A produção cultural e a vida universitária no (des)governo FHC


Carla Perez, Gera Samba, É o Tchan, Kate Walsh, Bristol Palin e a destruição das universidades federais brasileiras de 1995 a 2003

Reprodução

https://tvemanalisecriticas.files.wordpress.com/2011/09/carlaperez-playboy1996.jpg?w=225
Bem vindos à idiocracia!

Texto da feminista mineira Cynthia Semiramis em seu blog:

Lembranças: vida universitária no governo FHC

Outro dia me vi contando para colegas de faculdade bem mais jovens como era a educação universitária no governo Fernando Henrique Cardoso e porque eu tenho tanto desgosto por essa época. Achei que seria interessante deixar o registro no blog também, para refrescar as lembranças e lutarmos para que algo assim não volte a acontecer.
Passei a década de 1990 praticamente inteira dentro da UFMG. Primeiro na Escola de Música, cursando formação musical enquanto fazia o segundo grau. Fiz um intervalo de um ano, em 1996 (aqui já era governo FHC), estudando pro vestibular. Depois, cursei a faculdade de Direito. A formatura seria em dezembro de 2001, mas foi em fevereiro de 2002 por causa da greve de servidores.
Lembro-me da aposentadoria em massa dos professores da Escola de Música, pois estavam sendo implantadas novas regras para trabalho e previdência que seriam ruins para os docentes. Mais tarde, vi o impacto dessas aposentadorias na Faculdade de Direito: as vagas deixadas em aberto pelas aposentadorias foi preenchida em sua maioria por concursos de professores temporários (os famosos professores substitutos).
Alunos de pós-graduação ou bacharéis em Direito sem pós-graduação (não havia cursos de especialização, havia pouquíssimas vagas de mestrado e doutorado na UFMG, e o mestrado da PUC-MG só foi implantado em 1997) eram contratados como professores substitutos, recebendo um salário de R$300,00 (baixo, mesmo para a época) para ministrar aulas. Como professores temporários ficavam somente em sala de aula, não desenvolviam pesquisa. As poucas vagas abertas para professores efetivos exigiam dedicação exclusiva, com salários baixíssimos e sem recursos de nenhum tipo para desenvolver pesquisa.
Alunos de graduação que quisessem seguir carreira acadêmica tinham de se dispor a fazer pesquisa e monitoria de forma voluntária, pois as raríssimas bolsas não eram suficientes para todos os candidatos aprovados. A ausência de bolsas afastou alunos que queriam fazer pesquisa, mas que não tinham família para bancar seus estudos: ou trabalhavam (e aí eram recusados na monitoria/pesquisa voluntária, pois muitos orientadores exigiam dedicação em tempo integral), ou se sujeitavam a pesquisar sem bolsa e aguardar pacientemente na fila até obtê-la.
Os prédios onde estudávamos eram ruins, pois não havia um mínimo de preocupação com planejamento ou manutenção. Os elevadores nunca funcionaram a contento, e sempre alguém ficava preso neles. A faculdade de Direito conseguiu fazer algumas reformas em meados da década de 90, alterando um dos prédios (o menos velho) para receber todos os alunos de graduação, e ampliando a biblioteca (que funcionava num porão e passou a ter um prédio acima do porão, com mais mesas para estudo, novas instalações elétricas e até elevador). Porém, o problema da manutenção era sério: quando um professor e meus colegas ficaram presos no elevador da biblioteca e foi necessário destruir sua porta para que eles saíssem, mais de seis meses se passaram até consertarem o elevador e reorganizarem a biblioteca.
Falando em biblioteca, ela era um horror: só tinha livros velhos, mofados, e poucos periódicos estavam atualizados. Estudar na biblioteca era sinônimo de sinusite e alergias. Cansei de estudar lá em época de chuva ouvindo goteiras. Não havia verba para comprarem os livros indicados pelos professores. O D.A. fazia campanhas incentivando editoras a doarem livros para melhorar o acervo.
O período em que estudei foi também o período das greves. A de 1998 é particularmente memorável, pois metade dos professores entrou em greve (eram os professores em dedicação exclusiva) e metade não aderiu à greve (professores substitutos, em estágio probatório, e em tempo parcial que priorizavam atividades não-acadêmicas como advocacia). A greve foi de março a julho, e bagunçou todo o calendário acadêmico por cerca de dois anos. Pra mim, o impacto da greve foi terrível, pois tive aula direto entre março e outubro (primeiro com os professores que furaram a greve, e depois com as aulas de reposição) e o novo calendário bagunçou todo o esquema de férias, que passaram a ser bem curtas, em maio e outubro, totalmente incompatíveis com minhas férias no trabalho. Ter aulas em salas abafadas em pleno 40 graus de janeiro foi algo bastante desgastante, não tinha ventilador que amenizasse o desconforto (pelo que me explicaram, a reforma do prédio para receber as turmas de graduação alterou – pra pior – a circulação de ar).
Quando o calendário voltou ao normal, veio outra greve. E mais outra, e mais outra… quando não era greve de professores, era greve de servidores, ou de ambas as categorias. E todos tinham razão em suas reivindicações: salários baixos, congelados, planos de carreira que só retiravam direitos, e péssimas condições de trabalho.
Não tenho saudade das dificuldades dessa época, e ainda não entendo como um presidente que era professor universitário conseguiu destruir a universidade desse jeito.
Estando hoje novamente na UFMG, vejo o quanto algumas coisas mudaram (mais verbas pra pesquisa, bolsas de monitoria, novos livros – inclusive estrangeiros – na biblioteca). Tem muita coisa que pode ser melhorada (como a manutenção dos prédios e elevadores), mas não tem nem comparação com o pesadelo que foi estudar durante o período Fernando Henrique Cardoso. Às vezes é necessário ver ou viver situações bastante ruins para dar valor quando elas melhoram…”.

