Condenação de Lindemberg Alves pela tragédia da CDHU de Sto. André, o Livro do Boni e o texto do Kotscho: três pesos e três medidas sobre o ‘respeito ao telespectador’ praticado pela Globo desde o escândalo Proconsult e o debate Lula-Collor


O que a blogosfera paga pela Globo precisa aprender sobre reporcagem, jornalismo de aluguel, lavagem cerebral e manipulação de internautas

Fotos Montagem/Blog do Garotinho e Daia Oliver/R7

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Jornalismo da ilha de duas caras (de pau) e jornalismo sério, de verdade, na íntegra, sem interrupção para novela das seis nem frescaria nenhuma junto à CBF, à Unilever, ao CCC, ao PSDB, ao DEM, ao PPS…

No blog TVxTV, paga-pau da Rêde Globo e do PSDB/DEM/PPS:

“Uma emissora de TV se pauta prioritariamente pelo respeito ao telespectador fiel. Afinal, é a pessoa que sintoniza a programação dessa emissora todos os dias que dá a audiência verdadeira, a audiência chamada “pura” na linguagem de publicidade. A audiência volante pode ser importante e interessante pra uma Rede de televisão nanica, não para as de grande porte.
Novamente agindo como se fosse uma das pequenas do país, a Record buscou audiência fácil, desrespeitando seu público fiel e desrespeitando o próprio brasileiro. Ao explorar por horas e horas a fio nesta quinta-feira o julgamento de Lindemberg, assassino de Eloá, a emissora ultrapassou o limite da informação e invadiu o trilho da exploração da miséria humana em troco de audiência.
O contraponto disso tudo aconteceu na maior concorrente da emissora da Barra Funda. Num exemplo de respeito a anunciantes, a sua própria história, ao telespectador e, principalmente, aos princípios básicos do que é jornalismo, a Rede Globo fez uma cobertura coesa, séria e centrada do julgamento. Sem alardes, sem abdicar de sua programação para falar do assunto, a cobertura aconteceu com ótimas reportagens nos seus telejornais. O anúncio da sentença proferida pela juíza, somente foi ao ar na líder de audiência do país, ao final da sentença, e num Plantão rápido e sem devaneios.
Verdade seja dita, com a cobertura imensa e cansativa, explorando a desgraça humana e desrespeitando o público que acompanha a programação regular da emissora, a Recordaumentou e muito sua audiência, inclusive, com o Plantão que transmitiu toda a sentença da juíza, chegou perto de liderar. Muita gente pode pensar que a Globo falhou e entrou tarde com o seu Plantão e por isso a Record conseguiu audiência. São dois pontos de discussão.
O primeiro ponto é a análise dos números de audiência da Record. Eles servem para o que exatamente? Amanhã, sem julgamento, sem sentença, sem exploração da miséria humana, a emissora volta a sua pontuação vexatória do início de noite, disputando a vice-liderança com SBT e Band, ou seja, falta de estratégia, porque o público que deu audiência hoje, não será fidelizado porque não viu a programação da emissora, viu apenas uma cobertura pseudo-jornalística. E o telespectador fiel, desrespeitado, pode até não querer continuar assistindo. Ou seja, um tiro no pé a médio prazo.
Outro ponto é sobre a “demora” para o Plantão da Globo entrar no ar. Qual o interesse público em acompanhar toda a leitura da sentença da juíza? De fato, a concorrência teve audiência porque o ser humano tem essa curiosidade mórbida que o aquece, porém, não é função de jornalismo acariciar o ser humano em suas bizarras curiosidades e no seu intenso prazer em acompanhar o sofrimento humano. Ao entrar com o Plantão após a leitura da sentença, ou seja, quando havia, de fato algo a se noticiar, a Globo respeitou seu público e respeitou os princípios básicos do jornalismo, mantendo-se isenta, e cuidadosa, sem exagerar, sem transformar o julgamento num show de horrores.
Repito: saber o resultado da sentença é de interesse público porque é o resultado do sistema judiciário brasileiro. Porém, acompanhar horas e horas do caso, a leitura inteira da sentença, não é de interesse público, é de interesse privado – família e amigos dos envolvidos – e utilizar esse tipo de ferramento na busca por alguns pontos de audiência que vão se derreter feito água no futuro é, no mínimo, falta de respeito”.

Respeito ao telespectador não é o que a Globo demonstrou na cobertura das eleições para governador no Rio de Janeiro, em 1982, durante o escândalo da Proconsult. Texto de Luiz Carlos Azenha:

“Do Livro do Boni, na página 423, no capítulo em que ele trata do mago das pesquisas da TV Globo, Homero Icaza Sánchez:

Houve uma interrupção dos trabalhos do Homero entre 1983 e 1989. Em 1982, ele detectou a tentativa da empresa Proconsult, associada com o SNI, de fraudar as eleições para o governo do Rio de Janeiro. Ligou para o Brizola, relatou as irregularidades e insinuou que a Globo tinha conhecimento disso. Como a linha telefônica do Brizola estava grampeada, a gravação chegou à emissora e, terminadas as eleições, o Homero teve que se demitir.

