFA e CBF), os direitos de TV aberta do concurso para o Brasil valiam menos de um terço do que a Gulf + Western (então dona da Paramount) cobrava do SBT entre 1981 e 1989. Ou seja, dez vezes mais do que era cobrado da Venevisión, que só levou vantagem da nossa desgraça (que perdura até hoje).
Com a freada nos concursos nacionais ordenada por Trump, saem perdendo Haiti, Gana e outros 27 países e territórios, obrigados a ver o Miss Universo 2012 pela gatonet da Dish Network americana, que faz negócios obscuros com a Globo para censurar o Don Draper, a pretexto de valorizar a bunda da Julian(n)a Paes em um remake sensacionalista de Gabriela, aparentemente saído da mente de um ex-editor do Aqui Agora no SBT (Pergunte para o espôso da Patrícia Poeta que êle sabe bem o caminho das pedras – e das pedradas).

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Concursos de beleza, Força da Grana, Poderes ocultos, Podres poderes, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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