Cartas dos leitores da imprensa globelezada, interessada em desnudar ex-BBB’s, esconder a sua condição de misses estaduais reinantes e instaurar a Inquisição moderna


Leitor do Jornal do Commércio do Recife (que escondeu a condição de Miss Pernambuco[***] da ex-competidora do Big Brother Brasil 9, Michelle Fernandes da Costa, para que esta mostrasse seios, pêlos pubianos, bunda e vagina na revista Playboy de março de 2009, em afronta ao regulamento da Miss Universe Organization) defende a turma do contra, dos 5% que reprovam a gestão Dilma Rousseff, incluindo detetives de CSI: NY, CSI: Miami e Law & Order: SVU, prestes a ficarem desempregados e bota desodorante no sovaco da imprensa monopolista, que atrasa o Brasil em cinco séculos

“A imprensa investigativa (da Globo e de seus asseclas – Band, PSDB, PPS, ANJ, Gaeta Promoções e Eventos, Editora Abril, Partido Republicano, Partido Nacional Socialista Alemão, Tea Party, TFP-J.E.L.) é quem está se tornando a real defensora dos interesses nacionais (dos Estados Unidos da América). A sociedade não está nem aí para os absurdos que são cometidos Brasil (Estados Unidos) afora. Reportagens (do Tribunal do Santo Ofício) mostram que deputados do Acre, Amapá e Maranhão deitam e rolam na gastança, mostrando como se usa o dinheiro público (para comprar jurados de concurso nacional de concurso de beleza). E ninguém vê isso (menos o Ryan Seacrest e seus 429 empregos), numa insofismável demonstração de que estão todos os três poderes neste barco (sic) onde a imoralidade impera (desde março de 2009)”

(Carta de Nilson Freitas, leitor do Jornal do Commercio do Recife, que demitiu arbitrariamente o colunista Alberto Dines, em 13/4/2012, intitulada “Isto é Brasil” [deveria se chamar “Isto é Alasca” ou “Isto é USA”, dada a sua mentalidade estreita-globelezada e colonizada[*]], publicada na edição de domingo, 29/4/2012, e adaptada por este Críticas)

Em resposta a ária de Freitas, telespectador das reporcagens raivosas, odiosas, sanguinárias e massacrantes do Chantástico(**), regada a música imbecil e sexista do Michel Telló, e de outras porcarias globelezadas, inclusive na grande imprensa suína-sulista, segue a máxima de Ricardo Kotscho:

“Concordo neste ponto com os colunistas da chamada grande imprensa: agora tem que investigar todo mundo, inclusive os bravos homens do “jornalismo investigativo” e seus honoráveis veículos”.

(Publicado por Kotscho em seu blog no R7, em 23 de abril)

J.R. Duran/Playboy/Reprodução

https://i1.wp.com/www.besteirol.info/wp-content/gallery/michelle-costa-bbb9-playboy/michele_costa_bbb9_pb-0002.jpg
Na foto, o limite da ética desrespeitado pelo então coordenador do Miss Pernambuco, Miguel Braga e uma aspirante fracassada a Vanessa Williams, Olivia Benson e Stella Bonasera do primetime global

Em resposta à mente estreita de Nilson Freitas, segue o artigo do Alberto Dines sobre sua excomunhão do JC, publicado no Observatório da Imprensa em 17 de abril. Leiam com atenção:

