A bomba explodiu nas nossas mãos. Agora o Brasil que descasque as batatas e se ferre no Miss Universo 2011


A Band (ou melhor, a Globo) ainda pensa que o país é uma Venezuela missológica travestida de Holanda fashionista

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Fotos Luciano Trevisan/Band/Divulgação e Reprodução/Playboy

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Nas fotos, Galisteu e Ximena ao saírem de um show do Scotty McCreery, cancelado por ordem da (A)Fundação Roberto Marinho, e uma nota pelada do jornal nacional

Alyssa Campanella já foi eleita Miss USA 2011. Agora, a batata quente do concurso Miss Universo 2011 está nas mãos da Rede Bandeirantes (leia-se: Enter-Entertainment Experience), que há exatos seis meses não tomou uma providênciazinha sequer em relação ao evento. Fez um arrumado de entrevista coletiva cancelada no mês passado e pronto: o estrago foi consumado em apenas um mês. Fez Adriane Galisteu derrubar em três pontos o Ibope do concurso Miss São Paulo em relação a 2008. E atribuir ao concurso Miss Minas Gerais a fama de pé-frio de Ibope (a ponto de perder até mesmo para a série norte-americana Supernatural, do SBT).
Aliada da Rede Globo no futebol, a Band tomou o Miss Brasil(*) da emissora carioca em 2003, após a emissora da famíglia Marinho tomar o certame da Rede TV! em uma edição do Big Brother Brasil, um Domingão do Faustão e uma nota pelada no jornal nacional sobre a destituição da Joseane Oliveira como Miss Brasil(*) 2002 para posar para a Playboy. No fundo, o que interessa à Globo (Band) não é transmitir o concurso de Miss Universo 2011 e sim desnudar a Adriane Galisteu (foto acima, com Jimena Navarrete) em revista masculina do Grupo Abril, que tem como sócio o grupo sul-africano Naspers (que apoiou o regime de apartheid que manteve Nelson Mandela na cadeia por 27 anos).
Para se ter uma ideia, o Brasil está sem vencer o Miss Universo há 43 anos. Mandela saiu do cárcere em 1990, ano em que o SBT “perdeu” para a Globo os direitos tanto do Miss Brasil(*) quanto do Miss Universo.
Para expor as vísceras da incompetência do Grupo Band para com o Miss Universo 2011, vamos expor alguns fatos:
1-Em 18 de dezembro, governadores recém-eleitos de Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia começaram a procurar a Band para fazer lóbi para sediar eventos paralelos do Miss Universo 2011 (etapas de trajes típicos, desfiles de caridade, etc.). Pois bem: em janeiro, vieram as enchentes assassinas do Rio e de São Paulo. Sérgio Cabral Filho (PMDB) pôs os pés fora do barco ao saber que a prioridade era assistir às famílias devastadas pela tragédia (a mídia aliada do consórcio Globo-Band não atentou para isso). Jaques Wagner acenou com pedidos inúteis para a Enter, que jamais foram atendidos. In The End, prevaleceu a lógica mercenária de Maria Melillo e Mayara Petruso: enriquercer no BBB para incitar, via Twitter, o assassinato de nordestinos (sobretudo piauienses);
2-No final de janeiro, representantes da Miss Universe Organization indignados com a paralisia da Band telefonaram enraivecidos para o presidente do grupo, João Carlos (a.k.a. Johnny) Saad cobrando explicações furiosíssimas sobre o atraso na definição do local que abrigaria a sede da final televisionada de 12 de setembro. Deixaram a peteca para depois que a Maria Melillo vencesse o BBB 11 e pronto: em 14 de abril, uma nova comitiva da MUO esteve em São Paulo e constatou que a Band escolhera a lata de sardinha denominada Credicard Hall. Altamente sufocante se comparada ao recém-reformado Ginásio do Ibirapuera (esse sim, local decente para abrigar uma final de Miss Universo na capital paulista);
3-Em maio, as Organizações Globo proibiram as suas afiliadas de patrocinarem qualquer etapa estadual do Miss Brasil(*) (a começar do Miss Ceará, promovido pela emissora-satélite da TV Verdes Mares de Fortaleza, a TV Diário, e do concurso Miss Maranhão, até 2010 nas mãos da Rede Mirante). Isso, como uma forma de esvaziar o “evento” que a Band arrumou em vão para divulgar o Miss Universo 2011 (O relato está preservado aqui).

Não pensem, senhores, que o Brasil é um paraíso em termos de concursos de misses. Falso: este país, na verdade, não passa de um arremedo de Venezuela embustada por realities de baixaria da Globo (BBB, Hipertensão e assemelhados) e programas sensacionalistas de direita (Caldeirão do Huck, Mais (Sangue pra) Você, Dominguinho do Faustinho, Law & Order: Special Victims Unit, Saia Justa, Manhattan Connection, et caterva). Isso sem contar integrantes do movimento Cansei como a Eliana, a Sílvia Poppovic, a Hebe Camargo, a Ivete Sangalo, o Caio do São Paulo, o João Dória Jr.,…
Não pensem, senhores, que a sucessora de Débora Lyra vá se tornar uma Rosie Huthington Whiteley da adaptação brasileira da American Horror Story do Ryan Murphy que o Manoel Carlos ou o Gilberto Braga venham a fazer em formato de novela das 21h, concebida para agradar ao comissariado do PSDB (entra aí outro fato: o partido doou R$ 500 mil para a gaeta[**] promoções e eventos cooptar os jurados do Miss Brasil 2010 e transformar Débora Lyra na madrinha da legenda na promoção, durante o período do Miss Universo 2010 em Las Vegas, do projeto neo-liberal e destruidor de José Serra para as estatais – Correios, Petrobrás, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Chesf e Sistema Eletrobrás – e para o patrimônio nacional – as terras da União nas mãos de conglomerados imobiliários estrangeiros, o de Donald Trump para começo de conversa).
Tradução: o que mais a Globo e a Band querem não é um título de Miss Universo para o Brasil. E sim transformar o país em terra devastada para não receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
A burrada da Band para com o Miss Universo é só um exemplo da desgraça que vem por aí.

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)
(**)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Água oxigenada, Fora Gaeta, Globelezação, Jóia da coroa, Law & Order: Pesadelo de Miss, NCIS: Pesadelo de Miss, Nossas Venezuelas, Novelas, Poderes ocultos, Podres poderes, Prime Suspect Behavior da Sônia Abrão, Realidade brasileira, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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