Testemunhas:

“Flavia Nogueira on 17/08/2010 às 09:22 said:

Olá Cynthia!

Mesmíssima coisa na UFV – Universidade Federal de Viçosa. Estudei lá entre 1995-2002, incluindo Mestrado, o qual fiz, dividindo a bolsa de 700 reais com mais dois estudantes! Como você, eu tive problemas com as greves. Lembro que fizemos uma greve de estudantes, pois os aumentos do “bandeijão” eram constantes e injustificáveis. Faz 7 anos que não apareço por lá, mas as notícias são bem melhores, atualmente.
Seu texto está ótimo e deveria ser mais divulgado, para que o pessoal mais novo tenha conhecimento das dificuldades que todos passamos durante essa administração do “professor” FHC e do inesquecível ministro Paulo Renato”.

“juliana m. on 17/08/2010 às 12:27 said:

estudei na Escola de arquitetura da UFMG entre 1997 e 2002 e foi a mesma coisa. Lembro também que havia constantes ameaças de fim de programas de bolsa para discentes, como o PET. Outro dia alguém escreveu no twitter: quem estudou em federal no governo do FHC não vota no Serra. acho que é um raro consenso”.

“Rogério Santos on 17/08/2010 às 14:40 said:

Estudei na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia entre 2002 e 2006, e a situação da faculdade não era muito diferente da UFMG na era FHC. Curso cheio de professores substitutos, prédio em total abandono, biblioteca pobre e que funcionava só até as 14h, constantes assaltos e até estupros nas dependências da faculdade… A situação era tão vexatória que os estudantes eram obrigados a levar papel higiênico e sabão para usar na faculdade se não quisessem passar vergonha. Foi construído um prédio novo, mas as salas são tão quentes que no verão se transformam em verdadeiras “saunas de aula”.

A única diferença é que não havia elevador na época em que eu estudei lá. Exceto isso, a situação era a mesma”.

“Flávia on 17/08/2010 às 16:50 said:

Concordo com tudo que foi dito por aqui… Não fui universitária no governo FHC, mar meu irmão foi e, pior, meu pai é professor universitário. Ou seja, a minha família sentiu na pele a crueldade que foi praticada contra o ensino universitário por FHC e Paulo Renato (esse nome me provoca arrepios até hoje). Meu pai sempre foi envolvido em diversas pesquisas e, de repente, ficou sem nenhuma. O baque financeiro também foi grande. O que nos salvou (pelo menos financeiramente), foi que nesse período meu irmão foi aprovado para a UFRN e eu entrei na ETFRN. E testemunhei a tentativa desses dois sujeitos de desmantelar as escolas técnicas. Foi um período difícil, também de muitas greves, protestos. Ver o que Lula fez com o ensino técnico e superior do nosso país me emociona”.

