TV aberta joga concursos estaduais de beleza à própria sorte e ao relento


Às portas de sediar o concurso Miss Universo, emissoras locais do Brasil colocam certames em extinção, em favorecimento de interesses escusos, partidários e monopolistas de Big Brothers e afins; dos concursos realizados até agora, só Ceará e Rio Grande do Sul tiveram as suas finais televisionadas visando a eleição de candidatas para o Miss Brasil, etapa nacional do certame internacional

João Eduardo Lima
Editor e criador dos blogs TV em Análise

Divulgação


Mark Zuckerberg nunca viu Narciso. Nem Martha Rocha ou a Mulher Melancia

Com a eleição já confirmada de sete candidatas estaduais para a disputa do titulo de Miss Brasil 2011, ainda mais em se tratando de ano de Miss Universo sendo realizado no país, começa a ser exposta uma das feridas não-cicatrizadas da ruína do Miss Brasil, iniciada em 1990 quando a TV Globo informalmente comprou os direitos de transmissão e pagou para não exibir o concurso nacional para depois repassá-los à Rede Bandeirantes. Deste escopo de certames estaduais já realizados, apenas Ceará e Rio Grande do Sul tiveram suas finais televisionadas por emissoras locais ou afiliadas a grandes redes nacionais. Os demais (Rondônia, Bahia, Tocantins, Paraná e Amazonas) ou tiveram seus certames cobertos apenas via “live-streaming” ou não chegaram nem a isso. Isso, em plena época de Rede Social indicada ao Oscar. O ator americano Jesse Eisenberg que nos diga.
O costume das emissoras abertas dos Estados menores sonegarem os concursos de beleza válidos pelo Miss Brasil-Miss Universo ou qualquer outro certame de outra nominação remonta aos temidos anos da “ditabranda” militar, na definição do publisher do Grupo Folha(*) Octavio Frias Filho amplamente refutada por grupos de esquerda e ONGs de direitos humanos, sobretudo aquelas que lidam com as vítimas da repressão do regime militar que desgraçou o país (com a colaboração da Globo) entre 1964 e 1985. Para uma emissora da Rede Amazônica em Roraima, por exemplo, é mais negócio falar de uma competidora local do BBB do que de concurso (inexistente, é claro) para a eleição da Miss Roraima. Já numa afiliada da Rede Record em Aracaju, a movimentação é bem diferente: missólogos e a direção da TV Atalaia se articulam há meses para que o concurso Miss Sergipe passe a ser televisionado para todo o Estado.

Fotos Divulgação/TV Globo e Reprodução/Blog Cinco Meia Sete

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O que interessa à Rede Amazônica não é o Miss Roraima e sim a “jabulani” da Paula Leite e a repressão aos movimentos sociais na rua Maria Antônia antes da final do American Idol

Tamanha disparidade na divulgação das etapas estaduais do Miss Brasil-Miss Universo tem um nome: monopólio da informação. E outro sobrenome bem grave aos ouvidos da direita conservadora que promove esses certames: ley de los medios a.k.a. Marco Regulatório da Mídia. Se a Globo continuar “governando” as etapas estaduais do Miss Brasil da maneira como está, o país, once and again, corre o risco de colocar no Miss Universo 2011 uma candidata despreparada em termos de divulgação. E, principalmente, com a imagem eclipsada diante de modinhas tipo rebolations, bandas Hori, Restarts, Paulas Fernandes e outros lixos gloeBBBelezados-monopolistas-tucanófilos da direita mais reacionária que governar o Estado do Tocantins, por exemplo.

Com reportagem de Suzanne Malveaux e Roberto Cabrini, letra de Carrie Underwood, João Gilberto, Barros de Alencar, Francis Hime, Francis Bacon e Taylor Hicks e música de Ruben Studdard, com prefácio de John Neschling, Marina Silva, Paula Abdul, Luiz Carlos Prates e Caetano Veloso

(*)Folha é o jornal que não se deve deixar a sua tataravó ler porque publica palavrões e mostra sem censura os seios, os pêlos pubianos, a vagina e a bunda da miss Pernambuco 2008, Michelle Fernandes da Costa, em revista masculina publicada a poucos dias de passar a faixa à sua sucessora, em março de 2009. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Cássio Cunha Lima DEPOIS de cassado e pergunta o que ele achou do processo no TSE, da ditabranda, do câncer de Fidel, da ficha falsa da Dilma, das mulheres-fruta, das ancas da cantora Jôsy, do ódio a piauienses encampado pelo Rafinha do Emocore, da Carla Perez lecionando “i” de iscola, da Rayanne Morais “eleita” Miss Brasil 2009 pelo site EGO, ligado à Globo (sócia da mesma Folha no jornal de negócios Valor Econômico), que vestiu FHC com o manto de “bom caráter”, porque levou dezoito anos para reconhecer um filho seu fora do casamento (com uma jornalista empregada da Globo), que mandou a Diane Sawyer da Globo News avacalhar o cantor itainopolense Frank Aguiar por causa de um filme e de uma entrevista sórdida com uma aspirante a aspirante a aspirante de celebridade paulista a uma aprendiz de Oprah do Primetime da Rede TV!, que publicou texto sórdido de um professor de comunicação da USP sobre o Miss Universo 2007, que ainda fala mal do Saulo Roston (vencedor do Ídolos 2009), que matou o senador paulista Romeu Tuma e depois o ressucitou, mandou a Mariska Hargitay falar mal do Piauí e a Tamara Tunie, o Ice-T e o Christopher Meloni bancarem o Sérgio Ricardo quebrando o violão no Festival da Record de 1967 em Law & Order: Special Victims Unit, deixou o elenco de Law & Order: Criminal Intent e o Robin Williams avacalharem o Brasil em seriado da USA Network e programa de entrevista da CBS, é o que é porque o dono é o que é e que, quando a mineira Elaine Parreira Guimarães ficou em quinto lugar no Miss Universo 1971, emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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