Assunto da semana: o circo dos horrores do prefeito Tom Kane


Atuação de Kelsey Grammer em Boss ultrapassa o limite da arte

Divulgação/Lionsgate Television/Starz

BOSS (Starz) Listen Episode 1 (8)
Na foto, o prefeito de Sucupira, em seu gabinete

Mais complexa que a mais complexa das adaptações de Shakespeare para a TV aberta (inclusive teleteatros), Boss (TNT, 5ª, 22h) rompe o cordão umbilical do drama político americano, ainda mais às portas de uma eleição presidencial importantíssima. Renovada para uma segunda temporada, a produção do canal pago Starz impressiona não pelo discurso, nem pela diversão. Mas por sua crueza.
Coproduzida por Kelsey Grammer, o Frasier das reprises matinais, e pelo diretor Gus Van Sant (indicado ao Oscar por Milk e responsável pelo controverso Elefante), Boss quebra as barreiras convencionais da ficção política ao dar mais morbidez e peso à doença mental degenerativa do prefeito de Chicago, Tom Kane (papel que deu a Grammer seu terceiro Globo de Ouro, o primeiro na área de drama). Deixa Odorico Paraguassu no tamanco.
Comparação/metáfora com a novela/série/filme O Bem Amado (não interessa a época), Boss põe Grammer como uma espécie de Odorico casca-grossa na melhor acepção sensacionalista, apelativa e de desgraça alheia que Van Sant sabe fazer. Transpõe toda a pauta do A Tarde é Sua para um enredo digno de receber indicação ao Primetime Emmy de melhor ator em drama. Grammer vence neste ponto.
Fato é que Boss convence na função não de replicar o enredo da novela das nove e sim de dar uma dimensão mais dramática, pastosa e densa aos dramas pessoais de diagnóstico médico. Fato é que, com Boss, Grammer, 57, a despeito dos problemas pessoais, prova que a atuação é maior que a vida. A vida da gente cada vez mais infernizada por tramas de lixão e futebol de quinta categoria. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (6/5)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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