Rubens Ewald Filho: Análise inicial da corrida ao Oscar 2012


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Do R7

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Brown, um dos dois brasileiros indicados ao Oscar: os Muppets que se cuidem

Finalmente a espera terminou e já podemos questionar em cima dos indicados para o Oscar 2012. Tudo parece confirmar minha sensação de que a Academia está cada vez mais perdida (a prova disso foi a confusão com o produtor despedido e Eddie Murphy demissionário).
Depois do desastre que foi a festa do ano passado, com James Franco, parece que a ficha ainda não caiu, continuam a fazer besteira. Aliás, quando se começa a fazer elucubrações sobre um Oscar para animais, é sinal de que a coisa não vai bem.
Dizia que foi um ano ruim e os fatos parecem confirmar isso. Aquele sistema bizantino da Academia de contar votos beira o ridículo (já expliquei mas isso não quer dizer que alguém entendeu direito, nem eu). E a indecisão pelo número de finalistas a Melhor Filme é uma péssima idéia. Assim quando temos menos do que dez como melhor filme, demonstra apenas que o ano foi inferior ao anterior. Ao menos dentro da lógica de qualquer pessoa racional. Ainda assim 9 finalistas não é um mau número. Não escandaliza.
Suponho que é uma coisa boa não termos este ano um favorito absoluto como O Discurso do Rei. Pode tornar o resultado mais interessante. De qualquer forma, vejam que curioso, a Academia agiu mais radicalmente do que o Globo e o SAG, ou seja, eles escolheram a Árvore da Vida, um filme difícil, vencedor de Cannes (os críticos brasileiros também votaram nele como melhor do ano). Que estranho! Academia concordar com críticos?
A primeira vista as ausências mais estranhas são a da animação Rio (parece que não gostaram dele mesmo por lá, azar deles, isso é injusto e burro) e das Aventuras de Tintim (esse sim escandaloso porque todo mundo achava que era barbada). E em vez disso foram buscar duas animações muito estranhas, a francesa A Cat in Paris (não vi, mas falam boas coisas) e a hispano cubana Chico e Rita feita por vários diretores e o mais famoso é o espanhol Fernando Trueba que tem paixão pela musica cubana. Com uma esplendida trilha musical, de boleros e ritmos antigos, conta uma história de amor nos anos 50, entre uma cantora e um compositor, entre Cuba e Estados Unidos. Achei legal mas não tão especial.
Fica mesmo difícil achar um vencedor na categoria. Seria Rango o melhor deles? Em compensação, escolheram apenas duas canções e uma delas é a bem brasileira, Real in Rio para a animação Rio, escrita por Sergio Mendes, Carlinhos Brown e Siedah Garrett. Ou seja, na contramão dois brasileiros concorrem ao Oscar deste ano!!! E tem muita chance de ganhar porque são apenas dois indicados (o outro foi do fraco Muppets, Man or Muppet).
Engraçado que nem o SAG este ano bateu muito com a Academia. Como atriz fizeram a grande besteira de escolher Rooney Mara, que achei fraquinha de tudo na versão americana de Millenium: Os Homens que não amavam as mulheres. Muito inferior a criadora do papel no filme sueco (Noomi Rapace). As outras são “as suspeitas habituais”(Glenn, Viola, Meryl, Michelle). Ficam de fora mais escandalosamente Tilda Swinton (Kevin), Charlize Theron (Jovem adulto), Mia Wasiskowa (Jane Eyre), Kirsten Dunst (Melancolia).
Dentre os atores foi a surpresa incluírem Gary Oldman por O Espião que Sabia Demais. Sou fã dele e acho justo ser lembrado (mas o filme tem um boca a boca muito negativo, todos reclamam dele para mim, achando-o chato e mal-resolvido). E também se lembraram do Demian Bichir, um mexicano que fez um filme que ninguém assistiu e estava com cara de nem ser lançado por aqui. Francamente acho melhor o papel/personagem do que o ator. Os outros foram os inevitáveis Jean Dujardim, Brad Pitt e George Clooney. Ficaram de fora: o mais escandaloso Ryan Gosling que foi o astro do ano com vários filmes, entre eles Drive e Tudo pelo Poder, Michael Fassbender por Shame, Leonardo Di Caprio (que está fraco mesmo).
