Indefinição sobre sede do Miss Universo(*) 2012 faz Donald Trump dar calote nas coordenações nacionais


Miss Universe Organization estaria lesando franqueados em cerca de US$ 780 milhões; representante brasileira do concurso, a Enter, já contabiliza prejuízo de US$ 23 milhões com o impasse

Da redação TV em Análise

Márcio Tadeu/Band/Divulgação

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Nas fotos, a prova do repasse dos direitos do Miss Brasil(*) e do Miss Universo(*) pela Globo à Band

A crise dentro da organização do concurso Miss Universo causada após a desistência de sete cidades para apresentar suas candidaturas para o concurso deste ano e a provável ida da sede da 61ª edição do evento para Nova York já começa a causar transtornos financeiros para alguns dos coordenadores nacionais do certame. Fontes independentes asseguraram ao Críticas que, pelo menos, 17 coordenações nacionais já acumulam prejuízos de, pelo menos, US$ 560 mil com o não-pagamento de franquias e de patrocínios para a realização de seus certames.
Entre as coordenações que esatriam sendo lesadas pela Miss Universe Organization e pela NBCUniversal, co-proprietárias do Miss Universo, estaria a brasileira Enter-Entertainment Experience, braço de eventos da Rede Bandeirantes, que, segundo especialistas, já estaria amargando um prejuízo de US$ 23 milhões (cerca de R$ 36 milhões) com o jogo de empurra para obstruir a divulgação de informações acerca da escolha do Radio City Music Hall, em Nova York, como sede da final do certame, no dia 3 de dezembro, antecipada com exclusividade por este TV em Análise Críticas.
Em países da América Central, como o Haiti, as dívidas da MUO estariam chegando à casa dos US$ 710 mil. Nesse caso, a credora seria a empresária portorriquenha Magali Febles, dona também de outras quatro franquias (Porto Rico, República Dominicana, Suriname e Bolívia). Segundo fontes, Febles também teria desembolsado US$ 387 mil junto à Telemundo pela renovação anual dos direitos da etapa do Miss Universo em Porto Rico.

O caso da Enter

Em setembro de 2011, a Enter alardeou aos quatro cantos que comprara os direitos de representação do Miss Universo para o Brasil junto à MUO e à NBC. Esqueceu de dizer que o negócio foi feito sob mediação da Rede Globo, a real detentora dos direitos dos concursos de misses no Brasil, tal qual ocorre no futebol.
Documentos obtidos com exclusividade pelo Críticas mostram que a negociação entre a Enter e a MUO foi conduzida por Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo, a quem Saad prestara um conselho após uma reunião com Donald Trump, em dezembro de 2010, em Nova York: “Não vá fundo nessa conversa de concurso de miss no Brasil porque nós (a Globo) preferimos mulher pelada na novela (das nove) do que essa gerigonça, esse lixo”. O teor da conversa foi retransmitido por interlocutores aos presidentes do Grupo Abril, Roberto Civita, e do Grupo Folha, Octavio Frias Filho. “Quero que essa Enter se exploda”, disse Otavinho a um diretor da NBCUniversal que estava em São Paulo fazendo a inspeção dos trabalhos de preparação do Miss Universo 2011 em vias públicas ao lado do prefeito Gilberto Kassab (PSD).
Preocupado com a concorrência do Miss Universo com os filmes da tela quente, Roberto Irineu teria dito ao presidente do Grupo Bandeirantes, João Carlos Saad, para “maneirar” na divulgação comercial do concurso junto a anunciantes nacionais. “Você está mexendo num vespeiro, não pode ficar roubando o anunciante do BBB, do futebol, do filme, para ficar promovendo esse espetáculo de incentivo à prostituilção feminina que é o Miss Brasil e os concursos regionais. Tem que parar com isso”. Ironicamente, Roberto Irineu é casado com a Miss São Paulo 1987, Karen Villen Baum, finalista do Miss Brasil do mesmo ano, promovido pelo SBT.
Assustado com o teor implosivo das conversas entre Roberto Irineu e Johnny Saad acerca de implicações midiáticas da realização do Miss Universo 2011 no Brasil, Civita pediu calma ao presidente das Organizações Globo: “Eu já coloquei ao menos umas cinco ou seis misses Brasil na capa da Playboy (risos)… Dá para amaciar um pouco a relação de vocês (Rede Globo) com a Band (por causa do futebol e das misses)?”, disse o editor da Veja, assustado com o teor cabeludo das conversas entre os executivos da Globo e da Band acerca da realização do concurso em São Paulo e, ainda mais, na hora de maior audiência da programação de filmes da Globo.
Irritados, diretores da NBCUniversal e da MUO mandaram Roberto Irineu Marinho calar a boca na mesma hora. Shawn McClain, diretora de negócios da MUO, ligou para a Globo na manhã de 14 de março de 2011 e mandou o seguinte recado ao filho de Roberto Marinho: “Pare já essas provocações ao Johnny (Saad) da Bandeirantes sobre horário de concurso no Brasil. Quem determina a hora de exibição do Miss Universo não é a Globo e sim a NBC”, alertou. Acostumada a determinar a hora do jogo e até mesmo a hora do combate à criminalidade nos morros cariocas, a Globo perdeu a parada desta vez. Sem poder interferir no horário do Miss Universo para que pudesse exibir sua Fina Estampa até às 22h20, a Globo teve de se enquadrar nas ordens de Robert Greenblatt, recém-nomeado presidente de entretenimento da NBC. “O que vocês querem? Que a gente venda a parte de vocês do Universal Channel para a FOX? Quem vocês (Globo) pensam que são?”, disse Greenblatt, bastante furioso, a Roberto Irineu, numa feira de formatos televisivos em Los Angeles.
Procuradas, as direções da Enter, da Abril, da Folha e da Globo não quiseram se manifestar.

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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