A falácia da Band acerca do Miss Universo Brasil(*) e dos concursos estaduais


As promessas da Enter após expulsar a gaeta(**) da franquia brasileira do Miss Universo(*)

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Fernando Borges/Terra e Divulgação/The CW

https://i1.wp.com/img.terra.com.br/i/2011/09/16/2026871-4920-cp2.jpghttps://i1.wp.com/www.daemonstv.com/wp-content/uploads/2011/07/the-secret-circle-cw-poster-01.jpeg
Britt Robertson para a angolana Leila Lopes: o Brasil ainda vai continuar a tomar pau no Miss Universo(*) da Band, aliada da Globo no futebol de merda que o país produz

Antes da análise, a notícia abaixo que circulou ontem em vários sites:

“Sexta-feira, 16 de setembro de 2011 – 09h55
Band amplia parceria com o Miss Universo(*)
Objetivo é dar novo impulso aos concursos de beleza no Brasil

Do eBand

A parceria entre a Band e a organização do Miss Universo(*) será ampliada. A Enter, empresa de eventos do Grupo Bandeirantes, assinou um contrato com Donald Trump e a NBC para dar um novo impulso aos concursos de beleza no Brasil.
A partir de agora, a Enter será responsável pelas competições no país que levarão a chancela da organização internacional, e serão consideradas etapas classificatórias para o Miss Universo. As competições classificatórias serão chamadas Miss Universo Brasil.
O controle dos 27 concursos regionais do Miss Universo Brasil(*) será da Enter, que será responsável por tudo, da seleção das candidatas à transmissão do evento.
Frederico Nogueira, vice-presidente da Band responsável pela Enter, explica o projeto. “na prática significa que estamos criando um novo concurso no Brasil com o objetivo de melhorar ainda mais a qualidade das competidoras.”
“Há 40 anos o Brasil não vence o Miss Universo, queremos mudar essa realidade”, afirma o executivo. Segundo ele, ao assumir o controle de todas as etapas regionais a Enter também passa a ter um banco de modelos nacional.
O resultado dessa estratégia será visto na tela da Band. Em 2012, a emissora programa a transmissão de pelo menos 12 concursos regionais, além do Miss Universo Brasil(*) e do próprio Miss Universo(*)”.

