Transmissão ao vivo do concurso Miss Universo passa a ser obrigatória a partir de agora para a Band


Com ou sem horário eleitoral, concurso terá que ser transmitido na hora

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Bruno Zanardo/Fotoarena

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Andy Cohen falando para humoristas anti-semitas (Danilo Gentili) e incitadores de estupro (Rafinha Bastos) do CQC: sai pra lá, sai pra lá!

Já existe uma unanimidade dentro da Rede Bandeirantes defendendo a exibição, ao vivo, do concurso Miss Universo de agora em diante. Passa a ser norma a partir de agora. Com ou sem exibição de horário político, o certame na emissora paulista terá de acompanhar a transmissão encabeçada pelas redes americanas NBC e Telemundo. A experiência da última segunda-feira serviu de alerta sobretudo para os anunciantes do humorístico CQC, no ar desde 2008, que estavam acostumados à realização do certame num domingo. Esqueçam: a realidade agora é outra.
Não interessam os endossos publicitários do Marcelo Tas e da Mônica Iozzi: tem que atender o que está determinado no contrato de direitos de transmissão internacional. Tem que entrar com o Miss Universo na hora. A “barrigada” que a Band deu no Miss Universo 2010, empurrando para a uma da manhã, agora está terminantemente proibida por ordem da Miss Universe Organization para a TV aberta brasileira. Danem-se os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, que regulam o guia eleitoral. Dane-se a propaganda eleitoral gratuita (o Miss Universo 2012 vai acontecer no dia 3 de setembro, uma segunda-feira, período de campanhas para prefeitos e vereadores – Brasília tem governador e não prefeito e por isso não tem horário político em 2012). É ordem e tem que ser cuimprida.
Até ontem calados ante a burrada da Band no Miss Universo 2010, os executivos da Miss Universe Organization puxaram a orelha de Marcelo Meira, vice-presidente do canal, e ficaram indignados com a arrogância da emissora paulista em desprestigiar o concurso de beleza em favor de um humoristicozinho furreca, de fórmula argentina. Nada contra a Cuatrocabezas, mas obrigações de satélite internacional tem que ser cumpridas.
Exemplo: por anos a Globo transmitiu o Grammy ao vivo e nunca entrou com gravação, a não ser de 1991 a 1993, quando perdeu os direitos do Oscar da música dadas as burradas com a sua transmissão, picotada madrugada adentro. Mesma coisa acontece com os Oscars nos dias atuais. Em 2009, a emissora carioca boicotou o Oscar por cair na mesma noite de desfile das escolas de samba cariocas do Grupo Especial. Saiu ganhando o canal pago TNT, beneficiado também com a presepada da Band no ano seguinte.
Muito zangada, a presidente da Miss Universe Organization Paula Shugart ameaçou cancelar o contrato de transmissão do Miss Universo com a Band caso a emissora da famíglia Saad não se comprometesse a transmitir ao vivo o certame pelos próximos três anos (o acordo vale até 2013, com preferência para renovação caso outras redes apresentem propostas superiores). Pelo acordo atual, a Band estaria desembolsando cerca de R$ 40 milhões por ano, mais ou menos o valor gasto para organizar o Miss Universo 2011 em São Paulo. Só neste ano, a Band terá gasto R$ 75 milhões no projeto do Miss Universo, abarcando transmissões de concursos locais, o Miss Brasil e o próprio concurso internacional. Valor esse que, para a Band, começa a se converter em lucro, mas em índices de audiência incertos, dada a preocupação com as performances das candidatas brasileiras ao Miss Universo nos próximos dois anos.
Caso o Brasil não emplaque semifinalistas no Miss Universo em 2012 e 2013, a Band estará perdendo, no mínimo, um terço do que investiu para organizar o Miss Universo 2011 (algo em torno de R$ 11,5 milhões por ano de não-classificação). Sem o programa Sonho de Miss, já a partir de 2012, a Band começará a ver água nas fontes de faturamento dos concursos estaduais, do Miss Brasil e do Miss Universo, evento esse tratado de forma marginal e periférica até o ano passado, sem nenhuma cobertura jornalística (exceções feitas a 2004 e 2007).
E, sem programas para mostrar os bastidores dos certames, a Band estará isso sim caminhando para o fundo do poço.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Concursos de beleza, Força da Grana, Jóia da coroa, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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