Começo de semana: Racismo e fraude marcam a eleição da Miss Minas Gerais 2011


Manipulada do começo ao fim, eleição de Izabela Drummond é produto do “Padrão Mayara Petruso de Qualidade” em termos de apartheid missológico, mentiras e corrupção eleitoral

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Henrique Falci/Band/Divulgação


Izabela Drumond: Soweto é aqui

Racismo, raiva, indignação, revolta. Essas são as sensações que se podem ser tiradas a partir da eleição da belo-horizontina Izabela Drummond como Miss Minas Gerais 2011 na madrugada deste domingo (22), nos salões chiquérrimos do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte. Na rodada final que decidiu as três primeiras colocadas do certame, televisionado pela Rede Bandeirantes e pelo seu portal, o eBand, para todo o país, a farsa era notória: uma branca (Izabela, de família de classe média-alta da capital mineira) e duas afro-descendentes (as candidatas de Lagoa Santa, Vânessa Guimarães, e de Vespasiano, Andreza Pereira), colocadas lado a lado (ver vídeo abaixo), desenharam a cena de racismo que os senhores acompanharão a seguir:

Notem, senhores, que a representante de Vespasiano é a primeira da esquerda para a direita. Vespasiano, para se ter uma ideia, é uma das cidades com maior ocorrência de homicídios na Grande BH. Entre 2008 e 2009, a taxa de assassinatos teve um crescimento estarrecedor de 45,97%, segundo dados da Fundação João Pinheiro. Já Lagoa Santa dispensa apresentações: a cidade de Andreza abriga um dos presídios mais perigosos de Minas Gerais e do Brasil.

Reprodução/Blog Notas e Destaques

https://tvemanalisecriticas.files.wordpress.com/2011/05/presidio.jpg?w=300
Na foto, a Alcatraz brasileira: o goleiro Bruno não está preso aqui

Mais: a cidade da segunda colocada no Miss Minas Gerais tem como vizinhas dois verdadeiros barris de pólvora da criminalidade na Grande BH. A saber: Santa Luzia e Vespasiano. Tradução: no Miss Minas Gerais 2011, Vespasiano, Lagoa Santa e Belo Horizonte acrescentaram conteúdo considerável a um revival tucanizado de Prison Break, cujas duas últimas temporadas a Globo (parceira da Band, promotora do concurso, no futebol) já está se encarregando de levar ao ar na calada da madrugada de quinta para sexta-feira.
Pois bem: no minuto 00:17, a candidata de Lagoa Santa é “assassinada” pelos jurados da agora suspeitíssima auditoria da Ernst & Young, que substutuiu a corrupta BDO/Trevisan após oito anos de fraudes comprovadas no Miss Brasil(*) e em vários concursos estaduais. O que o senador Roberto Requião (PMDB-PR) chamaria de “assassinato de reputação”, fatalmente aconteceria alguns segundos adiante: no minuto 00:50, Vanêssa e Izabela, de mãos dadas, parecem ser protagonistas da maior cena de aprtheid social já mostrada nas transmissões de concursos de beleza na TV Bandeirantes. De um lado, a ascensão social da antiga classe D (nova classe C), tão negada e renegada à exaustão pelos comentaristas políticos e econômicos exploradores de tragédias em telejornais de horário nobre e madrugada (Boris Casoy, Fernando Mitre, Joelmir Betting, Ricardo Boechat, Fábio Pannunzio, Antônio Telles, todos pelos lados do Morumbi, combinados com Caio Blinder, Maria Melillo, Marcelo Madureira, Miriam Leitão, Regina Duarte, Maitê Proença, Arnaldo Jabor, Heraldo Pereira, William Waack, Christiane Pelajo e outros Criminal Minds globelezados). Do outro, a elite branca de Belo Horizonte, grande frequentadora do Minas Tênis, representada na família de Izabela Drumomd, espécime de vingança, vendetta de Mayara Petruso pelos ataques de nordestinos à sua pessoa após as eleições presidenciais de outubro de 2010. Vingança essa “comemorada” pelos seus familiares, eleitores de José Serra e Aécio Neves, no minuto 01:13.
Ato final: mais do que uma demonstração de racismo descarado, a vitória fraudulenta de Izabela Drumond também foi fruto da corrupção midiática que dominou a etapa mineira do Miss Universo 2011. Corrupção essa que levou Globo e Bandeirantes a implodirem o Clube dos 13, a Confecom, o Programa Nacional de Direitos Humanos e deixarem desempregados os atores das novelas americanas All My Children e One Life to Live. Mais grave: foi também produto aparente da contravenção carioca (os bicheiros ostentam o sobrenome Drummond; a nova miss mineira deve se grafar Drumond, para evitar confusão).

