Começo de semana: Sozinhas, a Band (Enter) e a Globo não conseguirão resgatar o glamour dos concursos de misses no Brasil


Solução para a emissora é terceirizar a promoção dos certames. E manter a estagnação como está

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Dedoc/Abril

https://i0.wp.com/www.abril.com.br/imagem/luma-pelada-01-01g.jpg
Nas fotos, a moeda de troca para Flávia Cavalcante sair da Globo (sem nunca ter entrado)

Sem projeto, sem coordenação, sem lenço, sem documento. É assim que se encontra a Enter, empresa de eventos do Grupo Bandeirantes, sócio da Rede Globo nas transmissões de futebol, incumbida de organizar a etapa brasileira do concurso Miss Universo(*) a partir de 2012. Com orçamento anual declarado de US$ 150 milhões, a Enter foi formada às pressas, em dezembro do ano passado, para cuidar de toda logística relacionada ao concurso Miss Universo 2011, realizado em setembro último em São Paulo e que rendeu à Band a segunda maior audiência de todos os tempos na transmissão de concursos de beleza feminina. É o que declara o registro da empresa junto à Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), protocolado em 20 de dezembro de 2011, segundo informação de fontes independentes dada a este Críticas.
Por baixo, tamanho investimento à toa no projeto de misses para 2012 não tem justificativa alguma, dado o alto dispêndio da Band com concursos que, nos dias atuais, não trazem retorno algum em termos de audiência (não passam dos 7, 8 pontos ante os 15 registrados na época em que o Miss Brasil e o Miss Universo eram exibidos pelo SBT – o que equivale a uma queda violentíssima de 50% em relação ao Miss Universo 1981, por exemplo, televisionado pela TV Record de São Paulo e pela TVS do Rio). Para se ter uma ideia, só na organização dos concursos de Miss Amazonas e Miss Rio Grande do Sul foram gastos R$ 850 mil, entre despesas de pré-produção, logística e preparação das candidatas, tudo bancado pelas filiadas da Band em Manaus e Porto Alegre, respectivamente. Nada vindo da Enter, sediada em São Paulo.
Dossiê obtido com exclusividade pelo TV em Análise Críticas revela que, dos 12 concursos estaduais que a Band pretende transmitir na temporada 2012, menos da metade será levada ao ar em rede nacional. Não existem acordos com as organizações dos concursos da Bahia e de Pernambuco, por exemplo. Pior: no caso baiano, nem coordenador o Miss Bahia possui para preparar as candidatas ao Miss Brasil-Miss Universo. Em Pernambuco, a situação se agravará a partir de janeiro, quando a TV Clube migrar para a Rede Record e a TV Tribuna assumir a concessão da Band no Estado. Tal qual no caso baiano, não existe coordenação específica para o Miss Brasil-Miss Universo: toda a estrutura usada pela antiga coordenação nacional (a gaeta[*], empresa testa-de-ferro da Rede Globo e do PSDB mineiro) será reaproveitada, para desespero de muitos coordenadores municipais, já desapontados com a incerteza que o projeto da Band trará.

Sem retorno financeiro

Documentos obtidos pela CBS News e pela produção do American Idol mostram que existem mais dívidas do que certezas em relação ao projeto missológico do Grupo Band em conluio com a Globo, a Geo Eventos (do Grupo RBS[***]), a Chevron, ruralistas e ambientalistas norte-americanos infiltrados entre calunistas da Globonews, atores e atrizes de novelas da própria Globo contrários à construção da hidrelétrica de Belo Monte (PA), filha de ministro do (des)governo FHC que é correspondente da Globo em Paris e articulistas do jornal O Globo que colaboraram com o (des)governo FHC: para a organização do Miss Universo 2011, a Enter teve um rombo de R$ 48 milhões com a publicidade extra não realizada para comemorar uma eventual vitória da candidata da casa, a gaúcha Priscila Machado (o título foi para a angolana Leila Lopes). Se Priscila tivesse ganho o Miss Universo 2011, não seria a Band quem iria capitalizar em cima desse feito histórico fracassado. E sim a Rede Globo e suas empresas-satélite, que agiram para tirar da Rede TV! os direitos de TV aberta do Ultimate Fighting Champhionship (UFC), que em TV fechada já pertenciam à Globosat Canais (canal Combate, antigo Premiere Combate). Agiram ao calor da vitória de Anderson Silva no UFC 134, realizado no HSBC Arena, no Rio de Janeiro, uma das últimas cidades-candidatas a sediar o Miss Universo(*) 2012 (a outra é Guadalajara, no México).
Caso Priscila Machado tivesse ganho o Miss Universo(*) 2011, a Band teria recebido de seus patrocinadores (Procter & Gamble, Unilever, Prefeitura da Cidade de São Paulo e Banco do Brasil) uma avalanche de anúncios comemorativos que não foram ao ar. Resultado: prejuízo de R$ 37 milhões para a área comercial da emissora, que faturou apenas com o escopo do projeto Sonho de Miss, encerrado após uma temporada com o cancelamento do programa diurno especial que tratava dos bastidores dos certames estaduais, devido à baixíssima audiência (0,7 ponto por edição). Mais grave: a Band faturaria a coroação de Priscila Machado nas costas da Globo, cujo interesse pelo UFC era nato (a modalidade de MMA já era exclusiva do canal pago Combate, da Globosat). Mas cujo interesse pelos concursos de misses já era nulo desde a chamada “ditabranda” militar, o qual era cunhada numa frase de Roberto Marinho, adaptada pela redação deste Críticas: “o que interessa à Globo NÃO é o Miss(*) Brasil e sim (os seios, os pêlos pubianos, a bunda e a vagina) (d)a Miss Brasil(*), (expostos em revista masculina do Grupo Abril, que tem como sócios os sul-africanos da Naspers, que apoiaram o regime de segregação racial que manteve Nelson Mandela na cadeia por 27 anos)”.

