Começo de semana: Queda de braço entre Band e gaeta(*) pode enfraquecer nível de candidatas a Miss Brasil 2012. E ameaçar o concurso de cancelamento


Indo às vias de fato

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reuters/15.07.2007

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O elefante branco da direita é a ditadora mineira Nayla Micherif; os oponentes são diretores da Enter

Os bastidores na gaeta(*) promoções e eventos nas primeiras oito semanas de 2012 nunca ficaram tão tensos, principalmente depois que a empresa ameaçou entrar com uma ação judicial contra a Rede Bandeirantes pelo uso do nome Miss Brasil para a etapa brasileira do Miss Universo. Por precaução, a Enter, braço de eventos da Band, já mandou trocar o nome do concurso de Miss Brasil Oficial para Miss Universo Brasil.
Para agravar ainda mais o clima de tensão que existe entre o empresário Boanerges Gaeta Jr. e o diretor da Enter, Frederico Nogueira (representante da Band junto à Miss Universe Organization), nove concursos estaduais ligados à gaeta(*) tiveram negados os seus ingressos nos quadros do Miss Universo Brasil. São eles: Ceará, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba. Todos com irregularidades de documentação junto à MUO. O caso mais grave é o da empresa Book Eventos, sediada em Fortaleza, que realizou um concurso dito Miss Ceará à revelia da Enter e da MUO. Tanto é que a inscrição de Milena Ferrer, eleita no último dia 7, será negada para o Miss Universo Brasil 2012.

Tuno Vieira/Agência Diário

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Milena Ferrer: fora do Miss Brasil(**) 2012

Oficialmente, o nome Miss Brasil Oficial pertence à gaeta(*), apesar de a empresa não deter mais a representação do Miss Universo. Com o nome Miss Universo Brasil, na teoria, a Band se livra de uma artimanha jurídica ainda maior. E, por tabela, ejeta Nayla Micherif do posto de apresentadora perpétua do concurso, por ela exercido de 2002 a 2011. A ponto de se tornar uma versão tupiniquim e piorada de ditadores africanos como Muammar Gaddafi, Idi Amim Dada (retratado no cinema pelo oscarizado Forest Whitaker, de Criminal Minds: Suspect Behavior) Gamal Abdel Nasser e Hosni Mubarak. Com isso, dá mais oxigênio para Adriane Galisteu dividir o palco com um quadro da própria Band. E não com uma intrusa da esquina.
E razões para a Band expulsar Nayla Micherif existem de sobra. Ainda mais depois da contratação do elenco inteiro do Pânico na TV, nesta semana, incluindo seu apresentador, Emílio Surita. Surita, aliás, nem novato é na apresentação de concursos de beleza: já comandou a malfadada aventura da emissora com a entourage de Marlene Brito, indicada pela Globo para coordenar a transmissão do Miss Mundo Brasil 1991. Como até as cinzas do Andy Whitfield (de Spartacus) sabem, a Globo tomou os concursos de misses promovidos pelo SBT numa negociata que envolveu a possível renúncia de Flávia Cavalcante ao título de Miss Brasil 1989 em favor de um papel na novela Meu Bem Meu Mal. Resultado: Flávia perdeu a parada para a então gravidíssima Luma de Oliveira. E o SBT (e toda a mídia brasileira) ficou sem concurso de miss durante toda a década de 1990 e o começo dos anos 2000.

Se a guerra de bastidores entre a Enter e a gaeta(*) não chegar a lugar algum até o dia 15 de abril, o Brasil corre sério risco de ficar fora da edição 2012 do Miss Universo. Registre-se aqui que, de 27 Estados, apenas três (Piauí, Amazonas e Rio Grande do Sul) estão com as coordenações devidamente credenciadas junto à Enter. Nesta semana, Pará e Paraná fizeram esse número subir para cinco. Ainda assim, é um avanço muito tímido e fraco para um concurso que aspira a ser apenas uma etapa nacional do Miss Universo. Começaram o ano com o pé esquerdo.
Como consequência da masmorra de bastidores entre Enter e gaeta(*), várias das candidatas ao Miss Universo Brasil, entre as já eleitas e as que ainda serão eleitas, poderão ter suas avaliações prejudicadas na disputa do já combalido, agonizante e irrecuperável Miss Brasil (cuja versão, concebida pela Band-Enter corre risco de nem ser realizada este ano). Coisa que deve pesar contra nas suas avaliações para efeito de classificação entre as 16 semifinalistas do Miss Universo 2012. O que aconteceu no ano passado com Priscila Machado foi a contrariação da tendência prevista por este Críticas. Com baxíssima avaliação técnica e prejudicada pelo ensaio de nudez parcial para um editorial de moda, Priscila só se classificou devido à avaliação interna dos diretores da MUO – Donald Trump fugiu para a Escócia a pretexto de uma “reunião de negócios”. Trump tem horror à torcida da Gaviões da Fiel, da Vai-Vai e dos telespectadores do American Idol, do Datena e dos Kardashians. Não tinha carisma algum, a não ser de modelo de funerária. Mesmo assim, colocou a Mulher Brasileira do Benito di Paula num vergonhoso terceiro lugar. Humilhante.

(*)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses
(**)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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