A Record não falou de Ana Paula Valadão coisa nenhuma em novembro de 2011. O Domingo Espetacular não deu nome aos bois em nome do bom jornalismo


Matéria do R7 não fala em “cantora evangélica”, nem em “Globo” ou “Som Livre”; leiam o texto e vejam a matéria com atenção

Divulgação


Onde estava a cantora na reportagem da Record?

Publicado originalmente em 13/11/2011:

Fundador faz revelações sobre o polêmico
culto religioso conhecido como “cair no espírito”

Expostos a rituais perigosos, fiéis imitam cachorros e se comportam como bêbados

Do R7, com Domingo Espetacular

Conhecido como “cair no espírito”, o culto que atrai cada vez mais seguidores no Brasil e no mundo, chama a atenção por expor seus seguidores a rituais perigosos e intrigantes. Comandados por um líder religioso, os fiéis ficam imóveis, caem e se debatem, em transe, no chão; muitas vezes, todos ao mesmo tempo.
Em conversa exclusiva com a repórter Heloísa Vilela, do Domingo Espetacular (Record), um dos fundadores do movimento, Paul Gold, arrependido, revela que as práticas vão contra às Escrituras Sagradas.

– Em dois anos, cerca de dois milhões de pessoas do mundo todo visitavam a Igreja do Aeroporto de Toronto, pra receber esse espírito, essas manifestações e essa “bênção”. Hoje eu diria que isso é uma coisa um tanto quanto macabra.

Paul conta com detalhes como surgiu o movimento. Ele comandava as orações e os rituais do ‘cai-cai’. Era um dos principais nomes da igreja, mas durante um culto, percebeu que existia algo de errado naquilo tudo. Ele conta que as pessoas imitavam cachorros e comportavam-se como bêbados.

– Hoje eu acredito que esse espírito é um espírito falso, um espírito enganador e não o espírito sagrado das Escrituras.

Gold diz que estava em transe quando veio um pensamento de que aquilo era errado.

– Na mesma hora, meu coração se convenceu e na mesma hora eu pedi ao Senhor Jesus para me perdoar, por ter sido tão tolo, tão ridículo.

Gold decidiu então se desligar da igreja e escreveu uma carta que afirma “o diabo usa o ‘cair no espírito’ para cegar as pessoas, o movimento viola as Escrituras Sagradas”. O pastor acabou ficando doente. Foi então que percebeu o quanto havia se enganado.

– O Espírito Santo, o próprio nome já diz, é santo. Ele nunca vai encorajar as pessoas a fazer algo que não seja sagrado. As pessoas, a humanidade foi feita à imagem de Deus, por que Deus depreciaria a humanidade fazendo as pessoas parecerem animais?

À repórter Heloisa Vilela, o fundador do movimento do ‘cai-cai’ mandou um recado aos brasileiros.

– Por favor, pastores, não adotem isso. Não pensem que é uma coisa boa. Isso não é de Deus. Isso é um esquema do diabo. E isso vai trazer destruição aos homens, mulheres e crianças que abraçarem isso.

Para o neurologista Marcelo Sogabe, existe uma explicação médica para as quedas em série.

– Isso é dado o nome técnico de pareidolia, que por algum motivo o cérebro é condicionado a reagir, conforme todos vão reagir. O cérebro precisa procurar imagens e quando as busca e vê todos caindo, ele também condiciona a pessoa, a fazê-lo.

Pessoas arrependidas

Na cidade de Araraquara (SP), Cecília Moura, evangélica há mais de trinta anos, participou durante quatro anos de cultos que adotavam o “cair no espírito”, mas percebeu que, durante as realizações dos cultos, algo estranho acontecia.

– A gente caia, ficava rindo, rolando no chão, mas aquilo me trouxe um questionamento em termos de resultado. O que aquilo trazia para a minha vida? Nada.

Desiludida, Cecília decidiu que era hora de abandonar o movimento.

– Há algo que tenho que fazer e há algo que eu tenho que fazer por mim. E com certeza não era caindo no chão e rindo que minha vida ia mudar.

Hoje, ela e o marido abominam tal prática e se diz curada das enganações impostas pelos pregadores.
Clemilda da Conceição também costumava cair na igreja. Ela buscava conforto depois de uma separação traumática. Ela buscava conforto na igreja, mas não entendia e nem gostava da sensação.

– Eu não conseguia entender, porque o que eu buscava não era cair. Eu buscava o Espírito Santo, eu buscava mudanças. Eu caí, mas nada mudou. Eu não tinha os dons do Espírito que a Bíblia fala que você tem que ter. E perceber isso, foi importante para me libertar”.