“Alexandra on 17/08/2010 às 17:45 said:

Estudei na UFRJ em 1993, na UnB em 1994, na UFPE em 1995-96, e na Uni-Rio em 1997-1999. Com exceção da UnB, o que vc diz poderia descrever exatamente como estava a situação em cada uma delas. Na UFPE a falta de professores era um problema gravíssimo – na época de matricula mais da metade das materias obrigatorias nao tinham professor. Na ultima hora conseguiam mestrandos para dar a disciplina. A qualidade era terrivel. Ninguem sabia quando ia se formar por causa das greves. Bom saber que as coisas melhoraram”.

“Adam on 17/08/2010 às 20:06 said:

Olá, Cynthia!

Estudei na UnB de 2002 a 2009 e pude ver como as coisas melhoraram, mesmo. O número de bolsas aumentou (não muito, mas significativamente), a biblioteca melhorou e os laboratórios (os que conheci) também. Mais professores de carreira foram contratados. Houve muitas greves, mas a densidade foi menor (eram de dois em dois anos, passaram a ser de três em três anos, uhu!); para falar a verdade, a maioria das greves eram EMHO absurdas, mal conseguiam fazer uma reivindicação consistente, mas também houve, em 2008 ou 2009, a única greve que até os mais antissindicalistas dos professores apoiaram, quando iam cortar um auxílio praticamente incorporado ao salário dos professores. A infraestrutura, por sua vez, deu uma melhorada monstruosa nos últimos anos: prédios inteiros foram construídos para expandir a universidade, que recebia mais e mais alunos.
Enfim, mudou bastante e para melhor! Mas, para falar a verdade, eu queria uma compraração das universidades públicas durante o governo FHC com as universidades antes do governo. Vai que as universidades eram cidadelas governadas pela Tina Turner antes disso, né? De qualuer forma, para mim a melhora na universidade foi evidente durante o governo Lula”.

“denise bottmann on 18/08/2010 às 19:44 said:

de fato deve ter sido terrível para os estudantes desse período. mas gostaria de apresentar o outro lado da questão, não porque concorde ou deixe de concordar, e sim apenas a título informativo, para a coisa não ficar solta no ar. como diz adam, “Mas, para falar a verdade, eu queria uma comparação das universidades públicas durante o governo FHC com as universidades antes do governo”.
aqui falo de minha experiência pessoal na unicamp, onde dei aulas até 1996. a coisa aconteceu em dois momentos distintos. o primeiro deles foi que, antigamente, os professores das universidades públicas se aposentavam com aposentaria integral, incorporados todos os benefícios da carreira com efeito cumulativo (5% por quinquênio, percentual sobre cargos desempenhados, como chefia de departamento, coordenação de pós-graduação, representação nos conselhos, e assim sucessivamente). foi quando começou o fim dos benefícios das aposentadorias especiais do funcionalismo público. tivemos um prazo de opção, para escolher o chamado “regime especial”, que era o nosso vigente, e a clt. foi dado um prazo também para a transição até começar a valer o novo regime de aposentadoria.
assim, neste momento muitos professores pediram aposentadoria, mesmo alguns anos antes do que seriam os 30 anos, para poder gozar da aposentadoria integral incorporando todos os benefícios da carreira.
o segundo momento, estritamente vinculado a essa “moralização” do serviço público, dizia respeito ao regime de trabalho dos docentes. praticamente todos, salvo raras e honorabilíssimas exceções, trabalhavam em RDIDP, isto é, regime de dedicação integral à docência e à pesquisa, com carga horária de 40 horas semanais, mas na verdade davam apenas um ou dois cursos por semestre, e muitas vezes iam à universidade apenas 4 ou 8 horas por semana. isso ocorria sobretudo com os mais conhecidos, os “figurões”, mas era praxe mesmo entre nós, do “baixo clero”. assim, naturalmente, havia bastante carência de atendimento aos alunos e uma eterna falta de professores, pois a maioria não cumpria e nem cumpriria as 40 horas do rdidp. então, quando houve essa reformulação, foi-nos dada a opção de ou cumprir as 40 horas, ou mudar para regime de 12 ou 20 horas ou pedir demissão. como muitos davam aulas apenas como um complemento “de prestígio”, jamais aceitariam redução dos salários (muitos nem moravam em campinas e iam apenas de manhã e voltavam à tarde, fosse para são paulo ou mesmo rio de janeiro) e jamais trocariam suas atividades principais para se mudar para campinas e prestar as 40 horas, alguns poucos refizeram seus contratos agora em regime de RTC com 12 ou 20 horas, basicamente apenas para docência, sem pesquisa, mas inúmeros preferiram simplesmente se demitir.
na verdade, no sistema anterior de professores quase fantasmas, com aposentadorias bastante acima de qualquer realidade nacional, o que havia era uma sangria infindável dos recursos das universidades, um atendimento cada vez mais raro e precário aos estudantes, e baixa dedicação à pesquisa dentro da universidade.
a tudo isso se somou a implantação de relatórios anuais obrigatórios sobre a produção de pesquisa acadêmica, o que também foi outra cobrança que não agradou a muitos membros da comunidade acadêmica.
a reforma de paulo renato não foi indolor, mas certamente não saiu do chapéu: vinha no lastro de décadas de desperdício de verbas públicas e grandes carências, também, por sua vez, decorrentes da herança deixada pela época da ditadura.
assim, se atualmente os recursos podem render e efetivamente rendem melhores resultados (pois afinal o percentual destinado às universidades não aumentou tanto assim: está havendo é um aproveitamento mais correto), é porque houve essa reforma universitária que foi corajosa, na época despertou muitas antipatias e reações, mas permitiu remover muitas ineficiências. lamentavelmente atingiu duas ou três gerações docentes, mas certamente antes também havia muitos problemas, embora diversos”.