SNI, para quem está chegando agora, é o Serviço Nacional de Informações, que sustentou a ditadura militar brasileira bisbilhotando a vida alheia e cometendo uma série de crimes e contravenções.
Como assim, “a gravação chegou à emissora”?
Quer dizer que os arapongas gravavam o Brizola, contavam para a Globo e a Globo não noticiava? A Globo achava normal, então, violar o sigilo telefônico do Brizola? E empurrava para fora da empresa quem falava a verdade?
Com a palavra, Brizola Neto”.

Do comentarista Alessandro, no Viomundo:

“Roberto Marinho tenta derrubar governo popular desde a era Jurássica.Se havia dinossauro de cor vermelha,corria perigo.
As fotos do Gerson dizem tudo: de braços dados com o autoritarismo”.

Desrespeito ao brasileiro é escamotear o excelente texto do jornalista Ricardo Kotscho, sobre a edição horrenda, o circo de horrores que o jornal nacional fez da edição do debate entre Lula e Fernando Collor, realizado na Band em 1989. Leiam com bastante atenção:

Memória: Globo e Collor contra Lula, tudo a ver

O problema de ficar velho nesta profissão de jornalista é que a gente viu, ouviu e viveu as coisas de perto, testemunha ocular e auricular.
Sempre que ressurge no noticiário uma história de 20, 30, 40 anos atrás, pedem-me para escrever sobre o evento. Estudantes frequentemente me procuram para contar como aconteceram variados episódios da vida brasileira no último meio século.
De vez em quando, a memória falha, mas tem certas passagens que testemunhei e nunca vou esquecer. Uma delas, certamente, foi o que aconteceu no debate decisivo entre Collor e Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 1989.
Eu era assessor de imprensa do então candidato Lula e participava das reuniões com as emissoras e representantes dos adversários para definir o formato dos debates na televisão junto com algum dirigente do PT ou outro membro da campanha.
Na última reunião para o segundo debate, na TV Bandeirantes, em São Paulo, fui sozinho no meu carro para a emissora porque morava lá perto. Cheguei cedo e me surpreendi quando vi Cláudio Humberto, o assessor de imprensa de Collor, entrando na sala junto com Alberico Souza Cruz, da TV Globo, promovido a diretor de jornalismo após a campanha..
Até brinquei com eles _ “estou f….” _, mas me garantiram que tudo não passara de uma coincidência. Os dois pegaram por acaso o mesmo vôo no Rio para São Paulo.
Por acaso também, certamente, os dois tinham as mesmas propostas para o debate e eu me senti meio isolado na discussão.
Lembrei-me na manhã desta terça-feira de novembro de 2011 do que aconteceu naquela tarde do final de 1989 ao ler na “Folha”(*) o título da página A11: “Ex-executivo da Globo mentiu sobre debate, diz Collor”.
A polêmica surgiu após uma entrevista concedida no sábado à Globo News por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, manda-chuva da Globo na época, que agora está lançando seu livro de memórias.
Nesta entrevista, Boni contou como a principal rede de televisão do país ajudou o candidato Fernando Collor de Mello na preparação para o debate decisivo.
“Nós fomos procurados pela assessoria do Collor”, revelou Boni, ao contar que recebeu ordens de Miguel Pires Gonçalves, então superintendente da Globo, para que “desse alguns palpites” na preparação do candidato do PRN.
Boni contou mais: “Conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor com uma glicerinazinha, e colocamos as pastas todas que estavam ali, com supostas denúncias contra o Lula, mas que estavam vazias ou com papéis em branco”.
Principal executivo da Rede Globo na época, Boni afirmou na entrevista que “todo aquele material foi produzido, na parte formal”, cabendo a Collor “o conteúdo”.
Collor, ao seu estilo deixa que eu chuto, negou tudo: “Nunca pedi a ninguém para falar com o Boni, meu contato era direto com o doutor Roberto (Roberto Marinho, dono da emissora). Nunca tirei a gravata nos debates. Mentira. Suor: nem natural nem aspergido pelo Boni. Glicerina: mais uma viajada na maionese. Pastas vazias: ao contrário, cheias de papéis, números da economia, que sequer utilizei. Em resumo, o Boni despirocou”.
O que de fato aconteceu do outro lado da disputa presidencial, só os dois podem dizer. Da minha parte, só sei que Collor sofreu uma derrota acachapante, como se diz no futebol, no primeiro debate, na TV Manchete, no Rio, e resolveu partir para o tudo ou nada no segundo.
Furioso, demitiu quase toda sua equipe de campanha naquela mesma noite ao voltar para o hotel. Chamou seu irmão Leopoldo Collor de Mello, ex-executivo da Rede Globo, para comandar a mudança, contratou novos marqueteiros, gastou o que tinha e o que não tinha, dinheiro não era problema.
Levou os últimos dias da campanha para a sarjeta e assim surgiu garboso e desafiante no palco do segundo debate. Estava de gravata e carregava um monte de pastas.
Também escrevi um livro de memórias para me ajudar nestas horas (“Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de Repórter”, Companhia das Letras, 2006) e foi de lá que tirei o texto transcrito abaixo sobre o que vi acontecer naquela noite:

Chovia forte em São Bernanrdo do Campo, e estava em cima da hora para irmos à TV Bandeirantes, no Morumbi. Lula já se encontrava no carro com Marisa quando Marcos, o filho mais velho, veio avisar que ligaram de Brasília informando que Collor levaria algumas pastas amarelas para o debate, com novas acusações contra ele no campo pessoal. No estúdio, Lula seguiu para o seu púlpito, sem sequer olhar para o oponente.

