Pensar bem: ‘Nenhuma escola é ilha’. O que a Globo, a tuiteira Tessália, a Nora Walker e o PSDB tem a ver com isso


Como diz a autora do artigo, “nada tem resposta simples e direta”. Como a vagina da ex-BBB, a espingarda da Nora Walker para intimidar trabalhadores rurais sem-terra no jornal nacional, o “luto eterno” da última foto abaixo e o eventual cancelamento de Brothers & Sisters pela ABC americana

Fotos Reprodução/Playboy (Tessália), Divulgação/ABC (Nora Walker/Sally Field do Brothers & Sisters) e Reprodução/Conversa Afiada (Escola de Realengo)

https://i0.wp.com/lh6.ggpht.com/_dRbv7sXzUVY/S5ZhnTWG1FI/AAAAAAAAFQk/2xuT54Yr3p8/playboy_tessalia%20%2813%29_thumb.jpghttps://i2.wp.com/blog.zap2it.com/frominsidethebox/norah-walker-texas-ranger.jpghttps://i0.wp.com/www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2011/04/realengo_tv.jpg
“…discurso intolerante, preconceituoso, conservador e mentiroso do candidato José Serra à presidência da República”

Texto de Ana Flávia Ramos(*) publicado no Viomundo:

“A tragédia na escola do Rio de Janeiro acontece num contexto bastante relevante. Em outubro de 2009, Geyse Arruda foi hostilizada por seus colegas de faculdade porque, segundo eles, ela não sabia se vestir de modo “apropriado” para freqüentar as aulas. Em junho de 2010, Bruno, goleiro do Flamengo, é suspeito de matar a ex-namorada, Elisa Samudio, por não querer pagar pensão ao filho. Suposta garota de programa, Samudio foi hostilizada na opinião de muitos brasileiros. Após rompimento, Mizael Bispo, inconformado, mata sua ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010. Em novembro de 2010, grupos de jovens agridem homossexuais na Avenida Paulista, enquanto Mayara Petruso incita o assassinato de nordestinos pelo Twitter. E mais recentemente, em cadeia nacional, Jair Bolsonaro faz discurso de ódio contra homossexuais e negros. Tudo isso instigado e complementado pelo discurso intolerante, preconceituoso, conservador e mentiroso do candidato José Serra à presidência da República. A mídia? Estava ao lado de Serra, corroborando em suas artimanhas, reforçando preconceitos contra Dilma, contra as mulheres e contra os tantos mais “adversários” do candidato tucano.
Wellington matou mais meninas na escola carioca. Se, por um lado, jamais saberemos as reais razões que o fizeram agir dessa forma, por outro sabemos o quanto a sociedade brasileira tem sido, no mínimo, indulgente com atos de intolerância, machismo, ódio e preconceito contra mulheres, negros e homossexuais. Se não há uma ligação direta entre esses diversos acontecimentos, eles pelo menos nos fazem pensar o quanto vale a vida de alguém em um contexto de tantos ódios? Quantas mulheres morrerão hoje vítimas do machismo? Quantos gays sofreram violência física? Quantos negros sentirão declaradamente o ódio racial que impregna o nosso país? O que é o bullying se não o prolongamento para a escola desse tipo de mentalidade? Quantas pessoas apoiaram as declarações de ódio de Bolsonaro via Facebook? Aquilo que acontece no ambiente escolar nada mais é do que um microcosmo do que a sociedade elege como valores primordiais. E o Brasil, que por tanto tempo negou a “pecha” de racista e preconceituoso, vê sua máscara cair.
Não adianta culpar o bullying, achando que ele é um problema de jovens, um problema das escolas. Não adiante grades e detectores de metal nas entradas ou a proibição da venda de armas. Como professora, sei que o que os alunos reproduzem em sala nada mais é do que ouviram da boca de seus pais ou na mídia. Não adianta pedir paz e tolerância no colégio enquanto a mídia e a sociedade fazem outra coisa. Na escola, o problema do bullying é tratado como algo independente da realidade política, econômica e social do país. Mas dá pra separar tudo isso? Dá pra colocar a questão só em “valores” dos adolescentes, da influência do malvado do computador ou dos videogames? Ou é suficiente chamar o ato de Wellington de uma “violência pós-moderna” sem explicação? Das muitas agressões cotidianas, a da escola do Realengo é apenas uma demonstração da potencialidade de nossos ódios. A única coisa que me pergunto é: teremos a coragem de fazer esse tipo de discussão?”.

(*)Professora e historiadora pela Unicamp

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Abby Sciuto do Forrogode do Evanescence da Marimoon, Brothers & Sisters, Falsos ídolos, Força da Grana, Globelezação, Mondo cane, Realidade brasileira, Siobhan Magnus do alarmismo da RPC, Terrorismo eleitoral e marcado , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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