“lucas on 18/08/2010 às 20:29 said:

A mesma coisa na UFRGS, sem tirar nem pôr. A turma do FHC faz mal pras universidades brasileiras”.

“Kenia Fernandes on 05/10/2010 às 08:51 said:

Estudei na UFMG entre 1994 e 1997. Situação trágica, falta de professores, equipamentos sucateados, luta heróica dos poucos docentes que restavam no curso de Relações Públicas para manter a qualidade do ensino. Fomos jogados às traças…”.

“Daniel Machado on 05/10/2010 às 13:54 said:

Fui um desses professores substitutos e concordo plenamente. Hoje vejo que não estava 100% preparado para lecionar e contei com a vontade e ajuda dos professores titulares. Enfim, muita coisa mudou mesmo, menos na USP que, pelo fato de ser estadual, está muito atrasada em relação ao restante do Brasil. Fora que só agora inicia-se o processo de internacionalização. Excelente texto, elucida muito a questão”.

“Taissa Rodrigues on 05/10/2010 às 18:06 said:

Eu estudei na UFMG de 2001 a 2004 e fui professora substituta lá em 2006-2007. Na época, o salário de substituta era de 500 reais. 3 anos depois e já está a 1500 – agora sim dá até para pagar as contas…”.

“Henrique Placido on 05/10/2010 às 21:44 said:

Entrei na UFRJ em 2001/1 e peguei o finzinho do FHC. Logo no começo do segundo período rolou greve, que se não me engano foi até dezembro ou começo de 2002. Foi uma das greves mais longas da UFRJ, chegou a afetar até mesmo o vestibular.
Nessa época, o reitor era o famigerado Vilhena, último da lista tríplice, mas imposto por Paulo Renato. Diziam que ele privilegiava aliados na distribuição de recursos. Não sei o quanto disso é verdade, mas era nítida a diferença de conservação entre o CCJE e a ECO, respectivamente pro e contra o reitor, que ocupam alas do mesmo prédio. Você andava por corredores caquéticos até passar pelo portal que dividia as duas unidades (só uma porta com batente alto, mas a sensação era a de que era um portal para outra dimensão mesmo) e entrar no CCJE, onde tudo passava a ser limpinho e reluzente…
Só vi a ECO melhorar quando nas gestões do Carlos Lessa (2002) e, já sob Lula, o Aloísio Teixeira — que havia conquistado o primeiro lugar na mesma lista em que Vilhena ficou em último. Finalmente a unidade pôde ter banheiros limpos com papel higiênico, paredes pintadas, os equipamentos da Central de Multimídia sofreram upgrade, etc”.

“Adilson on 06/10/2010 às 08:09 said:

Impressionante como seu relato se confunde com centenas, milhares de histórias semelhantes. Estudei na Universidade Federal do Ceará entre 1996 e 2000 e, durante a leitura, tive impressões profundamente vivas de que sua história também é a minha.
O momento é de mobilização para que este tipo de história não se repita. Por convicção, por patriotismo, por pensar em futuro melhor para nossos filhos.

