Desclassificação de Juceila Bueno no Miss Mundo 2011 já era tragédia anunciada


UOL(*) afundou ainda mais a popularidade do concurso no Brasil

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Reprodução/UOL

https://i0.wp.com/n.i.uol.com.br/noticia/2011/09/30/miss-brasil-mundo-enfeita-outdoor-no-rs-1317411034934_615x300.png
Vera Cruz, Rio Grande do Sul, terra de ninguém

Totalmente na contramão de Priscila Machado no Miss Universo(***) 2011, a Miss Mundo Brasil 2011 Juceila Bueno já tinha sua desclassificação das semifinais do Miss Mundo 2011, realizado ontem em Londres, como certa desde o início. Concurso nacional de infra-estrutura porca, precária e que mais remete à Eritréia em termos de preparação e de treinamento. Ausência de acordo televisivo. Falta tudo para o Miss Mundo Brasil, não apenas o essencial.
O desligamento da franquia do Miss Mundo no Brasil da coordenação nacional do Miss Universo no começo de 2006 foi um erro grave. Erro esse a ser assumido na conta dos missólogos paranaenses que recorreram à filántropa inglesa Julia Morley de vontade própria, sem recurso nenhum, boicotados pelos anunciantes do Miss Universo e colocados contra a parede pela Rede Bandeirantes (detentora do Miss Brasil). Não arrumaram nenhum anunciante de peso (todos foram para ou ficaram com o Miss Brasil-Miss Universo). Tomaram um balde de água fria. Puseram um investimento inútil a perder. Jogaram tudo que foi investido no lixo.
Apesar de ter sido apoiada maciçamente pela Globo (a começar do namorado jogador gremista, passando pelos cartolas do clube gaúcho e chegando até os artistas comandados pelo cantor Roberto Carlos, que escamoteou os genocídios contra o povo palestino em sua passagem por Jerusalém num especial de fall-season), Juceila nunca recebeu qualquer atenção da direção do Miss Mundo Brasil. Foi posta para escanteio, dentro daquela tática de privilegiar seios, pêlos pubianos, bundas e vaginas de ex-BBB’s camufladas em misses estaduais reinantes, misses nacionais reinantes ou misses municipais reinantes em detrimento dos concursos em si. Trataram-na como uma marginal num país que privilegia a nudez parcial de candidata gaúcha ao título de Miss Universo 2011 como coisa normal. Não, não é. É um escárnio pior que o assassinato do cinegrafista da Band (promotora do Miss Universo Brasil) em operação policial em morro carioca.
Por isso, graças à Globo, ao BBB anual, ao Cerra, aos beneficiários do projeto Mãe Paulistana, aos aprendizes do Dimenstein pagos com o seu dinheiro, aos lobistas das editoras Ática e Scipione junto à Secretaria de Educação de São Paulo, ao UOL(*), ao grupo espanhol Prisa (dono do jornal El País e da Fundação Santilana), ao Grupo Folha(**), ao PSDB, ao DEM, ao PPS, ao PSD e aos anunciantes do Miss Universo(***) da Band o Miss Mundo Brasil agoniza em praça pública a cada ano que passa. A ponto de chegar ao leito de morte, pedindo por socorro. Tarde demais.

Reprodução/Conversa Afiada

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O Miss Mundo Brasil morrendo em praça pública: irresponsabilidade total

