Assunto da semana: automóveis, tiros, ameaça de cancelamento e um Soprano. Isto é Detroit


Detroit 1-8-7 mistura reality com drama policial comum

Apesar de seu futuro incerto na grade da ABC americana, a série Detroit 1-8-7 (AXN, 5ª, 22h) consegue retratar a criminalidade da capital mundial do automóvel com a crueza de um reality policial tipo Polícia 24 Horas ou Operação de Risco. Ao contrário do sensacionalismo dos programas brasileiros, 1-8-7 não recorre aos estratagemas de Aqui Agora ou coisas afins. Apesar de ter roteiro, segue o gênero.
Feito inicialmente para seguir o padrão de pseudo-documentário, Detroit 1-8-7 largou essa raiz antes mesmo da estréia nos Estados Unidos após um tiroteio durante o documentário As Primeiras 48 Horas, do canal pago A&E. Mudança imposta por força maior e conseqüência à parte, a trama regada basicamente ao repertório de artistas negros como Stevie Wonder, Aretha Franklin e outros dá um ar meio Motown ao padrão série-reality-policial-se-espremer-sai-sangue. I feel good, so good, I feel good.

Divulgação/ABC/Zap2it

https://i2.wp.com/blog.zap2it.com/frominsidethebox/michael-imperioli-detroit.jpg
Na foto, o Datena da ABC

Sem a ária de Brasil Urgente do Datena (desnecessária até), Detroit 1-8-7 tem na afirmativa junto à comunidade afro-descendente ao menos um ponto forte para ter chegado na temporada recente de premiações. Indicada pela NAACP (Associação Nacional de Avanços para as Pessoas de Cor, na sigla em inglês) como melhor série dramática de 2010, 1-8-7 tem sua política de afirmação. Não é o que o público pensa.
Preconceito velado à parte, a trama de Detroit 1-8-7 teve seu blecaute em 20 de março, desabando dos 9,34 milhões de telespectadores do piloto para os parcos 4,652 milhões do Blackout (nome de batismo do 18º e até aqui último episódio). Para a ABC, Body of Proof, sua sucessora no horário, parece coisa melhor. Isso apesar de ter um ex-Soprano (Michael Imperioli) no papel principal. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (24/4)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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