Em poucas palavras: Andy Cohen não escutou o ronco da pororoca porque Globo e Band não deixaram


Práticas coronelistas na rádio CBN de Manaus, a rádio que troca notícia por descrição de vagina de atriz do Zorra Total

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Reprodução Blog O Caso Bianca Abinader, Divulgação/CBN Manaus e Divulgação/Playboy

http://ocasobiancabinader.files.wordpress.com/2011/09/andreavieira.jpghttps://tvemanalisecriticas.files.wordpress.com/2011/10/ronaldo.jpg?w=267https://i2.wp.com/img.terra.com.br/i/2011/09/28/2041444-9569-atm17.jpg
Em sentido horário, Sarah Linden, Elliot Stabler e o ronco da perereca da atriz Desirée Oliveira

Texto original de Luís Nassif publicado em seu blog:

A CBN e o coronelismo eletrônico

Não se discute o alto nível do radio-jornalismo da CBN. Critica-se sua parcialidade. Mais que isso, os paradoxos entre seu discurso político e sua prática de alianças.
No discurso, seus analistas ignoram completamente as limitações do federalismo brasileiro, a política de alianças – que garante a governabilidade -, a necessidade de pragmatismo político. Dividem o Brasil entre o supostamente país moderno (dos quais ELES são porta-vozes) e o Brasil anacrônico, dos Sarneys e companhia. Aliás, é um contraponto salutar, para reduzir o poder de influência dos coronéis.
Mas hoje em dia a principal fonte de poder dos coronéis regionais é a rede Globo e a rede CBN de rádio.
De onde emana o poder político dos coronéis regionais? Em grande parte, do controle da mídia local. E esse poder deriva fundamentalmente da política de alianças com as redes nacionais de rádio e TV. Especialmente das Organizações Globo e da rede CBN.
No âmbito político, o chamado presidencialismo de coalizão é uma amarra fantástica: sem maioria, governos não governam. No caso das redes nacionais de comunicação, a definição dos sócios regionais é uma questão meramente econômica: seleciona-se o parceiro que dê melhor retorno econômico. Como a imprensa regional depende bastante das forças políticas locais, aceita-se o que tem de mais retrógrado por motivação financeira – não por governabilidade.
Ou seja, a Globo e seu braço CBN são polos centrais da força política de coronéis regionais. E, no âmbito nacional, praticam a crítica contra a força… dos coronéis regionais dos quais são associados.
É o que explica a Rede Globo ter como afiliados ACM, na Bahia, Sarney, no Maranhão, os Collor, em Alagoas – entre outros.
Volte-se, agora, ao caso CBN, especificamente a Manaus.
No momento, a CBN Manaus empreende uma campanha terrível contra uma cidadã, uma médica sem vinculações políticas – simpatizante de José Serra nas últimas eleições – que, nos confins do país, tenta exercer uma função cidadã denunciando os esbirros dos coronéis políticos locais.
Ela denunciou ações do prefeito de Manaus e passou a sofrer represálias terríveis, uma perseguição pessoal que afeta sua vida profissional e familiar – é mãe de uma recém-nascida. Indagada sobre a perseguição, a direção nacional da CBN respondeu que ela que se defendesse na Justiça. Mariza Tavares, bela jornalista, endossou a atuação de Ronaldo Tirandentes, representante do coronelismo eletrônico mais truculento e anacrônico.
A partir das pesquisas do nosso Stanley Burburinho, algumas informações sobre o braço da CBN Manaus, o empresário Ronaldo Tiradentes, com fortes ligações com o coronel local Amazonino Mendes.
Tiradentes já foi denunciado por compra do diploma de jornalista. O autor da denúncia é o jornalista Marcos Losekann no livro “O ronco da pororoca: histórias de um repórter na Amazônia”. Detalhe: Losekann é correspondente da própria Globo em Londres (clique aqui). Tiradentes já admitiu publicamente a compra do diploma de segundo grau.
Mais: Tiradentes incumbiu a repórter Andréa Vieira da perseguição à médica Bianca Abidaner. A repórter foi nomeada Assessora Técnica da Prefeitura de Manaus pelo próprio Amazonino Mendes. No mesmo dia, Marcos Paz Tiradentes, irmão de Ronaldo, foi nomeado DAS-1 da Secretaria Municipal de Limpeza Pública, pelo mesmo Amazonino.
Aqui os dados sobre a assessora. Aqui o documento de sua nomeação para a assessoria da prefeitura. Aqui, a nomeação de Marcos Paz.
De que lado, afinal, está a CBN? Do suposto país moderno ou do que mais atrasado existe na política nacional?”, finaliza o texto de Nassif.
Mesma pergunta deve se fazer ao sr. Francisco Nogueira, diretor da Enter-Entertainment Experience.
De que lado, afinal, está a Enter, ligada à Band, parceira da Globo/Geo Eventos no futebol tradicional, nova franqueada brasileira do concurso Miss Universo(*)? Desse suposto país moderno acima narrado pelo Nassif ou das práticas mais atrasadas não só na política, mas também no entretenimento, no esporte e no jornalismo nacionais?
Faltou fazer essa pergunta ao Andy Cohen e a Natalie Morales antes do Miss Universo(*) 2011. Mas a história só estourou agora, 17 dias após a eleição da angolana Leila Lopes na cara do roteirista/piloto de corrida Hélio Castroneves, que mais parecia ditar uma fala de The Killing (AMC, A&E) do que perguntar à Priscila Machado.
Ou seja, faltou o chefe das Real Housewives da Bravo escutar o ronco da pororoca segundo um funcionário da Rede Globo baseado na Inglaterra.
(Cohen só não o escutou porque o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, não deixou a Miss Universe Organization e a NBC/Telemundo despacharem equipe de gravação para Manaus.
Coitado do Amazonino…).
Repito: o que interessa à Globo não é o concurso de Miss Brasil(*) e sim fazer análise ginecológica das fotos da Mulata Difícil do estorvo do Zorra Total na Playboy de outubro de 2011, graças a Andrea Vieira travestida de Veena Sud e Mireille Enos e Ronaldo Tiradentes travestido de Chistopher Meloni.
Já demonstrei isso com a Tessália e a Lia Khey.
E com a passista Jaqueline.
Quem mais falta?

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Globelezação, Imperialsmo midiático, Imprensa monopolista, Mondo cane, Poderes ocultos, Podres poderes, Realidade brasileira, Southland do sensacionalismo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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