A ratoeira do Miss Universo(*) nas mãos da Band


Vale quanto NÃO pesa

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/Twitter

Minotauro e Minotouro na fisioterapia (Foto: Reprodução / Twitter)
Na foto, duas das três espinhas dorsais do jornalismo da Globo: não saiu no jn, não é notícia. E o Miss Universo(*) da Band se enquadra nessa categoria, segundo o finado senador ACM

Ainda não chegou aos olvidos da grande imprensa o anúncio de que a Band renovou os direitos de transmissão do Miss Universo em TV aberta no Brasil até 2015. Nem a site nenhum. Nas mãos de pelica do colonista(**) Nelito Marques, sempre ele, uma nota elogiosa a João Carlos (aka Johnny) Saad (pronúncia usada pela Natalie Morales no Miss Universo do ano passado) dá a pista, mas não dá nome aos bois. Por exemplo: desde janeiro de 2011, o Piauí não possui afiliada da Band (para torcer pelas representantes do Estado no Miss Brasil, só em parabólicas ou serviços de TV paga via satélite). Esse seria o caso mais importante para Nelito, coordenador do Miss Piauí(*) tratar. Não dar de bandeja seu concurso à afiliada do SBT, que não é mais a casa da sogra.
Transcrição da nota da colona(**) Vogue, do DP de hoje:

“João Carlos Saad trabalhando para colocar a Rede Band entre as grandes audiências do país, apóstando no programa Pânico na TV, bem como o campeonato de Fórmula Indy. Para completar, ele adquiriu a franquia do Miss Universo(*) no Brasil até 2015, ano em que será realizado, pela segunda vez, o Miss Universo(*) no país.”

Ora, Nelito! Até o reino mineral de Michael C. Hall sabe que a Rede Globo comprou, em 1990, numa operação suspeita que envolveu a tentativa fracassada de contratação da Miss Brasil 1989, Flávia Cavalcante, para atuar na novela Meu Bem Meu Mal (no fim, perderia o papel para a Luma de Oliveira). Senão vejamos:

1-A Globo pagou cerca de US$ 54 milhões à Miss Universe Inc. para limar, em dois atos, o concurso de Miss Universo da mídia brasileira. O concurso não foi “esquecido”, como sugerem alguns idiotas aspirantes a Blake Shelton do The Voice globelezado. Pelo contrário: foi escondido de forma acintosa até que, em 1995, a repórter Glória Maria furou o bloqueio dos filhos do Roberto Marinho e fez uma pauta séria para o Chantástico(***), digna do pior fel jornalístico saído do tutano do finado Jorge Andrade, à época de Os Ossos do Barão (não confundir com a série policial norte-americana Bones, repassada de bandeja à Band em 2010, tal qual os concursos de misses, como explicaremos mais adiante);

2-A bem da verdade, a Band não tem mais que o quarto lugar nacional de audiência, perdendo para Globo, Record e SBT, nesta ordem. Até a menininha asiática do Modern Family sabe disso (assim como os executivos do Ibope);

3-Duas coisas: Nelito Narques promove o Miss Piauí desde 1991, e desde então sempre esteve agasalhado no couro do ex-monopólio da TV Clube (afiliada local da Globo). E se valeu dessa condição para ajudar a Globo a esconder os concursos de misses na fábula do “escândalo da parabólica”, que deve render uma série de TV, criada pelos mesmos produtores de Lost e Once Upon A Time, ambas da ABC. Desde 2008, por concessão da Clube, mantém um acordo de transmissão do certame com a TV Cidade Verde (ex-Pioneira e afiliada do SBT, ex-Band). Detalhe: a própria Cidade Verde, na época da afiliação da Band, retransmitiu o Miss Mundo Brasil 1991 de concurso nacional e só;

4-Aqui está o unheiro: em 1996, a Globo repassou à Rede Record os direitos de exibição do Miss Brasil, jamais usufuídos. Na choldra, a Singa Brasil usou acordos locais de fachada para destilar ainda mais a ocultação do Miss Universo de todas as mídias, inclusive da Internet emergente. Fez essa prática em 1997 e 1998. Com a gaeta(****) no jogo, em 1999, a rede da famíglia Marinho só teve a lucrar com a censura de mercado ao Miss Universo. Isso, apesar de duas semifinalistas (Leila Schuster, em 1993, e Michela Marchi, em 1998) e investimentos jogados fora devido à sanha dos donos da Globo;

5-Aos fatos: em 2003, a Rede Globo tomou da Rede TV! os direitos de exibição do Miss Brasil e os repassou à Band a preço de banana. Como faz hoje com o futebol de Bósnia do Neymar. O basquete. O vôlei. Para não citarmos outros esportes. A gaeta(****) amelahou nessa operação sinistra cerca de R$ 21 milhões, investidos ao longo de cinco anos. Em junho de 2007, no calor do vice-campeonato da Natália Guimarães, a Band renovou o repasse junto à Globo e a gaeta(****) por cerca de R$ 32 milhões, que seriam investidos ao longo de quatro anos consecutivos. O contrato da Band com a gaeta(****) acabou no Miss Brasil(*) 2011 e não foi renovado devido à explosão do peitogate da Priscila Machado.