Um abraço, Cynthia”.

“Mauro A. Homem Antunes on 06/10/2010 às 09:38 said:

Olá Cynthia,

Também não tenho boas lembranças da época FHC. Voltei dos Estados Unidos com Ph.D. e levei quase cinco anos para conseguir um emprego definitivo. Foram dois anos e cinco meses como bolsista recém-doutor no INPE, mais dois anos como professor substituto na UFV e mais quatro meses como efetivo na UFG, mas em área não adequada. Só depois consegui uma posição adequada na UFRRJ. Já estava quase voltando para os Estados Unidos para trabalhar em uma Universidade.
Só que eu acho que não é o Lula que foi melhor, e sim as circunstâncias externas e internas que elevaram este governo ser melhor para as universidades. Existe uma pressão para que os países atinjam metas para que 30% dos jovens estudem em universidades. A dupla FHC/Paulo Renato quiseram atingir esta meta através do aumento de universidades e faculdades particulares. Até ajudaram financeiramente as particulares, mas o resultado não foi satisfatório porque se esgotou a capacidade financeira da grande massa da população para pagar uma faculdade particular. Veio então o governo Lula. Este quis abrir duas frentes: aumentar o número de vagas nas federais principalmente através do REUNI e nas particulares através do ProUni. Com todas estas estratégias provavelmente não chegaremos aos meros 20% até o final de 2012. O próximo governo vai ter que enxergar uma nova frente a ser aberta, que acredito ser o aumento dos cursos de superiores tecnológicos.
Só para lembrar, na Inglaterra 40% dos jovens passam por Universidades. Na Alemanha e em boa parte dos outros países da Europa este número é de 30%. E lá, nas universidades que aderiram ao processo de Bologna boa parte dos cursos passaram para 3,5 anos, mesmo os de Engenharia, com possibilidade de PG/espacialização de 2 anos em seguida à graduação.

Parabéns pelo Blog!”.

“Luciano Lopes on 06/10/2010 às 16:08 said:

Belo texto , deixei de me formar pelo CEFET – RJ pelo mesmo motivo … faltavam professores e a expectativa de trabalho era péssima , a industria em decadência e até a PETROBRAS tinha deixado de ser interessante …. Aliás , por pouco não foi destruída e vendida pelo FHC…”.

“Antonio Solé on 06/10/2010 às 21:12 said:

Sou professor da UFRJ desde 1992. Ou seja, testemunhei (ou melhor, sofri) todo o mandato do Fernando Henrique/Serra/Paulo Renato. O que esse trio fez com as Universidades públicas foi típico da estratégia seguida para privatizar: primeiro faz com que o serviço fique tão ruim que, no final, as pessoas acabam achando que privatizar é bom. Fizeram assim com as telecomunicações, fizeram assim com a saúde (os planos de saude privados cresceram imensamente nesse período) e tentaram fazer isso com a Petrobras (cortando recursos na manutençao, o que levou até à queda de uma plataforma, justamente quando começaram a falar na Petrobrax, uma tentativa de privatização). No caso da nossa UFRJ e das outras federais foi a mesma coisa: estrangulamento de verbas (não tinha dinheiro nem para pagar a conta de luz!), precarização do ensino com a contratação de professores substitutos e, no nosso caso, intervençao com a escolha, pelo Paulo Renato, de um reitor incompetente e sem representacao (o Vilhena). Sob o Vilhena, que nao tinha recebido nem 10% dos votos na consulta eleitoral, nao tinhamos reunioes do conselho universitario, e houve claro muitos protestos. Felizmente, os movimentos de resistencia dos professores, servidores e alunos, através de inúmeras greves e protestos, conseguiram freiar a destruição das universidades publicas, mas foi justamente nesse período que as faculdades privadas quintuplicaram em número. Acho que podemos dizer, sem sombra de duvidas, que a gestao do PSDB no governo foi um desastre para a educação do Brasil. Que Deus nos livre de termos de sofrer novamente um governo desse pessoal!”.