Mas, em vez de partir para o ataque, quando Boris Casoy lhe fez a primeira pergunta _ sobre a queda do Muro de Berlim, poucas semanas antes _, ele entrou direto na resposta. Com as mangas compridas do paletó escuro cobrindo-lhe até a metade das mãos, dispersivo, Lula em nada lembrava o candidato combativo da campanha.

Quando o debate terminou, eu o aguardava no corredor que liga os estúdios à sala reservada aos candidatos. Ele me deu um tapa nas costas e balançou a cabeça: “Perdemos a eleição. Eu me sinto como um lutador sonado”.

Já de madrugada, fomos jantar em sua casa, mas a comida ficou esfriando na mesa. Nas 48 horas seguintes, Lula ainda seria obrigado a enfrentar toda espécie de boatos difundidos pela imprensa marrom e no boca a boca. Caso vencesse a eleição, diziam, fecharia os templos não católicos, tomaria casas, barracos, carros, televisões, bicicletas e até galinhas de quem tivesse duas para dividir com os mais pobres.

(…) Sábio Frei Chico, o irmão mais velho de Lula que o levou para o sindicalismo. Homem de boa paz e comunista, ele foi buscar lá nas origens da família as explicações para a implosão do candidato no final da campanha, especialmente no último debate: “Lá em Pernambuco, quando alguém ofende a família, o sertanejo só tem dois tipos de reação: ou mata o desafeto ou fica magoado. Lula ficou magoado…”.

Deu para perceber isso na edição do debate que foi ao ar no telejornal Hoje, da TV Globo, na hora do almoço do dia seguinte. Lula não estava bem, perdeu. Mas o que se viu à noite, no Jornal Nacional, da mesma emissora, foi o resumo de outro debate. Editaram só os melhores momentos de Collor e os piores de Lula. O resultado do jogo, que tinha sido 2 X 1 na edição do Hoje, transformou-se magicamente em 10 X 0. Empolgados, os seguidores de Collor, quietinhos até então, saíram às ruas com bandeiras para comemorar.

A história pode ser reescrita de várias formas, mas os fatos não podem ser reinventados”.

Jordin Althaus/NBC/Divulgação

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Na foto, a atriz norte-americana Laura Prepon, de Are You There, Chelsea?, cotada para interpretar a jornalista Alice-Maria, responsável indireta pela edição do debate Lula-Collor no jn, em 1989: a tarefa foi do Alberico, papel do Ryan Seacrest, que não quer por causa de seus 400 empregos

(*)Folha é o jornal que não se deve deixar a sua tataravó ler porque publica palavrões e mostra sem censura os seios, os pêlos pubianos, a vagina e a bunda da miss Pernambuco 2008, Michelle Fernandes da Costa, em revista masculina publicada a poucos dias de passar a faixa à sua sucessora, em março de 2009. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Cássio Cunha Lima DEPOIS de cassado e pergunta o que ele achou do processo no TSE, da ditabranda, do câncer de Fidel, da ficha falsa da Dilma, das mulheres-fruta, das ancas da cantora Jôsy, do ódio a piauienses encampado pelo Rafinha do Emocore, da Carla Perez lecionando “i” de iscola, da Rayanne Morais “eleita” Miss Brasil 2009 pelo site EGO, ligado à Globo (sócia da mesma Folha no jornal de negócios Valor Econômico), que vestiu FHC com o manto de “bom caráter”, porque levou dezoito anos para reconhecer um filho seu fora do casamento (com uma jornalista empregada da Globo), que mandou a Diane Sawyer da Globo News avacalhar o cantor itainopolense Frank Aguiar por causa de um filme e de uma entrevista sórdida com uma aspirante a aspirante a aspirante de celebridade paulista a uma aprendiz de Oprah do Primetime da Rede TV!, que publicou texto sórdido de um professor de comunicação da USP sobre o Miss Universo 2007, que ainda fala mal do Saulo Roston (vencedor do Ídolos 2009), que matou o senador paulista Romeu Tuma e depois o ressucitou, mandou a Mariska Hargitay falar mal do Piauí e a Tamara Tunie, o Ice-T e o Christopher Meloni bancarem o Sérgio Ricardo quebrando o violão no Festival da Record de 1967 em Law & Order: Special Victims Unit , deixou o elenco de Law & Order: Criminal Intent e o Robin Williams avacalharem o Brasil em seriado da USA Network e programa de entrevista da CBS, é o que é porque o dono é o que é e que, quando a mineira Elaine Parreira Guimarães ficou em quinto lugar no Miss Universo 1971, emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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