Primeira consideração: de 2003 até agora, a Band somente retransmitia o Miss Universo(*) mediante permissão da Rede Globo (que impediu o SBT de transmitir o certame internacional de 1990 a 1997 e de 1999 a 2001 e a Rede TV! de fazê-lo em 2002). Esse negócio agora acabou: vem direto da matriz da Comcast-NBCUniversal, em Nova York, endossada pela subsede da Filadélfia (que abarca os canais a cabo do grupo – ou parte deles).
Outra: “…para dar um novo impulso aos concursos de beleza no Brasil” significaria enquadrar todos (eu disse TODOS) os coordenadores estaduais, municipais e zonais que, porventura, deixarem suas candidatas irem para realities de esgoto como o Big Brother e rasgarem o regulamento para posarem peladas a 10 dias de fazerem suas sucessoras. Já toquei nessa tecla e volto a insistir: nenhuma Miss Pernambuco(*) pode posar nua para revistas masculinas com reinado em andamento. Vai sobrar para o promotor Miguel Braga, que deixou Michelle Fernandes da Costa posar nua para a Playboy nas barbas do regulamento, ainda reinando como Miss Pernambuco(*) 2008 e recém-saída do BBB 9, da TV Globo. Resultado: todos nós conhecemos.
Terceira: “A partir de agora, a Enter será responsável pelas competições no país que levarão a chancela da organização internacional, e serão consideradas etapas classificatórias para o Miss Universo. As competições classificatórias serão chamadas Miss Universo Brasil”. Certo. Essa mudança vai criar um ambiente de constrangimento entre os coordenadores estaduais historicamente ligados à gaeta(**) (e por tabela, ao monopólio da Globo). Vai criar uma espécie de racha entre as franquias, uma briga fratricida por espaços, a ponto de deixar rastros de sangue, mortos, mutilados e feridos. Ninguém vai sobreviver à essa carnificina, digna de policialesco globelezado padrão Chase da Lâncome do Law & Order: SVU. Kelli Giddish, Cardinot, Ruben Studdard, Jô Soares, Andrézão do Grupo Molejo, Paula Abdul, Marimoon, Pauley Perrette, Zooey Deschanel, o cara do caminhão de gás da Ultragaz que toca Beethoven no seu sistema auditivo e Clay Aiken que os digam.
Terceira coisa: “O controle dos 27 concursos regionais do Miss Universo Brasil(*) será da Enter, que será responsável por tudo, da seleção das candidatas à transmissão do evento”. Ora, a Enter, sendo um braço da Band, não terá como contriolar, por exemplo, um concurso de Miss Ceará(*), cujos direitos de transmissão, na prática, pertencem à TV Verdes Mares (afiliada da Globo em Fortaleza). (Na teoria, a TV Diário faz de conta que o promove. Parola: não faz nem isso).
Quarta coisa: Em palavras de Francisco Nogueira, chefão da Enter, “…na prática significa que estamos criando um novo concurso no Brasil com o objetivo de melhorar ainda mais a qualidade das competidoras”. Ora, se a Band está criando um novo concurso nacional de beleza feminina, está se vendendo um comercial subfaturado de 30″ em relação ao preço de tabela cobrado pela The CW para os anunciantes que investiram em The Secret Circle, cujos direitos de exibição na TV paga brasileira são do Warner Channel. Na prática o quê? Melhorar o quê, se a qualidade dos concursos estaduais válidos até ontem para a quadrilha da gaeta(**) é uma porcaria de tão mal-produzidos que são, a ponto de construir uma trama de horror como a protagonizada pela Britt Robertson do Life UneXpected do Brasil Urgente?
Quinta coisa: “Há 40 anos o Brasil não vence o Miss Universo(*), queremos mudar essa realidade”. Outra mentira de Nogueira: o Brasil toma ferro das concorrentes no certame há 43 anos, já contando a soap opera da traição à Pátria estrelada pelo piloto Hélio Castroneves ante a Miss Brasil(*) Priscila Machado, no Miss Universo(*) 2011. Mesma coisa que matar a Rosie Larsen num canal de TV sob concessão do Estado brasileiro (a Band), ante os olhares perplexos de minguados 5,3 milhões de telespectadores nos Estados Unidos (esses preferem o zangadão do Gordon Ramsay na FOX e os saradões do Bachelor Pad a um concursinho furreca de beleza – antes a Alyssa Campanella tivesse ficado entre as 10 semifinalistas).
Outra notícia, desta feita da Tribuna do Norte de Natal (colona[***] Canal Zap), antes de partirmos para os comentários:

Beleza brasileira

O “Miss Universo 2011″(*) deixou um legado importante para a Band. A Enter, empresa de eventos do Grupo Bandeirantes, firmou parceria com Donald Trump, empresário americano, e a NBC, rede de televisão americana, para alavancar as seletivas do concurso de beleza no Brasil. “Na prática, significa que estamos criando um novo concurso no Brasil com o objetivo de melhorar, ainda mais, a qualidade das competidoras. Há 40 anos, o Brasil não vence o Miss Universo, queremos mudar essa realidade”, sintetiza Frederico Nogueira, vice-presidente da Band responsável pela Enter”.