1593-2012
O Santo Ofício volta ao Recife

Como qualquer capitão da indústria, o dono de um jornal – ou seus prepostos – tem o direito de interromper a compra de artigos de um colunista. Afinal, os jornalistas são no Brasil majoritariamente PJ (pessoas jurídicas), meros vendedores de produtos e serviços. Portanto, sujeitos às leis do mercado e, sobretudo, aos humores, idiossincrasias e preconceitos daqueles que os adquirem.
Enquanto fornecedor de um “produto”, este observador não teria o direito de espernear se um eventual comprador de seus artigos interrompesse o fornecimento. Mas a anulação do contrato que mantinha com o Jornal do Commercio do Recife para o fornecimento de um texto semanal, aos fins de semana, adquiriu tamanha semelhança com um ato censório que omiti-la seria um desserviço aos leitores crentes no compromisso democrático dos jornais brasileiros.
Em 13 de março, este observador recebeu uma lacônica comunicação da administração do Sistema Jornal do Commercio informando que dentro de 30 dias se procederia ao “distrato”. Curiosamente, no início do ano o jornal havia determinado o reajuste anual dos vencimentos segundo os índices de inflação. O afastamento não tinha motivação econômica, as contas da empresa não poderiam ter-se deteriorado com tamanha velocidade.

Impressões digitais

Indagado, em e-mail posterior o diretor de Redação Ivanildo Sampaio informou que o último texto seria publicado no domingo, 15/4. Expert no assunto, o ex-colunista foi verificar o teor dos artigos publicados no primeiro trimestre: em janeiro-fevereiro gozara as costumeiras férias e, antes de ser “distratado”, só havia escrito dois textos. Em 25/2 tratara do pitoresco réveillon brasileiro sempre sincronizado ao tríduo momesco, texto absolutamente inofensivo. Mas em 3/3 o articulista cometera o desatino de comentar a indicação do devoto senador Marcelo Crivella para ocupar o Ministério da Pesca, relacionando-a com a declaração do secretário geral da Presidência da República de que o novo ministro ajudaria o governo no relacionamento com as igrejas. Impossível evitar as reflexões sobre o enganoso laicismo do Estado brasileiro. O “distrato” foi comunicado dois dias depois da publicação deste texto (ver “Moqueca à Crivella”, também publicado no Diário de S.Paulo).
Embora as evidências apontassem claramente para uma punição do tipo mordaça, não havia provas. Estas, porém, foram fornecidas pelo próprio Jornal do Commercio, desta vez contra aquele que seria o último artigo: um comentário sobre a histórica decisão do STF autorizando gestantes abortar no caso de fetos anencéfalos.
Todos os jornais da sexta-feira (13/4) comentaram “a histórica decisão” da suprema corte, a heresia do ex-colunista do JC/Recife foi explicar por que era histórica (ver abaixo).
Ivanildo Sampaio – ou quem determinou a truculência contra o seu colunista – prestou um enorme serviço à transparência do processo jornalístico brasileiro: tornou inconfundíveis as impressões digitais do retorno da Inquisição, 419 anos depois da chegada do Visitador do Santo Ofício ao Recife.

***

O nome da façanha é laicismo

A.D.

