A censura da Band aos coordenadores estaduais do Miss Brasil(*)


Fora Nelito Marques


João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução

Na foto, o certificado de credenciamento de um coordenador estadual do Miss Universo Brasil(*)

Foi realizada na última segunda-feira (9), em São Paulo, a reunião secreta da Band com os 14 coordenadores estaduais já credenciados para dirigirem o concurso Miss Universo Brasil a partir deste ano. Entre os jornalistas que acumulam funções de coordenadores de seus respectivos concursos (caso do piauiense Nelito Marques), uma ordem: nada de divulgar detalhes do encontro em suas colunas impressas. A Enter, empresa responável pelo certame, quer evitar vazamento de informações para a grande imprensa.
Antes marcada para a terça-feira (10), a reunião foi antecipada de sopetão pela Band para que nenhum detalhe passasse para os órgãos de imprensa. Entre as restrições já propostas estão: a proibição de acumulação de franquias num mesmo Estado – quem dirige o Miss Piauí, por exemplo, não pode ter representação do Miss Mundo, Miss Beleza Internacional ou qualquer outro certame. Deve atender apenas à cartilha ditada pela Miss Universe Organization, em Nova York. É o mesmo modus operandi que era adotado pelo SBT nos anos 1980. Só que com toques mais profissionais e sem a mão do dono da emissora no meio.
Das 27 coordenações estaduais que trabalharam para o Miss Brasil Universo 2011, 13 tiveram seu acesso negado para trabalhar com a Enter. Das 14 coordenações que restaram, apenas duas (Piauí e Ceará) continuarão trabalhando para a Gaeta Promoções e Eventos em concursos menores e de nenhuma repercussão. O fato é que a Band ficou com a parte do Miss Brasil correlata ao Miss Universo e só. As versões do Miss Brasil para o Miss Beleza Internacional e Miss Continente Americano que se lasquem: para este ano, a Gaeta já acumula uma dívida de R$ 655 mil (já contabilizando o que deve à Locaweb, que tirou do ar o site Miss Brasil Oficial em fevereiro último).
Entre as coordenações barradas pela Enter está a do concurso Miss Pernambuco, conhecida em 2009 pelo escândalo das fotos de nudez da então detentora do título de 2008, Michelle Fernandes da Costa, para a revista Playboy, pertencente ao Grupo Abril (que tem como sócio o grupo sul-africano Naspers, que apoiou o regime de segregação racial que manteve Nelson Mandela na cadeia por 27 anos). Para a Enter, Miguel Braga agora é visto como persona non grata, ou seja, que vá catar coquinhos na Praia dos Carneiros, num desses resorts internacionais de altíssimo padrão. À época, Michelle (então estudante de Direito) posara para a Playboy na condição de ex-competidora do Big Brother Brasil 9, exibido pela Rede Globo (que cede os direitos do Miss Brasil[*] à Band a preço de banana). Ou seja, a Globo (e o ensemble cast, o conjunto de elenco da mídia nativa direitista, reacionária e conservadora) escondeu que Michelle ainda era Miss Pernambuco quando estava negociando com a Playboy e depois assinou para posar nua, como veio ao mundo, mostrando seios, pelos pubianos, bunda e vagina, nas barbas do regulamento do Miss Universo (válido também para o Miss Brasil[*] então da gaeta[**] e para o próprio Miss PE).
***
A notícia da admissão de transsexuais nas etapas locais do Miss Universo pegou de surpresa muitos coordenadores estaduais que estiveram na reunião da Band, que trabalha com o regulamento de 1952 – o que vale, atualizado pela última vez em 1977. Pelas regras da época, competidoras como a canadense Jenna Talackova não passariam da porta. Auxuliada pela advogada de tabloides Gloria Alred (aquela que cuidou das soirées midiáticas das supostas amantes do golfista Tiger Woods e de outras idiotas midiáticas americanas de plantão), Tacklova foi admitida na etapa canadense do Miss Universo e deve disputar o título nacional no dia 19 de maio. Para a maioria dos coordenadores, concurso de Miss Brasil foi feito para admitir mulheres de nascença, não Robertas Close.

Frederic J. Brown/AFP/Getty Images/03.04.2012

Jenna Talackova (R) looks on at a press conference in Los Angeles with her attorney Gloria Allred (L) on April 3.
A advogada da Rachel Uchitel e uma competidora ao título de Miss Pernambuco(*), capa da Playboy em 2009 na condição de ex-BBB

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)
(**)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Globelezação, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Poderes ocultos, Podres poderes, Projetos especiais e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para A censura da Band aos coordenadores estaduais do Miss Brasil(*)

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