Entre gângsteres e gângsteres

Escolhida por um júri de pouca confiabilidade (quadros da Band local, especialistas, jornalistas comprados pelo PSDB de Aécio Neves travestidos de colonistas[***] sociais, Dani Freitas, a gângster e miss Brasil de 1995 Renata Bessa [esposa de dirigente do Cruzeiro, outro aliado da Globo], e o capo di tutti il capi da gaeta[**], Boanerges Gaeta Jr., chefe da quadrilha do Miss Brasil[*]), Izabela parte para o Miss Brasil 2011 com a confiança arranhada pela fraude local. Com candidatas de baixíssimo nível técnico, o Miss Minas Gerais 2011 teve nos dados de criminalidade do Observatório das Metrópoles da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colhidos em 2003, o seu cliffhanger para a prequel da versão nacional de Alcatraz, a ser co-produzida por Globo e Band a partir da premissa de J.J. Abrams, a ser lançada pela FOX norte-americana na mid-season da temporada 2011-2012. Ou seja, vai se mandar para o Miss Brasil uma representante da segregação social pregada à farta pela imprensa mineira, toda controlada pelo governo do PSDB (Antônio Anastasia). E, caso vença o Miss Brasil, Izabela, caso fique entre as cinco finalistas do Miss Universo 2011, terá de enfrentar perguntas pesadas, a partir da atriz americana Laura Prepon, de Are You There, Vodka? It’s Me, Chelsea. Suponhamos:
Laura pergunta a Izabela sobre o massacre de Realengo baseada em estudos da ONU, da UFRJ, em reportagens da CNN e da ESPN e em texto da professora Ana Flávia Ramos, no qual nenhuma escola é ilha. Ela se perguntaria: “o que a vagina da tuiteira Tessália, o uniforme de cavalaria montada da Nora Walker e o “luto eterno” das mães dos alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira tem a ver com isso?”.
Para os parâmetros da Globo (e também da Band/gaeta[**]), aguardar cenas dos próximos capítulos. Para este Críticas, a coisa continua no dia 12 de setembro. Se é que vai continuar.
Por ora, fiquem com a primeira ária da professora da Unicamp Ana Flávia Ramos. Liga uma coisa a outra. Reparem (ênfases en negrito são minhas):

“A tragédia na escola do Rio de Janeiro acontece num contexto bastante relevante. Em outubro de 2009, Geyse Arruda foi hostilizada por seus colegas de faculdade porque, segundo eles, ela não sabia se vestir de modo “apropriado” para freqüentar as aulas. Em junho de 2010, Bruno, goleiro do Flamengo, é suspeito de matar a ex-namorada, Elisa Samudio, por não querer pagar pensão ao filho. Suposta garota de programa, Samudio foi hostilizada na opinião de muitos brasileiros. Após rompimento, Mizael Bispo, inconformado, mata sua ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010. Em novembro de 2010, grupos de jovens agridem homossexuais na Avenida Paulista, enquanto Mayara Petruso incita o assassinato de nordestinos pelo Twitter. E mais recentemente, em cadeia nacional, Jair Bolsonaro faz discurso de ódio contra homossexuais e negros. Tudo isso instigado e complementado pelo discurso intolerante, preconceituoso, conservador e mentiroso do candidato José Serra à presidência da República. A mídia? Estava ao lado de Serra, corroborando em suas artimanhas, reforçando preconceitos contra Dilma, contra as mulheres e contra os tantos mais “adversários” do candidato tucano.”

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)
(**)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser sempre escrita: em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela, um sub-Porto Rico, uma sub-Colômbia (tipo um Whooper Jr.) ou uma Guatemala tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Sub do Subway, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de concursos de misses
(****)Convém lembrar que colona não tem nada a ver com cólon da Gyselle Soares. Tratam-se de colonistas que, na visão de Paulo Henrique Amorim, “…tratam o Brasil da perspectiva do que imaginam que a Metrópole imaginaria o Brasil. No caso específico de Gaspari, ele trata o Brasil da perspectiva do que imagina que os professores de Harvard pensariam do Brasil e dele…”. Para o Críticas, tratam-se de colonistas sociais que tratam o Brasil como um combinado de Venezuela em termos missológicos com um Sudão em termos econômicos, sociais, de infra-estrutura (vide a campanha que a Globo e a Band fazem contra a Copa de 2014 e as Olimpíadas de Verão de 2016 por causa dos aeroportos) e de educação. Mais: tratam-se de colonistas sociais, calunistas de sites de celebridades, de jornais facistóides e de revistas de entretenimento que jamais reconhecerão Haley Reinhart, James Durbin, Scotty McCreery e Lauren Alaina, finalistas do American Idol em 2011, como promessas da indústria fonográfica. Preferem a Paula Fernandes e a Mariana Rios, namorada do Di do NXZero e empregada da Rede Globo, à Pia Toscano…

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Ética nos concursos de beleza, Corrupção nos concursos de beleza, Eventos, Fora Gaeta, Força da Grana, Globelezação, Jóia da coroa, Lie to Me do Miss Brasil, Mondo cane, NCIS: Divinópolis, Nossas Venezuelas, Numb3rs, Olivia Benson do tucanato, Poderes ocultos, Podres poderes, Política nos concursos de beleza, Projetos especiais, Robert Goren do Datena do Brasil Urgente, Samba de uma nota só, Southland do sensacionalismo, Terrorismo eleitoral, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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