Casco Especial

Aproveitando-se do título do Caso Especial que a Globo passava no final da década de 1970, em plena repressão militar, uma subsidiária da Globo, a TV Diário de Fortaleza (pertencente ao Sistema Verdes Mares, ao qual pertence a TV Verdes Mares, afiliada da Globo na capital alencarina) usa de uma licença não-concedida pela Enter para promover uma suposta etapa do Miss Ceará que, para a Miss Universe Organization, não terá mais valia alguma a partir de agora. Com a afiliação da TV Jangadeiro à Band, a partir de 1º de janeiro, é a Jangadeiro que passa a ser a responsável pela etapa cearense do Miss Brasil-Miss Universo, não mais a Book Eventos, empresa de fachada criada pela gaeta(**), por militantes do PSDB local e adeptos da entourage do ex-senador Tasso Jerissati, dono da concessão da Jangadeiro, que vai deixar o SBT após 13 anos.
Com esta usurpação, a Band repassa para a Globo um produto que, na teoria, é seu. Mas que, na prática, pertence à Globo desde 18 de março de 1990, quando Marlene Brito foi chamada às pressas na sede carioca da Globo, no Jardim Botânico, para tratar da contratação da Miss Brasil 1989, Flávia Cavalcante Rebêlo, para atuar em uma das novelas da casa (Meu Bem Meu Mal, do falecido Cassiano Gabus Mendes). Sílvio Santos, ao saber da conversa, barrou a contratação de Flávia pela Rede Globo e demitiria Marlene junto com outros 323 funcionários a título de contenção de despesas causada pelo Plano Collor I, que atingiu várias das principais redes abertas do país (a Band, que hoje organiza o Miss Brasil, demitiu Ronald Golias e Nei Gonçalves Dias, espécime de aspirante a aspirante fracassado de Flávio Cavalcanti do The Walking Dead). Resultado: Flávia perdeu o papel para a então estonteante modelo Luma de Oliveira (que já havia feito uma novela na casa). E o SBT perderia para sua ex-funcionária Marlene as concessões brasileiras do Miss Universo e do Miss Mundo em maio de 1990, como forma de vingança pela sua demissão até hoje injustificada. Marlene Brito chegou a processar o SBT pela demissão sem justa causa, mas o trâmite não foi adiante.

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)
(**)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses
(***)Não é Rede Brasil Sul e sim Rede Bunda Suja (da Natália Casassola), afiliada global em Santa Catarina que tem entre seus diretores o pai de um dos estupradores juvenis de Florianópolis denunciado pelo Tijoladas do Mosquito e pelo Jornal da Record

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em American Idol da incompetência missológica brasileira, Corrupção nos concursos de beleza, Criminal Minds: Pesadelo de Miss, Criminal Minds: Suspect Behavior do Evandro Hazzy, Força da Grana, Globelezação, Imperialsmo midiático, Imprensa monopolista, Jóia da coroa, Law & Order: Pesadelo de Miss, Marska Hargitay do Jornal Nacional, Monopólio da informação, NCIS: Pesadelo de Miss, Nossa Grana, Nossas Venezuelas, Olivia Benson do tucanato, Pesadelo de Miss, Prime Suspect Behavior da Sônia Abrão, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Começo de semana: Sozinhas, a Band (Enter) e a Globo não conseguirão resgatar o glamour dos concursos de misses no Brasil

  1. Pingback: Trabalhos do Miss Universo Brasil(*) 2012, na Band, só começarão após a definição da cidade-sede do Miss Universo 2012 | TV em Análise Críticas

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