Acho que em cada categoria a Academia inventou uma surpresa. Dentre os atores coadjuvantes foi o caso do grande e excelente Max Von Sydow (dos filmes de Ingmar Bergman, nada menos) que havia ficado fora dos outros até porque o filme Tão Forte e Tão Perto não ficou pronto a tempo de ser visto por muitos críticos. O filme é apenas médio e tem um protagonista horrível, um ator insuportável. Mas Sydow que faz o avô judeu traumatizado esta excelente (além de tudo num papel onde não fala). Os outros são os de sempre Kenneth Branagh, Christopher Plummer, Jonah Hill e outra correção, Nick Nolte que estava no SAG mas esquecido em quase tudo (é justo, está muito bem em Guerreiro, que acabou de sair em DVD agora). Ficaram de fora: Andy Serkis (ou seja, a Academia ainda não comprou a história de atores que posam para animação), Albert Brooks por Drive.
Como atriz coadjuvante, seguiram o SAG colocando as duas meio inesperadas, a Melissa McCarthy (tomara que seja sintoma de que a Academia está dando mais atenção às comedias) e Jessica Chastain (que esteve em 7 filmes só este ano!). Mais Octavia Spencer (ainda assim The Help faturou menos que eu esperava não entrando nem como Roteiro Adaptado, nem como Diretor) e Janet McTeer (Albert Nobs, que só esta estreando nos EUA esta semana). Ausências: Shailaine Wooley e Judy Greer, de Descendentes.
Woody Allen voltou mesmo com tudo sendo indicado como Diretor, Filme e Roteirista por Meia-Noite em Paris, que demonstrou ser um filme muito querido. Como diretor concorre com meu preferido Martin Scorsese (Hugo), Alexander Payne (Os Descendentes), Terrence Malick (A Árvore da Vida) e Michel Hazanavicious (O Artista). A ausência mais escandalosa é a de Spielberg (seu Cavalo de Guerra ficou entre os filmes). Mas tem outros: Tate Taylor (Help), Stephen Daldry (Tão forte e tão Perto), Bennett Miller (O homem que mudou o jogo).
Como filme estrangeiro daquela listinha de 9, escolheram os cinco mais acessíveis, mas nem por isso acho que representa bem o que se teve este ano no mundo. Assim A Separação fica como favorito absoluto, até porque levou também indicação de Roteiro! Felizmente Hugo Cabret levou as indicações que merecia na parte técnica (Fotografia, Direção de Arte, Figurinos, Montagem, Trilha Musical, Mixagem, Edição de Som). E o prêmio de Maquiagem fica mesmo entre A Dama de Ferro (o melhor), Albert Nobs e Harry Potter (que não foi tão lembrado quanto os fãs esperavam).
Gostei de outras coisas como ver Margin Call indicado como Roteiro, assim como Tudo pelo Poder (outra indicação para Clooney) e Missão Madrinha de Casamento (para a talentosa Kristen Wiig). Até Madonna foi prestigiada com indicação de Figurino para o filme que ela dirigiu W.E. (aliás, não é injusta, a direção é ruim, mas a produção interessante).
A questão neste momento é imaginar a hipótese de O Artista, um filme francês, mudo e em preto e branco ser o grande vencedor do ano (é o que mais acumulou prêmios até agora). Até hoje nenhum filme estrangeiro levou o Oscar principal e duvido que eles tenham essa ousadia. Também não sei bem o que pensar quando dentre de tanta modernidade o melhor possível é uma homenagem ao cinema de quase cem anos atrás (o mesmo sucede com Hugo, mas é tecnicamente de vanguarda!). Como eles são conservadores e patriotas, suponho que Os Descendentes seria a escolha mais adequada, um drama familiar bonzinho e ponto final.
Mais tarde, estudando melhor os documentários (tem um de Peter Jackson, outro de Wim Wenders) e outras categorias voltaremos ao assunto.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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