Rubens Ewald Filho: Oscar 2011- Indicados e previsões, um mês antes


À primeira vista, The Social Network/A Rede Social parecia imbatível, arrebatando praticamente todos os prêmios e indicações principais, inclusive o Globo de Ouro. Até acontecer a surpresa esta semana no primeiro prêmio de Sindicato, o dos Produtores, que escolheram o desafeto O Discurso do Rei. Uma impecável produção inglesa, mas também convencional e bem feitinha. O tipo de filme que seria barbada no Oscar há 15 anos.

Por Rubens Ewald Filho
Do R7

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A Rede Social: imbativel até ontem

Fui até olhar a lista dos produtores e são 14 creditados no IMDB, inclusive o ator Geoffrey Rush, mas os que valem mesmo são os Irmãos Weinstein, da antiga Miramax. Isso trouxe um pouco mais de sabor e interesse para a entrega do prêmio (no próximo dia 27 de fevereiro, um domingo, que será mostrado pela Globo daquele jeito, em flashes, em meio ao Big Brother, e pela TNT na íntegra, inclusive tapete vermelho comigo fazendo os comentários).
De qualquer forma, 12 indicações para O Discurso do Rei é mais do que se pensava. Neste domingo, haverá outro prêmio importante que é o do Sindicato dos Atores, o SAG (Screen Actors Guild), que apesar de existir há anos, é muito pouco reconhecido e visto. Novamente estarei transmitindo a festa pela TNT, que dura menos de duas horas!

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Cena de O Discurso do Rei: mais indicações que se pensava

Como a maior parte dos votantes da Academia são atores, o resultado pode ser revelador, mas, por outro lado, eles não têm a categoria de melhor filme. O principal deles é elenco (essemble, conjunto), que não influencia muito – ou nada – no Oscar.
Enfim, é melhor que haja mais suspense para aumentar o interesse, já que, à primeira vista, me pareceu tudo previsível demais. E a gente fica imaginando: será que A Rede Social não foi o mais indicado por que os produtores têm algum problema com o diretor David Fincher? Na hora dessas premiações é que chega o ajuste de contas contra os que foram chatos, gastaram demais, metidos a besta e pretensiosos. Por tudo isso Fincher sem dúvida é culpado.
Ele quase levou a Fox a falência com Clube da Luta (pelas dificuldades de filmar) e agora, com A Rede Social, fez promoção contando que a cena inicial foi repetida 99 vezes! O que obviamente enlouquece qualquer um, particularmente os que cuidam dos custos. Não esqueçam, porém, que a Academia tem mudado muito nos últimos anos, privilegiando mais os filmes de arte do que os comerciais e menos ainda os blockbusters.
E se 2010 foi aquele ano ruim de bilheteria e de filmes grandes, se recuperou agora no final com uma boa safra, que conseguiu completar os dez finalistas, sem vexame.

Filme: Nada de muito inesperado. Claro que Toy Story 3 estaria nas duas listas, o que nos deixa feliz. Não esqueceram de A Origem (resta a esperança de que leve os prêmios técnicos). Era evidente que Bravura Indômita, dos Irmãos Coen, seria lembrado, mas eu fico com o Globo de Ouro, que não votou no filme porque não gostou muito. Nem eu. Nem de Jeff Bridges chegando ao canastrão, nem da menina metida a mandona.

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Toy Story 3: em ambas as listas

E também não concordo em indicar os Irmãos Coen em vez de Christopher Nolan – já que estavam devendo a ele! Ou até Danny Boyle, que dá um show de direção em 127 Horas. Não sei também que diabos acham de tão excepcional em Inverno Da Alma. De qualquer forma, o embate agora é entre O Discurso do Rei e A Rede Social.

Atriz: Por algum motivo implicaram com Julianne Moore, que ficou de fora. Será que não sabiam se ela era coadjuvante ou protagonista? Resolveram colocar a menina Haille como coadjuvante. Sobrou para Michelle Williams por Blue Valentine. Mas deixaram de lado Halle Berry por Frankie e Alice, o filme sobre uma mulher com personalidade múltipla. Não é nenhuma maravilha, mas ela está muito bem. Nada, porém, abala a certeza de que Natalie Portman vai levar o Oscar.