O primeiro suspeito é a empresa, a Band, que autoriza seus profissionais a assumir riscos que nenhum jornalista deve assumir.
Jornalista não é policial.
O segundo suspeito é o diretor de jornalismo da Band, que, provavelmente, não fez seguro de vida para a família do cinegrafista.
O terceiro suspeito é, de novo, o diretor de jornalismo da Band, que permite transformar jornalistas em protagonistas: jornalista não compete com policial nem com traficante pelo protagonismo de uma reportagem.
Além do mais, para o espectador, que diferença faz se as imagens de um tiroteio com traficantes são do cinegrafista da Band ou da própria polícia?
E mais: por que novas imagens de tiroteio com traficantes?
Que novidade têm?
Que informação adicional dá ao espectador?
Qual a diferença entre o tiroteio de ontem e o tiroteio de hoje?
Por que os cinegrafistas só filmam da perspectiva da polícia para os traficantes e, não, dos traficantes para a Polícia?
Porque o jornalismo brasileiro não sobe o morro.
Só entra na favela com a cobertura da Polícia.
O que se passa lá dentro – para o bem ou para mal – não interessa.
O quarto suspeito é o policial que autorizou três equipes de televisão a acompanhar um tiroteio com traficantes.
O quinto suspeito é o Comandante da PM que permitiu que um policial admitisse que três equipes de televisão acompanhassem um tiroteio com traficantes.
O sexto suspeito é o Secretário de Segurança do Rio, que permite que uma ação policial se transforme numa reportagem espetaculosa.
Para o Bom (?) Dia Brasil, porém, num mau passo do Chico Pinheiro, a morte do cinegrafista da Band é uma restrição à liberdade de imprensa.
O tom da cobertura do
Bom (?) Dia Brasil foi o de incriminar a política de segurança do Rio.
Como se sabe, a política de segurança do Rio é exemplar.
Combate o tráfico como nenhuma outra do Brasil – como se sabe, São Paulo consome mais carro, geladeira e viagens a Disney que o Rio, mas, cocaína, isso o Rio consome mais.
O projeto pioneiro das UPPs é um sucesso.
Mas, a política de segurança do Rio tem um grave defeito para o jornalismo dirigido pelo Ali Kamel, esse baluarte da liberdade de imprensa para divulgar atentados com bolinhas.
A segurança do Rio não é a do Governo Carlos Lacerda.
Nos bons tempos do Lacerda, o Secretário de Segurança Ardovino Barbosa mandava bater em jornalistas.
Como os do jornal A Noite, na Cinelândia, em 1961, na crise da Legalidade.
(O ansioso blogueiro era foca da Noite e testemunhou a “liberdade de imprensa” dos lacerdistas).

(“Quem matou o cinegrafista da Band?”, texto de Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada, publicado em 7/11/2011)

(*)UOL é o braço de Internet do Grupo Folha(**) em associação com a Abril-Naspers, que, quando governou a África do Sul, apoiou o regime de apartheid que manteve Nelson Mandela na cadeia por 27 anos. E, durante os 15 anos de governos tucanos em São Paulo, ofereceu assinaturas de suas revistas sem licitação (inclusive livros pornográficos e revistas de mulher pelada) às escolas públicas do Estado.
(**)Folha é o jornal que não se deve deixar a sua tataravó ler porque publica palavrões e mostra sem censura os seios, os pêlos pubianos, a vagina e a bunda da miss Pernambuco 2008, Michelle Fernandes da Costa, em revista masculina publicada a poucos dias de passar a faixa à sua sucessora, em março de 2009. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Cássio Cunha Lima DEPOIS de cassado e pergunta o que ele achou do processo no TSE, da ditabranda, do câncer de Fidel, da ficha falsa da Dilma, das mulheres-fruta, das ancas da cantora Jôsy, do ódio a piauienses encampado pelo Rafinha do Emocore, da Carla Perez lecionando “i” de iscola, da Rayanne Morais “eleita” Miss Brasil 2009 pelo site EGO, ligado à Globo (sócia da mesma Folha no jornal de negócios Valor Econômico), que vestiu FHC com o manto de “bom caráter”, porque levou dezoito anos para reconhecer um filho seu fora do casamento (com uma jornalista empregada da Globo), que mandou a Diane Sawyer da Globo News avacalhar o cantor itainopolense Frank Aguiar por causa de um filme e de uma entrevista sórdida com uma aspirante a aspirante a aspirante de celebridade paulista a uma aprendiz de Oprah do Primetime da Rede TV!, que publicou texto sórdido de um professor de comunicação da USP sobre o Miss Universo 2007, que ainda fala mal do Saulo Roston (vencedor do Ídolos 2009), que matou o senador paulista Romeu Tuma e depois o ressucitou, mandou a Mariska Hargitay falar mal do Piauí e a Tamara Tunie, o Ice-T e o Christopher Meloni bancarem o Sérgio Ricardo quebrando o violão no Festival da Record de 1967 em Law & Order: Special Victims Unit , deixou o elenco de Law & Order: Criminal Intent e o Robin Williams avacalharem o Brasil em seriado da USA Network e programa de entrevista da CBS, é o que é porque o dono é o que é e que, quando a mineira Elaine Parreira Guimarães ficou em quinto lugar no Miss Universo 1971, emprestava os carros de reportagem aos torturadores.
(***)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Law & Order: Pesadelo de Miss, Law & Order: Porto Alegre, NCIS: Pesadelo de Miss, Nossas Venezuelas, Pesadelo de Miss, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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