As deliberações tomadas sobre as sedes do concurso Miss Universo em anos recentes


De 2005 para cá

Da redação TV em Análise

Fotos AFP/31.05.2005 e Reprodução/Instituto Antônio Carlos Jobim

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Natalie Glebova, parafreaseando Tom e Elis no Chantástico(*) da Globo em 1974: “são as águas assassinas de dezembro sangrando o verão…”

Em 3 de agosto de 2004, Bangcoc foi escolhida para sediar o Miss Universo 2005. A capital tailandesa manteve sua postulação mesmo após o assassinato em massa causado pelas águas da tsunami do dia 26 de dezembro que destruiram parte do Sudeste Asiático (e da própria Tailândia). Para que a sede fosse mantida, os atos musicais foram cortados do certame e, na final do concurso, em 31 de maio, observou-se um minuto de silêncio em respeito às vítimas.
Em setembro de 2005, San Juan negociava para sediar o Miss Universo 2006. Devido aos cortes de verbas federais impostos pelo governo de George W. Bush aos territórios ultramarinos e dependências (inclusive Porto Rico, que goza de status de Estado-livre associado), a capital portorriquenha retirou sua proposta e, em 3 de abril de 2006, Los Angeles foi escolhida para receber a 55ª edição do certame, em 23 de julho.
Em 28 de dezembro de 2006, começaram a circular rumores de que a Cidade do México fora escolhida para sediar o Miss Universo 2007. A escolha, no entanto, só foi oficializada no dia 16 de fevereiro.
Em 27 de novembro de 2007, Nha Trang, balneário na costa sul do Vietnã, foi escolhida para sediar o Miss Universo 2008, realizado em 14 de julho. Para que o concurso fosse realizado na cidade, os responsáveis pela organização local construíram um teatro novo, com capacidade para 7.500 lugares, para atender às exigências da Miss Universe Organization.
Em setembro de 2008, Zagreb apresentou proposta financeira para sediar o Miss Universo 2009. Com o agravamento da crise econômica mundial, a capital croata retirou sua proposta e o Miss Universo 2009 ficou sem sede definida por quase três meses, até a assinatura do contrato com os donos do Atlantis Paradise Island, em 4 de março de 2009. O concurso ocorreu em 23 de agosto.
Em novembro de 2009, o presidente boliviano Evo Morales apresentou proposta para que Santa Cruz de la Sierra sediasse o Miss Universo 2010. Foram semanas de análise da proposta até que, em 5 de março de 2010, os responsáveis pelo projeto boliviano desistiram. Houve troca de acusações entre a ministra da Cultura, Zulma Yugar, que estava em Paris a trabalho, e a empresária Glória Limpias, que apresentara a intenção boliviana de receber o Miss Universo ainda em 2006, em Los Angeles. Enquanto entidades feministas comemoravam a desistência da Bolívia, Rio de Janeiro, Oranjestad, Mar del Plata, Palma de Mallorca e Zagreb também apresentaram suas propostas, sem sucesso. Em 23 de maio, Las Vegas foi oficializada como sede do Miss Universo 2010, realizado no dia 23 de agosto após negociações fracassadas com outros países.
No entanto, em 16 de dezembro de 2010, uma notícia inesperada movimentou o mundo dos concursos de beleza: a escolha repentina de São Paulo para sediar o Miss Universo 2011 provocou toda sorte de rumores na Internet e em outros meios de comunicação acerca do processo de escolha da cidade brasileira, considerada despreparada para receber um evento internacional deste porte. Cotada originalmente para sediar o Miss Universo 2010, a capital paulista foi reaproveitada no bolo de cidades-candidatas a sediar o Miss Universo 2011 que incluia Nha Trang, Santa Cruz de la Sierra, Pequim, Houston, Cidade do Panamá, Mar del Plata, Tóquio, Paris, Roma, Bali, Las Vegas, Sun City, Santo Domingo, Oranjestad, Los Angeles, Cap Cana, Zagreb e Moscou. Veículos do Grupo Bandeirantes, que organizou a candidatura paulistana ao lado da Prefeitura Municipal e do Governo do Estado, levaram aos leitores, ouvintes e telespectadores informações enviesadas, deturpadas e distorcidas sobre a candidatura de São Paulo à sede do Miss Universo 2011. Segundo setores da Miss Universe Organization, a candidatura paulista foi inscrita no dia 6 de abril de 2010, mas não foi aceita a tempo para o Miss Universo 2010, que acabou sendo realizado em Las Vegas. Segundo a Band, a candidatura de São Paulo foi inscrita junto à MUO em junho de 2010, mas essa informação sequer procede. Problemas de infraestrutura, de criminalidade e de desorganização prejudicaram o andamento de várias atividades do certame na capital paulista. Efetivo da Polícia Militar (pago com o dinheiro do contribuinte) foi usado para a segurança das 89 candidatas durante o cumprimento de atividades preliminares. Sem falar nos ataques racistas à vencedora, a angolana Leila Lopes, o concurso foi manchado por uma produção porca, amadorística, tosca e a pior audiência para um evento não-esportivo em sua exibição nos Estados Unidos na temporada 2011-2012: apenas 5,3 milhões de telespectadores, atrás até mesmo do American Country Awards, da FOX, e do Victoria’s Secret Fashion Show, da CBS. Em sua realização, na noite do dia 12 de setembro, o Miss Universo 2011 perdeu público até mesmo para jogos do Monday Night Football, do canal pago ESPN, o final de temporada de Bachelor Pad, na ABC, inéditos de Hell’s Kitchen, na FOX, e das séries policiais The Closer e Rizzoli & Isles, na TNT. No Brasil, o certame assegurou à Band sua segunda melhor audiência desde que adquiriu os direitos do certame, em 2003: 8,2 pontos com pico de 11,5. Para alguns executivos da Band, no entanto, esse resultado poderia ter sido maior, dada a repercussão recente do UFC 134, transmitido pela Rede TV! no final de agosto, no HSBC Arena, no Rio, que despertou o interesse da Rede Globo em passar a transmitir lutas de MMA em TV aberta. Mesmo cenário não se verificou nos concursos de beleza, cada vez mais agonizantes em termos de audiência.

(*)Combinação da chantagem jornalística do padrão global para dar Ibope e vender jornal e revista com a estética ultrapassada e retrógada do Fantástico, capenga na audiência

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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