Aeroportos brasileiros não estão preparados nem para o Miss Universo 2011 tampouco para a Copa e as Olimpíadas


Estudo do Ipea atesta: Band foi burra ao assinar contrato com a MUO para organizar concurso em “lata de sardinha” de casa noturna paulistana

Daniel Teixeira/28.03.2011/AE

https://i1.wp.com/i1.r7.com/data/files/2C95/948E/2F51/6474/012F/5423/E3D2/650C/reforma-guarulhos-hg-arquivo-ae.jpg
Na foto, o aeroporto pelo qual desembarcarão as mais de 80 candidatas esperadas para o certame

Saiu ontem no R7 a seguinte notícia estarrecedora:

Instituto do governo afirma que maioria dos aeroportos não deve ficar pronta até a Copa

Obras previstas não atenderão a demanda de passageiros durante o evento

Gustavo Gantois, do R7, em Brasília

Estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, promete dar muita dor de cabeça ao governo. Isso porque o documento afirma que, dos 13 aeroportos com obras previstas para a Copa de 2014, nove não terão condições de finalizar seus empreendimentos a tempo de receber os milhões de turistas que desembarcarão por aqui.
Além dos nove aeroportos, há também o de Natal (RN), que não foi contabilizado no estudo pelo Ipea porque a obra não estaria a cargo da Infraero, mas de um consórcio privado. O instituto afirma que “as obras do novo aeroporto de Natal não têm previsão de conclusão, conforme dados da Infraero. De qualquer forma, um novo aeroporto em Natal não ficaria pronto antes da Copa de 2014.”
O documento, divulgado nesta quinta-feira (14), apresenta uma análise dos investimentos feitos pelo governo na infraestrutura aeroviária desde o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De 2003 até 2010, foram investidos R$ 8,8 bilhões nos aeroportos brasileiros, uma média de R$ 1,1 bilhão por ano.
O montante pode até parecer alto, principalmente quando o governo afirma que fará um investimento de R$ 5,6 bilhões até 2014, em uma média de R$ 1,4 bilhão por ano. O problema é que outros institutos dão conta de uma necessidade maior de dinheiro. A Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) diz serem necessários R$ 20 bilhões até 2022 e a Fundação Dom Cabral calcula em R$ 25,5 bilhões até 2016.
Como se não bastasse a questão financeira, o próprio governo dificulta ainda mais as coisas com a burocracia da máquina pública. Para colocar de pé uma obra de infraestrutura em transportes são necessárias várias licenças, principalmente ambientais, que fazem com que a construção desses empreendimentos no Brasil leve, em média, 92 meses. Isso dá mais de sete anos.
No estudo, o Ipea afirma que as obras no aeroporto de Manaus, por exemplo, cujo prazo de conclusão é dezembro de 2013, só ficarão prontas em 2017. Ou seja, se todos os prazos forem respeitados, o aeroporto só estará operando em plena capacidade depois da Copa. O mesmo quadro se repete nos aeroportos de Brasília, Fortaleza, Guarulhos (São Paulo), Salvador, Campinas e Cuiabá”.

Ou seja, Cumbica será a porta de entrada das candidatas ao título de Miss Universo 2011 e ainda estará sob obras com vistas à Copa de 2014.
A Band sabe da encrenca que arrumou ao ter assinado, em dezembro passado, o contrato para organizar a 60ª edição do concurso Miss Universo, na capital paulista.
Lá, as candidatas vão encontrar um aeroporto coberto por tapumes, como o exposto na foto acima.
É um cenário de horror. Pior que o já apertado Credicard Hall, palco da final.
Traduzindo: a MUO deu à Band não apenas um palco indecente, mas principalmente uma arapuca para as concorrentes ao título de Miss Universo encontrarem ao desembarcarem no Brasil.
Um espetáculo de incompetência, para começar.
A propósito, sugere-se aos missólogos internacionais assistirem à réplica ao programa sensacionalista do PSDB transmitido ontem em canais abertos sob concessão do Estado.
O metrô paulista (administrado pelos tucanos há 16 anos), aquilo ali sim, é um horror. Reparem:

Do mesmo R7, outra notícia que promete dar dor de cabeça aos organizadores brasileiros da 60ª edição do Miss Universo (ou seja, a Band):

Dos 20 maiores aeroportos brasileiros, 17 operam acima da capacidade

Segundo estudo feito pelo Ipea, três operam no limite de eficiência operacional

Mariana Londres, do R7, em Brasília

Dos 20 maiores aeroportos brasileiros, 17 operam hoje acima da capacidade. Esta é uma das conclusões de estudo divulgado nesta quinta-feira (14) pelo Ipea (Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas), em Brasília.
De acordo com a nota técnica, com o aumento da demanda pelo transporte aéreo, mesmo com todos os investimentos de ampliação dos terminais previstos para a Copa de 2014, dez dos 13 aeroportos que serão ampliados já estarão novamente acima da capacidade quando o Brasil sediar os jogos.
Os aeroportos que hoje operam acima de 100% de capacidade são Guarulhos, Congonhas e Viracopos (SP), Brasília (DF), Confins (MG), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Florianópolis (SC), Vitória (ES), Natal (RN), Goiânia (GO), Cuiabá (MT) e Maceió (AL). Os aeroportos de Curitiba (PR), Santos Dumont (RJ) e Belém (PA) operam acima de 80% da capacidade, o que é considerado acima do limite de eficiência operacional”.

Agora, atentem para o parágrafo aterrador:

“Após os investimentos previstos para a Copa 2014, se todos os investimentos forem feitos e as obras finalizadas no prazo, dez dos 13 aeroportos que receberão recursos já estarão operando além da capacidade. São eles: Guarulhos (SP), Brasília (DF), Confins (MG), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Natal (RN), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Recife (PE) e Salvador (BA)”.

Ou seja, não há demanda que dê conta da chegada de tantas comitivas nacionais para o Miss Universo na capital paulista.
Guarulhos está na lista negra do IPEA e ponto. Agora, a Band (leia-se: Enter-Entertainment Experience) que lide com essa bomba-relógio.
A próxima Miss Brasil(*) que se ferre no Miss Universo realizado em casa.

JF Diorio/17.04.2010/AE

https://i1.wp.com/i1.r7.com/data/files/2C95/948E/2F51/6474/012F/5472/7D76/4E28/aeroporto-guarulhos-avioes-hg-20110414.jpg
Cumbica não dará conta das torcidas das misses Venezuela e Colômbia, por exemplo

(*)Na teoria, a Band é dona dos direitos de transmissão do concurso Miss Brasil e de seus concursos estaduais quando, na prática, estes pertencem à Globo (que desde 1990 paga para não transmití-lo). É a mesma coisa que a emissora da famíglia Marinho fez (e ainda faz) com as séries da FOX, como Glee, Bones, Burn Notice e outras (fora as animações)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em American Idol da incompetência missológica brasileira, Eventos, Jóia da coroa, Mondo cane, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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