Eu, Reinaldo Azevedo, 50 anos, drogado e prostituído (pelo Grupo Abril, que publica a Veja)


A Veja está desnorteada

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Reprodução

Salafrário, mentiroso, desesperado e dissimulado. Esses são os adjetivos que melhor definem as atitudes grosseiras do pseudo-jornalista Reinaldo Azevedo, cabedal da revista Veja, para atacar a excelente reportagem do Domingo Espetacular que desnudou o esquema de prostituição editorial envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o repórter Policarpo Junior, da sucursal de Brasília. Em dois posts e dois dias seguidos, Azevedo arruina seu diploma da PUC de São Paulo para associar o dono do Grupo Record, Edir Macedo a Karl Marx, Charlie Sheen, às Kardashians, ao Febeapá, etc.
Traduzindo: a Veja interessa apenas assassinar a cultura nacional (que não seja a da Globo e de seus asseclas – Band, Gaeta Promoções e Eventos, UDR, etc.). De todas as formas. A alusão ao título do filme Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada e Prostituída não é à toa. E vem em boa hora: dias atrás, ocorreu no Clube dos Diários de Teresina uma exibição importantíssima da película.
O primeiro chilique de Azevedo, publicado ontem, rendeu um convite da The CW para roteirizar os capítulos restantes de Hart of Dixie, sabendo que a trama da médica vivida por Rachel Bilson já está na faca para ser cancelada. A pancada da Record em Policarpo e Robert Goren-Civita está aqui.
A patologia de desespero de Azevedo, continuada hoje, reflete bem o drama financeiro do Grupo Abril, que teve de vender parte de seu controle, em 2006, para o grupo sul-africano de mídia Naspers, que apoiou abertamente o regime de segregação racial que manteve o líder Nelson Mandela na cadeia por 27 anos. Desde a fralda, Veja e a Rede Globo são carne e unha uma da outra. Trocam favores editoriais como se fossem carícias narradas numa cançãozinha chata do Roberto Carlos, num de seus especiais idem de fim-de-ano. A ditadura acabou e Azevedo ainda não se percebeu disso. Está com a mentalidade parada em 1978 (quando saiu o livro) e em 1981 (quando foi lançado o filme alemão que motivou a redação deste texto, para dar uma pancada nas idiotices de Uncle Rei – não uso Tio Rei porque esse termo me soa como ofensa).
A doença mental de Azevedo é melhor explicada pelo blogueiro do R7, Marco Antônio Araújo, com quem deixo a última pensata da noite (amanhã, mais informações sobre as novidades da temporada 2012-2013 na tevê aberta americana). Na sequência, o editorial do jornal paraibano A União, publicado em 1993, que narra o drama do jornal O Norte (serve também para a agonia de Veja e da Abril). Boa leitura!

O desespero de Civita

Dizem que a melhor defesa é o ataque. E quando não há defesa? A revista Veja responde: o ataque gratuito.
Ontem, quase 24 horas após a veiculação das denúncias contra a revista levadas ao ar pelo Domingo Espetacular, da Record, o senhor Roberto Civita (dono, patrão e responsável por Veja) usou sua caneta de aluguel e publicou em um bloguinho do site oficial da publicação uma série de ataques gratuitos, grosseiros e infantis contra o empresário Edir Macedo e a Record.
No lugar de explicar as acusações contra seu jornalista Policarpo Júnior – o homem de Cachoeira na Veja -, Civita partiu para cima de quem o denunciou.
As ligações telefônicas suspeitas, registradas pela Polícia Federal e mostradas pela Record, entre o jornalista e a quadrilha montada pelo bicheiro, não tiveram como origem ou destino qualquer celular da Record, como você pode ler aqui.
Há tempos a Veja deixou de ser uma revista para virar um panfleto. Não é preciso ser jornalista para saber disso, mas a explicação dada pela cúpula da “publicação” de que “ter uma fonte corrupta não torna o jornalista corrupto” é digna de estudo psicológico.
De fato não torna, desde que a ligação entre a fonte e o jornalista não gerasse cinco capas com denúncias “embasadas” em interesses de bandidos.
Quem diz isso não sou eu, basta contar as capas e constatar. Notícia plantada (inventada) ganhou destaque em Veja. E se não houvesse essa denúncia? Quantas mais viriam? Será que Cachoeira e seus comparsas fizeram tantas denúncias somente porque desejavam o bem do Brasil?
A escuta da Justiça mostra que apenas a ponta do podre iceberg que sustentava as operações dos Civita deu as caras.
São duzentas ligações (isso mesmo: duzentas!!) entre Policarpo e o criminoso registradas pela Polícia Federal. Vem muito mais por aí e a Editora Abril sabe disso, assim como seu dono. Por isso o desespero. Pelo teor da raiva, imagino como a Veja deve atacar a Record nas páginas panfletadas de sua revista.
Não é batendo em Edir Macedo ou na Record que se resolve a questão, meu caro Civita. É dando a cara para bater. A sua, a de Policarpo e de quem mais estiver envolvido nesta sujeira. É passando a limpo a sua revista”.

O NORTE DESNORTEADO

A Paraíba é hoje realmente um Estado envergonhado.
Uma de suas tradições mais caras, o jornalismo, porta de entrada no mundo das letras para José Américo e José Lins, entre outros, se vê hoje em O Norte reduzido ao pasquim, ao boletim injurioso, ao instrumento de chantagem, de porta-voz dos interesses pessoais mais espúrios.
A Paraíba, entretanto, tem Governo. Governo e vergonha. Um Governo que não envergonha os paraibanos e nem tem vergonha de vir às ruas quando a honra e a credibilidade de sua administração são postas em xeque (…).
Não cabe indignação a quem não tem dignidade. A Paraíba assiste repetidamente as agressões de O Norte a pessoas e instituições sempre que seus interesses ocultos são contrariados. Não são poucas as vítimas da injúria e da calúnia, armas freqüentes desse jornal tão logo escasseiem as verbas ou aos primeiros sinais de que o Governo vai mudar.
Ninguém como ele sabe saltar da situação para a mais ferrenha oposição ou bandear-se de malas e bagagens, muito mais de malas, para o lado dos novos ocupantes do poder. Desprovido de memória O Norte que ataca é o mesmo que defende ao sabor das flutuações da nova moeda (…).
Ronaldo e a Paraíba não se renderam à batuta de O Norte.
Isso foi o bastante para que o jornal e seus dirigentes, que em momento algum souberam ganhar seu sustento como empresários, porque lhes falta competência e lisura, partissem para uma campanha ferrenha de acusações e mentiras.
A taça esgotou.
O Governo e a Paraíba têm vergonha.
A vergonha que não tiveram os dirigentes de O Norte de usarem firmas fantasmas para fugirem da ação do fisco.
As provas aí estão, claras, palpáveis, de como O Norte, o defensor do dinheiro público, escondia e manipulava esse mesmo dinheiro, o dinheiro dos impostos, o dinheiro do povo, o dinheiro com que resgatar a Paraíba da miséria em que foi deixada (…).
O Governo não precisou das 24 horas que O Norte lhe arbitrou.
O Governo não precisa de nem um minuto daqueles que gastam suas horas para tecer intrigas e forjar escândalos.
O Governo precisa de todo seu tempo para recuperar a Paraíba, que agora sabe mais do que nunca onde encontrar os canalhas”.

Jornal A União, edição de 15/5/1992. Texto apurado em 2003, durante a cobertura da CPI do Sistema Correio para a seção de Regional do Jornal Meio Norte

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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