“RÔ Gomes on 07/10/2010 às 16:40 said:

Conheço muito bem a situação da era Collor-FHC na educação pública federal… Isso porque eu fui estudante e professora na época, senti os problemas como grevista e como aluna dos professores em greve…
De fato, em 1987 entrei por concurso no Colégio Pedro II, para ser professora do antigo primeiro segmento. Na época eu cursava a minha primeira graduação. Só tinha o ensino médio e recebia 10 salários mínimos!!!
Hoje, após 23 anos de serviço, duas graduações, pós-graduação, mestrado e um quase doutorado… advinhem????? Meu salário é um pouco mais de 10 salários mínimos!!!!!
Vale dizer que a situação melhorou bastante com a reformulação de plano de carreira proposto neste último mandato do governo Lula. Mas a defasagem salarial foi imensa nos 12 anos em que muito pouco se fez para a educação brasileira no país.
Não há como melhorar a educação básica se não existir investimento maciço na formação do professor, e isso inclui a pesquisa e os cursos de licenciatura. Houve muitos avanços nestes últimos anos, porém há muito mais para se fazer!!!!
Em 2012 eu deveria me aposentar, todavia, com a reforma previdenciária, sou obrigada a trabalhar mais 5 anos, por causa da idade mínima… O que as pessoas que fazem as leis não compreendem é que o desgaste físico e emocional de quem lida dia-a-dia com crianças pesquenas é muito grande. Então, acabo perdendo a aposentadoria especial de 25 anos porque precisei trabalhar desde muito jovem…
Mas, no final das contas, sou uma privilegiada, já que não serei mais uma doutora desempregada, realidade de vários colegas meus…
Como disse, analisando a minha experiência discente-docente no ensino público federal, muitas coisas melhoraram na fase Lula, mas ainda há muito o que se fazer pela educação para que o Brasil realmente possa ser considerado um país de “primeiro mundo”.

Ótimo depoimento, caríssima Cíntia!!!!”.

“Jaime R P on 07/10/2010 às 20:01 said:

Também viví essa época. Debandada dos professores antigos, pedindo aposentadoria e indo trabalhar nas universidades particulares. Contratação de professores substitutos medíocres por baixíssimos salários. Um deles me mostrou seu contracheque duma feita: ganhava menos que eu como bolsista. Depois dizem que cotas acabam com o ensino de qualidade…acho que tem mais coisas que acabam”.

“Leonardo Carneiro on 12/10/2010 às 13:30 said:

Olá Cynthia,
A reforma que a Faculdade de Direito fez no meio da década de 90 só foi possível em virtude da amizade pessoal do Diretor (prof. Aloísio) e o ex-presidente Itamar Franco.
Fora isso, teríamos ficado como o restante da UFMG. À míngua”.

“Paulo Costa on 17/10/2010 às 14:52 said:

O que você presenciou, foi o chamado Sucateamento das Universidades, com o simples propósito da Privatização das mesmas. Não consigo entender, como o povo não se dá conta, ou não vê, como a turma do FHC, entrega nosso País ao estrangeiro! Agora o Sr. Serra vem dizendo que nossas empresas tem que ser nossas e vai fortalece-las! Hora, que piada, é o mesmo discurso do FHC, dizendo que não iria privatizar! E o cara (FHC), mudou até a Constituição Brasileira, para poder entregar o País! Acorda meu povo, acorda!”.

“Vanares on 19/10/2010 às 23:41 said:

Cynthia, achei o seu texto interessante por relatar a situação do sucateamento das universidades de dentro. O mais engraçado é que muitos não acreditam no quanto a situação das IFES mudou (para melhor) no governo Lula.
Creio que também posso falar com alguma propriedade da situação da UFMG, já que tenho percursos diversos dentro da instituição: aluno do Colégio Técnico, entre 1998 e 2000, graduação de 2002 a 2007, servidor da UFMG e aluno de mestrado desde 2008.
Tive experiências desagradáveis como aluno do Colégio Técnico da UFMG, entrando em 1998 e enfrentando uma greve de quase 4 meses, logo de cara (a mesma que você pegou). Eis que quando o calendário estava regularizado, em 2001 tivemos nova greve por motivos semelhantes e, dessa vez, fui prejudicado como aluno da graduação.
Naquela mesma época, não tinhamos bons recursos como laboratórios modernos e a infraestrutura estava em frangalhos, sem materiais de limpeza e manutenção. Vale até ressaltar a moratória que a UFMG teve que declarar por não estar recebendo determinadas verbas do governo federal (em 2002), deixando de pagar contas de água, luz e telefone, e fazendo com que a reitora da época, Ana Gazzola tivesse que ir pleitear (ou implorar) verbas diretamente em Brasília, tal era a situação caótica.
Confesso que comecei a sentir a diferença em 2005, quando pude participar, com bolsa de projeto de Iniciação Científica e a faculdade onde eu cursava graduação começou a receber novos professores concursados, além de equipamentos e melhor infraestrutura.
Hoje, como mestrando, vejo o quanto existe fomento para a pesquisa e estímulo aos alunos a seguirem carreira acadêmica. Não só as vagas para cursos de graduação, mas também as de pós-graduação aumentaram sensivelmente. Como servidor da UFMG, vejo o número de novos docentes e técnicos admitidos nos últimos anos por meio de concurso, cerca de 400 nos últimos dois anos, número que, apesar de ainda ser insuficiente, supera em muito os 8 anos do governo FHC que teve apenas 2 concursos para técnicos-administrativos (enquanto que no de Lula, só de 2008 para cá são 4).
Meus colegas que trabalham a mais tempo também relatam as condições precárias de trabalho e, principalmente, o arrocho salarial da Era FHC. Mesmo que todos concordem que ainda a situação esteja longe de ser ideal, ela está muito melhor do que nos governos do PSDB. Além do mais, o governo Lula valoriza mais o servidor público (seja técnico-administrativo ou docente) do que os do PSDB (basta ver como está a situação dos servidores do estado de Minas Gerais sob a 8 anos de gestão desse partido).
Enfim, não quero parecer partidário ou algo do tipo, reconheço que o governo FHC teve seus méritos, principalmente com o Plano Real e algumas iniciativas no campo da saúde, mas a situação no governo Lula está, sim, melhor do que na época de seu predecessor, ao menos para as IFES”.

“Leo on 24/10/2010 às 17:43 said:

Olá Cynthia,
Quero parabenizá-la pelo excelente post. Durante o período mencionado, eu era aluno da UFES, no Espírito Santo, e minha situação foi a mesma, várias greves, total desperiodizamento e falta de professores(mesmo substitutos) e livros…
Passava vergonha de estudar numa Federal. Minha irmã entrou ao mesmo tempo numa faculdade particular, formou em 4 anos e começou a atuar cedo…eu me formei em qse 7 anos(sem exagero) e tive que passar boa parte da faculdade tentando conciliar com um mercado de trabalho super concorrido.
Juro que não consigo entender como tanta gente ainda aponta FHC como grande presidente do Brasil e Serra como mais preparado hoje…”.

“caio on 01/07/2011 às 17:55 said:

Fui estudante de Eng. Florestal na UFSM, Santa Maria RS e depois, mestrado em Sensoriamento Remoto na UFRGS, Porto Alegre RS, entre 1991 e 1998. Fui morador da casa do estudante, filho de pais trabalhadores assalariados, e sofri muito com os constantes ataques de FHC / P.R. à política de assistência estudantil. Falta de manutenção e ampliação da moradia estudantil, frente a crescente demanda dos filhos de trabalhadores, péssimo R.U., etc. Durante todos os anos tivemos greve de professores ou servidores destas universidades, sempre por melhores salários, o que inexoravelmente se reflete na qualidade da formação. Lembro de um excelente professor de Solos, que tinha concluído Mestrado a pouco, e sabíamos que o salário de professor universitário era pouco mais que R$ 1.200,00, uma vergonha. Só não gosto de lembrar do R.U. onde a carne tinha cor verde, o feijão tinha pedras de arenito, além dos insetos que ficavam dissolvidos no sumo e finalmente uns pedaços de galeto que pareciam, e provavelmente eram, pintos. Faltou falar no bem humorado, para não dizer triste, bife 007, frio, duro e com nervos de aço (HEHEHEHE!?). Por tudo isso, procure descansar em PAZ P.R. e que Deus da forma que a burguesia neoliberal compreenda lhe perdoe, talvez por sua ignorância da extensão de sua política e administração no Ministério da Educação, durante aqueles áridos anos.

Caio”.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em American Horror Story do JPB, Água oxigenada, Blue Bloods, Circo de horrores, Força da Grana, Imperialsmo midiático, Imprensa monopolista, Música, Mondo cane e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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