ELIS REGINA, NOSSA AMY WINEHOUSE, 30 ANOS DEPOIS: “Se fosse viva…”


O último musical para o Chantástico(*) da Globo (quando ainda se chamava Fantástico), acomapnhado de uma ologia escancarada à suposta abertura política empreendida pelo general João Figueiredo, em 1979, com a farsa da Lei da Anistia (que mantém os torturadores da ditabranda brasileira impunes)(***), e de uma conversa entre os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Zuza Homem de Mello

Aantes do diálogo, um registro deste Críticas: a última gravação de Elis para a TV foi dirigida por Roberto de Oliveira, para a Rede Record, na madrugada de 3 de dezembro de 1981. Reparem:

O ansioso blogueiro é fã do Mestre Zuza Homem de Mello – clique aqui para saber mais – desde que Frank Sinatra assinou aquele famigerado contrato com o Tommy Dorsey.

– Zuza, vim de casa até aqui com o Águas de Março no carro!

(O “jornalismo calendário” do PiG(**) lembrava que Elis “nos deixou há 30 anos” e “se fosse viva, Nara faria 70 anos”).

– Zuza, com a Elis não tem pra ninguém!
– Você sabia que a Elis não era uma cantora excepcional?
– Que é isso, Zuza ? Ela era imbatível!
– O que o timbre da voz da Elis tem de especial ? E você sabe que o timbre é a identidade da voz, do cantor, a tua identidade, com esse toque anasalado…
– É, a Glorinha Beutenmiller me mandava preservar esse timbre, porque me identificaria…
– Claro, ela sabe das coisas…
– Mas, e a Elis ela não era boa?
– Claro, é a melhor de todas!, respondeu o Zuza.
– Então, o que faz dela melhor?
– A interpretação, meu filho. A interpretação!

(Maria Callas, pensou o ansioso blogueiro).

– E por que Águas de Março é a maior de todas as canções?
– Bom, não sei explicar. Agora, vou te contar uma coisa, Zuza. Eu tava num taxi, no México, e o motorista me perguntou o que significava a palavra “toco”…
Águas de Marco, interrompeu o Zuza. É a única música brasileira que tem essa palavra.
– Pois é, o cara traduziu a letra toda e empacou no “toco”.
– A letra de Águas de Marco é Guimarães Rosa puro. Só o Tom poderia traduzir ela para o inglês e foi o que ele fez…
– Mas, e a música, Zuza?
– A música é simples. São três notas e nada mais. Olha só (e o Zuza repete, três, quatro vezes as mesmas notas). Eu tô cantando Águas de Março, não é isso ? Mas, não estou cantando…
– Como assim, Zuza?
– Porque falta o arranjo do Tom, a harmonia de Águas de Março que está embaixo das três notas.
– Ah…

E ficamos os dois a cantar Águas de Março…
(O ansioso blogueiro se lembra de uma frase do Neschling: não fosse a harmonia, Beethoven corria o risco de ser medíocre).

– Zuza, e além da Elis, quem mais?
– As quatro grandes são ela, a Elizeth, a Nana e a Gal.
– Tá certo. Por que a Nana?
– A emoção.
– E a Gal?
– A Gal é mais do que um ser humano.
– Como assim?
– Ela é um instrumento musical. Você aperta ela e sai uma nota!
– Entendi. Agora, Zuza, deixa eu te confessar uma coisa, assim, só entre nós, com a confiança que uma velha amizade autoriza…
– Pode falar eu sou um túmulo.
– Zuza, eu prefiro a Sétima à Nona do Beethoven!
– Claro, eu também! A Sétima é a Suprema Sinfonia!
– Zuza, e o Tom, Zuza?
– É pau, é pedra, é o fim do caminho… É o toco sozinho… Ele é a Sétima, a Nona…

E lá vai ele pelo aeroporto afora.

(*)Combinação da chantagem jornalística do padrão global para dar Ibope e vender jornal e revista com a estética ultrapassada e retrógada do Fantástico, capenga na audiência
(**)In none serious democracy in the world, conservative, low-quality and even sensationalistic newspapers and only one television network matter as much influence as they do in Brazil. They have become a political party, the PIG (Pro-Coup Press Party). These are their stories
(***)Trata-se de O Bêbado e o Equilibrista

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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