Reside aí a sexta lorota dos plutocratas do Morumbi: “O “Miss Universo 2011″(*) deixou um legado importante para a Band”. Não deixou legado nenhum a não ser a hagiografia contada abaixo pelo Provocador do R7:

Miss Universo(*) é um show de horrores

Concurso de miss é uma das maiores chatices que já inventaram. Parecia ter caído no merecido esquecimento, mas eis que ressurge das cavernas da TV brasileira esse show de feiúra e cafonagem.
Talvez na década de 60 ainda fizesse algum sentido esse desfile de mulheres seminuas e soterradas em laquê. Faz parte do anedotário universal as declarações imbecis das candidatas querendo se passar por meninas puras e noras ideais.
Tenho certeza que a associação de beleza com burrice vem desse circo de horrores. É um enredo tão engessado, fútil e artificial que dá vontade de casar com a primeira baranga que aparecer.
Mais insuportável que um amontoado de feministas gordas e mal-humoradas, só uma fileira de magrelas sorrindo à toa. Pobres mulheres.
Por outro lado, a nudez feminina se tornou algo tão banal e estúpido que pode haver uma dose de saudosismo nessa ressurreição das barbies. Como eram bons os tempos em que modelos se comportavam como garotas de programa (de TV, que fique claro).
Porque, convenhamos, ainda mais no Brasil, ver uma moça bonita, despida, em poses sensuais, se tornou tão comum quanto sexo na novela das oito. Democraticamente, os homens agora também tiram a roupa em público. Que beleza.
Pelo menos elegeram uma negra. Bonita, a moça. Já a brasileira, deve ter sido convocada pelo Mano Menezes. E, sinal dos tempos, já posou para sites pornográficos. Mais um pouco, farão test drives com jurados?
Mas, como todas as misses que já vi, perdem fácil se formos a uma praia e prestarmos atenção nas meninas que passam, tão cheias de graça, num doce balanço, a caminho do mar…”.

Reprodução/Playboy (via Galeria das Famosas)

http://galeriadasfamosas.files.wordpress.com/2011/02/revistaboa-wordpress-com-219.jpg
Na foto, o único “legado” deixado pelo Miss Universo Brasil(*) da gaeta(**)

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)
(**)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses
(***)Convém lembrar que colona não tem nada a ver com cólon da Gyselle Soares. Tratam-se de colonistas que, na visão de Paulo Henrique Amorim, “…tratam o Brasil da perspectiva do que imaginam que a Metrópole imaginaria o Brasil. No caso específico de Gaspari, ele trata o Brasil da perspectiva do que imagina que os professores de Harvard pensariam do Brasil e dele…”. Para o Críticas, tratam-se de colonistas sociais que tratam o Brasil como um combinado de Venezuela em termos missológicos com um Sudão em termos econômicos, sociais, de infra-estrutura (vide a campanha que a Globo e a Band fazem contra a Copa de 2014 e as Olimpíadas de Verão de 2016 por causa dos aeroportos) e de educação. Mais: tratam-se de colonistas sociais, calunistas de sites de celebridades, de jornais facistóides e de revistas de entretenimento que jamais reconhecerão Haley Reinhart, James Durbin, Scotty McCreery e Lauren Alaina, finalistas do American Idol em 2011, como promessas da indústria fonográfica. Preferem a Paula Fernandes, o Neymar, o Elano, o Luan Santana, a Nayla Micherif, a Mariana Rios, namorada do Di do NXZero e a Giovanna Lancelotti, namorada do Pê Lanza do Restart, ambas empregadas da Rede Globo, à Pia Toscano, ao Paul MacDonald, ao Ruben Studdard, à Lindsey Vonn, ao Johnny Weir, ao Clay Aiken, ao Francis Lopes, ao saudoso Raimundo Soldado, ao Israel Lucero, ao LeeDewyze, ao Goffredo da Silva Telles Jr., autor da Carta aos Brasileiros de 1977, à Sarah Michelle Gellar….

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em American Idol da incompetência missológica brasileira, Água oxigenada, Criminal Minds: Pesadelo de Miss, Criminal Minds: Suspect Behavior do Evandro Hazzy, Eventos, Hannah Montana e suas Grandes Irmãs, Jóia da coroa, Law & Order: Pesadelo de Miss, Mondo cane, NCIS: Pesadelo de Miss, Nossas Venezuelas, Parenthood do Macunaíma da incompetência missológica brasileira, Prime Suspect Behavior da Sônia Abrão, Projetos especiais, Realidade brasileira, Robert Goren do Datena do Brasil Urgente, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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