Com a Band operando sozinha, na teoria, o concurso de Miss Universo(*) para o Brasil, fica um enorme buraco financeiro a ser coberto até 2015, estimado em R$ 52 milhões, já contando os R$ 25 milhões perdidos pela casa com o Miss Universo 2011. Balela: o Miss Universo(*) pertence à Globo, mas seus direitos de organização e representação no Brasil foram repassados à Band pela quantia já citada (R$ 52 milhões, a serem investidos em quatro edições consecutivas). Para a Enter organizar o Miss Universo 2015, a empresa de eventos da Band teria de pagar US$ 87 milhões adiantados à Miss Universe Organization. Ou dá ou desce.
Minotauro, Minotouro do UFC e o falecido senador baiano Antônio Carlos Magalhães estão cansados de saber que não deu no jornal nacional não é notícia. Por exemplo: o segundo lugar da Natália Guimarães no Miss Universo 2007 não foi notícia nos telejornais da Globo porque o que interessava à Globo naquele maio de 2007 era colocar ex-participantes do Big Brother Brasil peladas na Playboy, editada pelo Grupo Abril, que tem como sócio a sul-africana Naspers (que apoiou o regime de segereção racial que manteve Mandela 27 anos preso). Entre os dias 12 e 13 de setembro, a Globo escondeu os resultados do Miss Universo 2011 (mesmo se a Priscila Machado tivesse vencido, esconderia da mesma forma) em favor do denuncismo contra o então ministro Fernando Haddad por causa do Enem.
Para uma emissora que registra 1, 2 pontos com reprise do Jack Bauer e tem altos com CQC, Datena, futebol de esterco e Pânico (repasse da Rede TV!), dar audiência a um concurso agonizante como o Miss Universo é a mesma tarefa que botar mulher pelada no moribundo TV Folha, espaço arrendado pela Folha(*****) de S. Paulo na TV Cultura, pertencente ao Governo do Estado de São Paulo.

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)
(**)Convém lembrar que colona não tem nada a ver com cólon da Gyselle Soares. Tratam-se de colonistas que, na visão de Paulo Henrique Amorim, “…tratam o Brasil da perspectiva do que imaginam que a Metrópole imaginaria o Brasil. No caso específico de Gaspari, ele trata o Brasil da perspectiva do que imagina que os professores de Harvard pensariam do Brasil e dele…”. Para o Críticas, tratam-se de colonistas sociais que tratam o Brasil como um combinado de Venezuela em termos missológicos com um Sudão em termos econômicos, sociais, de infra-estrutura (vide a campanha que a Globo e a Band fazem contra a Copa de 2014 e as Olimpíadas de Verão de 2016 por causa dos aeroportos) e de educação. Mais: tratam-se de colonistas sociais, calunistas de sites de celebridades, de jornais facistóides e de revistas de entretenimento que jamais reconhecerão Haley Reinhart, James Durbin, Scotty McCreery e Lauren Alaina, finalistas do American Idol em 2011, como promessas da indústria fonográfica. Preferem a Paula Fernandes, o Neymar, o Elano, o Luan Santana, a Nayla Micherif, a Mariana Rios, namorada do Di do NXZero e a Giovanna Lancelotti, namorada do Pê Lanza do Restart, ambas empregadas da Rede Globo, à Pia Toscano, ao Paul MacDonald, ao Ruben Studdard, à Lindsey Vonn, ao Johnny Weir, ao Clay Aiken, ao Francis Lopes, ao saudoso Raimundo Soldado, ao Israel Lucero, ao LeeDewyze, ao Goffredo da Silva Telles Jr., autor da Carta aos Brasileiros de 1977, à Sarah Michelle Gellar….
(***)Combinação da chantagem jornalística do padrão global para dar Ibope e vender jornal e revista com a estética ultrapassada e retrógada do Fantástico, capenga na audiência
(****)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses
(*****)Folha é o jornal que não se deve deixar a sua tataravó ler porque publica palavrões e mostra sem censura os seios, os pêlos pubianos, a vagina e a bunda da miss Pernambuco 2008, Michelle Fernandes da Costa, em revista masculina publicada a poucos dias de passar a faixa à sua sucessora, em março de 2009. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Cássio Cunha Lima DEPOIS de cassado e pergunta o que ele achou do processo no TSE, da ditabranda, do câncer de Fidel, da ficha falsa da Dilma, das mulheres-fruta, das ancas da cantora Jôsy, do ódio a piauienses encampado pelo Rafinha do Emocore, da Carla Perez lecionando “i” de iscola, da Rayanne Morais “eleita” Miss Brasil 2009 pelo site EGO, ligado à Globo (sócia da mesma Folha no jornal de negócios Valor Econômico), que vestiu FHC com o manto de “bom caráter”, porque levou dezoito anos para reconhecer um filho seu fora do casamento (com uma jornalista empregada da Globo), que mandou a Diane Sawyer da Globo News avacalhar o cantor itainopolense Frank Aguiar por causa de um filme e de uma entrevista sórdida com uma aspirante a aspirante a aspirante de celebridade paulista a uma aprendiz de Oprah do Primetime da Rede TV!, que publicou texto sórdido de um professor de comunicação da USP sobre o Miss Universo 2007, que ainda fala mal do Saulo Roston (vencedor do Ídolos 2009), que matou o senador paulista Romeu Tuma e depois o ressucitou, mandou a Mariska Hargitay falar mal do Piauí e a Tamara Tunie, o Ice-T e o Christopher Meloni bancarem o Sérgio Ricardo quebrando o violão no Festival da Record de 1967 em Law & Order: Special Victims Unit , deixou o elenco de Law & Order: Criminal Intent e o Robin Williams avacalharem o Brasil em seriado da USA Network e programa de entrevista da CBS, é o que é porque o dono é o que é e que, quando a mineira Elaine Parreira Guimarães ficou em quinto lugar no Miss Universo 1971, emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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Uma resposta para A ratoeira do Miss Universo(*) nas mãos da Band

  1. Ghaly named disse:

    Aff

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