Da redação TV em Análise

Veja a reportagem abaixo e preste atenção: não há uma menção (em um único centésimo de segundo sequer) a Ana Paula Valadão, nem a seu pai pastor, à Rêde Globo ou sua gravadora, a Som Livre (como certa imprensa hegemônica – iG, Estadão, UOL[*], et caterva – chegou a sugerir). Veja com bastante atenção o exercício de jornalismo, feito por Afonso Mônaco e Heloísa Villella, a partir de investigações jornalísticas feitas no Brasil e no Canadá:

Minuto 20:41: “Num congresso internacional, realizado em Lagoinha, um bairro de Belo Horizonte”, narra Mônaco, que fala em “uma cantora gospel”, “o pai dela” e “um grupo musical”. Afonso Mônaco, que já foi repórter do Fantástico (quando ainda não se chamava Chantástico[***]), não deu os nomes por respeito à sua ética profissional. “Aqui, uma cantora gospel participa de um congresso internacional”. Só isso e já partiram para a gritaria nos sites sustentados e amamentados pelo monopólio da Globo e seus esgotos impressos (noves fora os parceiros regionais e empresas-satélite – caso da TV Diário, que promove o concurso de Miss Ceará[****], cujos direitos lhe são repassados pela TV Verdes Mares, afiliada da Globo em Fortaleza).
“Repare que o pastor não toca na cantora”, sustenta Mônaco, 56, que foi agredido pelo então pré-candidato tucano à Presidência da Repúiblica José Serra ao questioná-lo sobre a invasão de um terreno público pela Globo durante 11 anos, contíguo à sua sede paulistana na região da Berrini. “O pai dela também é surpreendido”, finaliza.
A mesma coisa acontece em outra gravação mostrada pelo show. Onde estavam os nomes? Só se estivrem nas cabeças do Flávio Ric(c)o, do Fernando Oliveira e de outros paga-paus da Globo que fingem exercer jornalismo. E que são presenteados pela emissora carioca com tablets e outras bugigangas em troca de matérias simpáticas após os upfronts anuais (como o recente, na casa de espetáculos paulistana Via Funchal).
Até o minuto 22:52 fica a pergunta: alguma vez o Domingo Espetacular falou em Ana Paula Valadão, Rêde Globo, pastor Márcio Valadão ou gravadora Som Livre? Não. Basta perguntar para o Steven Tyler, o padeiro da esquina, a Dana Delany – a legista Megan Hunt do Body of Proof que vai passar depois do jornal sensacionalista-alarmista da globo do William Waack e da Chris Pelajo, ao Elson do Forrogode, à Courtney Love, à Kendall Jenner, à Kylie Jenner, ao professor de matemática de ambas, ao instrutor de direção da Kendall Jenner no Detran da Califórnia, ao Rubinho Barrichello, ao maquiador da Kim Kardashian, ao porteiro da sede carioca da Petrobras (que iria ser vendida à Chevron no [des]governo FHC), ao Juca Kfouri, ao Márcio Guedes, à Paula Abdul, à Maria Bethania…

(*)Combinação da chantagem jornalística do padrão global para dar Ibope e vender jornal e revista com a estética ultrapassada e retrógada do Fantástico, capenga na audiência
(**)UOL é o braço de Internet do Grupo Folha(***) em associação com a Abril-Naspers, que, quando governou a África do Sul, apoiou o regime de apartheid que manteve Nelson Mandela na cadeia por 27 anos. E, durante os 15 anos de governos tucanos em São Paulo, ofereceu assinaturas de suas revistas sem licitação (inclusive livros pornográficos e revistas de mulher pelada) às escolas públicas do Estado.
(***)Folha é o jornal que não se deve deixar a sua tataravó ler porque publica palavrões e mostra sem censura os seios, os pêlos pubianos, a vagina e a bunda da miss Pernambuco 2008, Michelle Fernandes da Costa, em revista masculina publicada a poucos dias de passar a faixa à sua sucessora, em março de 2009. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Cássio Cunha Lima DEPOIS de cassado e pergunta o que ele achou do processo no TSE, da ditabranda, do câncer de Fidel, da ficha falsa da Dilma, das mulheres-fruta, das ancas da cantora Jôsy, do ódio a piauienses encampado pelo Rafinha do Emocore, da Carla Perez lecionando “i” de iscola, da Rayanne Morais “eleita” Miss Brasil 2009 pelo site EGO, ligado à Globo (sócia da mesma Folha no jornal de negócios Valor Econômico), que vestiu FHC com o manto de “bom caráter”, porque levou dezoito anos para reconhecer um filho seu fora do casamento (com uma jornalista empregada da Globo), que mandou a Diane Sawyer da Globo News avacalhar o cantor itainopolense Frank Aguiar por causa de um filme e de uma entrevista sórdida com uma aspirante a aspirante a aspirante de celebridade paulista a uma aprendiz de Oprah do Primetime da Rede TV!, que publicou texto sórdido de um professor de comunicação da USP sobre o Miss Universo 2007, que ainda fala mal do Saulo Roston (vencedor do Ídolos 2009), que matou o senador paulista Romeu Tuma e depois o ressucitou, mandou a Mariska Hargitay falar mal do Piauí e a Tamara Tunie, o Ice-T e o Christopher Meloni bancarem o Sérgio Ricardo quebrando o violão no Festival da Record de 1967 em Law & Order: Special Victims Unit , deixou o elenco de Law & Order: Criminal Intent e o Robin Williams avacalharem o Brasil em seriado da USA Network e programa de entrevista da CBS, é o que é porque o dono é o que é e que, quando a mineira Elaine Parreira Guimarães ficou em quinto lugar no Miss Universo 1971, emprestava os carros de reportagem aos torturadores.
(***)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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