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Israelense Natalie Portman: certeza de Oscar

Animação: Surpresa boa colocar O Mágico como um dos três finalistas de melhor animação. A Academia tem que mudar o critério, não reduzir o número de indicados quando há menos filmes produzidos. O critério deveria ser qualidade, não quantidade. Enfim, alguém duvida que Toy Story 3 ganhe ao menos nesta categoria?

Ator coadjuvante: Surpresa não ver Andrew Garfield (A Rede Social) na lista, enquanto insistem no horrível Jeremy Renner (The Town), que está exagerado e pretensioso. Muito menos o Justin Timberlake que está bem, mas não foi levado a sério. Não se impressionaram com a doença de Michael Douglas (embora eu goste de sua participação no Wall Street 2). No lugar puseram o quase desconhecido John Hawkes (Inverno da Alma). Mas é uma boa performance e não dá para reclamar. Outra surpresa foi Mark Ruffalo, que sempre está bem e sempre subestimado. É um ator querido e fica-se contente por ele. Novamente a disputa fica entre Geoffrey Rush e o favorito Christian Bale.

Ator: Nem se reclama mais de Leonardo DiCaprio, que também continua injustiçado. Ficou de fora Paul Giamatti, mas em compensação lembraram de Javier Bardem, por Biutiful. Ele não estava nas outras porque não houve propaganda antes e nem distribuição de DVDs para os votantes. Não se esperava mesmo que Kevin Spacey emplacasse com Casino Jack, nem Mark Wahlberg por O Vencedor. Mas o prêmio deve ser mesmo de Colin Firth.

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Colin Firth: outro que deve levar o Oscar

Filme estrangeiro: Foi selecionado mais ou menos o óbvio. Ficou de fora o meu favorito, que era o filme sueco Simple Simon, mas, como sempre, comédia é difícil de virar finalista. Não acho nada demais o Fora da Lei (atualmente em cartaz no Brasil) e tampouco o dinamarquês Em um Mundo Melhor.
Admito o possível erro e estou disposto a vê-lo em tela grande (vi em DVD da Academia) como fiz com Biutiful, que continua me emocionando, inclusive com o final que fecha com o começo, dando um sentido espiritualista ao filme. Tomara que este único latino ganhe.

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Cena de Lixo Extraordinário: mão brasileira indicada a melhor documentário

Roteiros: Aaron Sorkin é barbada para adaptado com A Rede Social. E a academia insiste em apoiar Mike Leigh, embora seu Another Year seja bem mais fraco do que os anteriores. O Discurso do Rei parece ser o mais forte como roteiro original (não esqueça do emocional, o roteirista também era gago como o Rei).

Trilha musical: Segundo os especialistas (sou apenas admirador da música de filmes), as melhores trilhas do ano foram Cisne Negro (desclassificada, porque é toda em cima da música de Tchaikovsky), Alice no País das Maravilhas, Bravura Indômita (outro que ficou fora, mas muito bonita). Fica entre duas muito boas, A Origem (de Hans Zimmer) e A Rede Social (de Trent Reznor e Atticus Ross).

De qualquer forma, a grande noticia é a presença de um filme ao menos um terço brasileiro, que é Lixo Extraordinário, em cartaz em nossos cinemas desde o último dia 21. Uma das diretoras é britânica, mas tem os brasileiros João Jardim e Karen Harley como codiretores.
O filme é ótimo, concorre como melhor documentário de longa-metragem e pode ter chance, apesar de ser uma categoria muito disputada. Ao menos apaga o vexame de Lula, o Filho do Brasil.
Veja a lista completa dos indicados aqui.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
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Uma resposta para Rubens Ewald Filho: Oscar 2011- Indicados e previsões, um mês antes

  1. Rubens Tietzmann disse:

    Queria fazer uma pergunta técnica. Porque A Ilha do Medo que estreou nos EUA em 2010 não foi lembrado ou indicado ao Oscar desse ano? Há algum impedimento?

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