Impossível minimizar ou disfarçar a importância da decisão do Supremo Tribunal desta quinta-feira [12/4] dando à gestante o direito de solicitar a interrupção da gravidez quando o feto é anencéfalo. A corte admitiu mais uma circunstância em que o aborto é permitido. Movimento histórico, insofismável.
As alegações dos oito ministros que votaram a favor deste direito concedido à mulher desenvolveram-se em diferentes esferas – jurídica, médica, moral, espiritual e inclusive retórica. Ficou visível o empenho em evitar especulações sobre as implicações ideológicas, teológicas e institucionais da decisão. Mesmo os dois magistrados que votaram contra o direito esquivaram-se da questão fulcral: pela primeira vez na história do Brasil foram contestadas em tribunal as imposições da Igreja Católica (agora associada às outras confissões cristãs).
As exceções ficaram por conta do debochador-mor, o ministro Gilmar Mendes, referindo-se aos “faniquitos dos anticlericais” quando protestou contra a proibição imposta aos advogados da CNBB de se manifestar na tribuna. Secundado pelo conservador Celso de Melo, que advertiu ingenuamente para não se converter aquela controvérsia jurídica numa disputa Igreja-Estado.
A CNBB tirou da clandestinidade a questão chave, a “ingerência da religião no Estado laico” justamente ao tentar desmenti-la. O laicismo da República Federativa do Brasil é fingido, cosmético. A concordata entre o Estado brasileiro e o Vaticano orquestrada pelo presidente Lula à revelia do conhecimento público é prova disso. A concessão de dezenas de emissoras de rádio e TV a entidades assumidamente religiosas é outra demonstração do nosso secularismo enganoso.
O laicismo francês é orgânico, inseparável da fé republicana. Na simbologia institucional americana abundam referências religiosas: o papel moeda ostenta o moto “In God We Trust”, Confiamos em Deus, na solenidade de posse os presidentes fazem o juramento com a mão na Bíblia e, no entanto, anexado à Constituição dos EUA está um conjunto de dez emendas pétreas, simples e contundentes, nas quais se garantem os direitos fundamentais do cidadão. A primeira e mais famosa proíbe taxativamente o Congresso de criar uma religião oficial, impedir a liberdade de culto, ameaçar a liberdade de expressão, da imprensa e de reunião.
São laicismos diferenciados, mas efetivos, inquestionáveis. O nosso começou a ser implementado agora, 512 anos depois do Descobrimento, e mesmo assim precisará da máxima discrição para não gerar retaliações ou compensações deformadoras. A histórica decisão desta semana precisará ser camuflada ainda que o laicismo seja símbolo da tolerância, do humanismo, da modernidade. E da paz.
As principais zonas de guerra e conflito hoje se situam precisamente em regiões onde não existe a noção de secularismo e Estado de direito, a primavera árabe está resultando em novo surto de fundamentalismo político-religioso. Israel, criado a despeito do messianismo dos ortodoxos, caminha rapidamente para tornar-se um Estado teocrático.
O Brasil avançou e não deve envergonhar-se do avanço. O laicismo não é antirreligioso, ao contrário, devolve a religião ao plano espiritual. De onde jamais deveria ter saído.

(*)Convém lembrar que colona não tem nada a ver com cólon da Gyselle Soares. Tratam-se de colonistas que, na visão de Paulo Henrique Amorim, “…tratam o Brasil da perspectiva do que imaginam que a Metrópole imaginaria o Brasil. No caso específico de Gaspari, ele trata o Brasil da perspectiva do que imagina que os professores de Harvard pensariam do Brasil e dele…”. Para o Críticas, tratam-se de colonistas sociais que tratam o Brasil como um combinado de Venezuela em termos missológicos com um Sudão em termos econômicos, sociais, de infra-estrutura (vide a campanha que a Globo e a Band fazem contra a Copa de 2014 e as Olimpíadas de Verão de 2016 por causa dos aeroportos) e de educação. Mais: tratam-se de colonistas sociais, calunistas de sites de celebridades, de jornais facistóides e de revistas de entretenimento que jamais reconhecerão Haley Reinhart, James Durbin, Scotty McCreery e Lauren Alaina, finalistas do American Idol em 2011, como promessas da indústria fonográfica. Preferem a Paula Fernandes, o Neymar, o Elano, o Luan Santana, a Nayla Micherif, a Mariana Rios, namorada do Di do NXZero e a Giovanna Lancelotti, namorada do Pê Lanza do Restart, ambas empregadas da Rede Globo, à Pia Toscano, ao Paul MacDonald, ao Ruben Studdard, à Lindsey Vonn, ao Johnny Weir, ao Clay Aiken, ao Francis Lopes, ao saudoso Raimundo Soldado, ao Israel Lucero, ao LeeDewyze, ao Goffredo da Silva Telles Jr., autor da Carta aos Brasileiros de 1977, à Sarah Michelle Gellar….
(**)Combinação da chantagem jornalística do padrão global para dar Ibope e vender jornal e revista com a estética ultrapassada e retrógada do Fantástico, capenga na audiência
(***)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Ética jornalística, Globelezação, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Podres poderes e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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