Assunto da semana: esperar não é saber, quem sabe faz a hora…


Enredo de Amor e Revolução é maior que o sangue da repressão

Feita pelas mãos de Tiago Santiago após rigorosa pesquisa, a trama da novela Amor e Revolução (SBT, 2ª a 6ª, 22h30) começou exatamente no cerne da violência da repressão militar que ensangüentou o Brasil durante 21 anos (entre 1964 e 1985). Ou seja, apesar de concebido no coma induzido da repressão, o SBT teve a audácia de tratar de um assunto tido como tabu por suas esferas internas. Coisa proibida até então.
Retirando-se as relações de cordialidade com as Forças Armadas que levaram à concepção da rede paulista, Amor e Revolução trata do regime com a propriedade incomum a uma rede surgida no auge da ditadura (a TVS do Rio entrou no ar em 1976 enquanto o resto do atual SBT teve suas concessões assinadas em 1981). É fantástico mesmo (e não se trata do famigerado programa dominical global). A seqüência do incêndio da sede carioca da UNE que o diga. Televisão de arte de época.

Lourival Ribeiro/SBT/Divulgação

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Tiago Santiago (na foto com o diretor Reinaldo Boury): Amor e Revolução faz o SBT beber do veneno do qual se alimentou durante a repressão

Escalação de elenco à parte, Santiago acerta com ambas as mãos quando trata de repressão aos movimentos sociais no SBT, emissora de entretenimento de pesquisa jornalística quase nula acerca do período. Timidez à parte, Amor e Revolução acerta na mosca ao tratar de coisas como assassinatos nos aparelhos de repressão e censura à imprensa e às artes. Disso, em 2011, a turma do Pânico na TV sabe muito bem.
Comparação com o humorístico da Rede TV! à parte, a trama das duas semanas iniciais de Amor e Revolução é uma espécie de guia para o que o SBT quer ou não quer acerca do período sangrento que jogou o Brasil numa dura depressão durante 21 anos, sem falar aqui nas conseqüências econômicas nefastas (deixo isso para a seção apropriada). Como diria Cazuza, Santiago escolhe: é matar ou morrer. Até domingo.

Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (17/4)

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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