Escolha da sede do concurso Miss Universo 2011 foi mais tranquila que se esperava


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Ximena Navarrete: última parada, São Paulo

Depois de três anos, a escolha da sede do concurso Miss Universo voltou a ser feita com bastante antecedência. E, pela primeira vez em seis anos, a mesma coisa é feita com a sua data. O anúncio de que São Paulo será a sede da 60ª edição do certame, feito na quinta-feira passada, mexeu com os brios de quem não acreditava que, algum dia (ou talvez nunca), o Brasil viesse a ser sede do principal concurso de beleza do mundo.
A despeito da disseminação do pânico da crise econômica de 2008 e seus reflexos, a alta direção da Rede Bandeirantes foi chamada por Donald Trump para ir à Nova York para assinar não apenas a renovação dos direitos televisivos pelos próximos três anos. Mas, principalmente, para assumir os encargos da organização do concurso Miss Universo 2011.
Ao contrário das edições de 2006, 2009 e 2010, o processo de escolha da cidade-sede do concurso foi mais sereno do que o habitual nesses últimos anos. Em 2005, por exemplo, Bangcoc já havia sido escolhida sede do Miss Universo havia seis meses, mas os estragos causados pela tsunami de Natal ameaçaram a sua realização em algumas cidades. De fato, as regiões tailandesas afetadas pelo desastre natural ficaram de fora da programação das candidatas. Mas não deixou de se fazer um grande espetáculo. A Cidade do México, em 2007, teve sua escolha referendada informalmente em 27 de dezembro de 2006, quase ao apagar das luzes para o Ano-Novo. O balneário vietnamita de Nha Trang teve sua escolha para sediar o Miss Universo 2008 oficializada em 27 de novembro de 2007. Enfrentou uma concorrência fraca, é verdade (disputava com a cidade espanhola de Granada), mas acabou sendo escolhida.
As turbulências da crise de 2008, ocasionada pela bancarrota do Lehaman Brothers e pelas roubalheiras do estelionatário Bernard Maddoff, forçaram o governo da Croácia a suspender a candidatura do país para sediar o concurso Miss Universo 2009, colocado nas Bahamas a convite do governo local. Em 2010, as porralouquices ideológicas de Evo Morales, associado com movimentos feministas locais (que mais lembravam as reacionárias brasileiras do começo da década de 1970, apoiadas pela TV Globo e pelo regime militar de então), afastaram Santa Cruz de la Sierra do direito de ser a terceira cidade sul-americana a sediar uma edição do Miss Universo. A tarefa então foi mandar o concurso para Las Vegas, que já sediava a disputa do título de Miss USA havia um bom tempo.
Sem concorrência direta, São Paulo acabou escolhida depois que o governo da província de Knanh Hoa vacilou na burocracia que levaria para aprovar a realização do Miss Universo 2011 no Vietnã, mais uma vez. Longe dos ideólogos comunistas que complicaram a realização de concursos de misses no país com uma lei estranhíssima, heterodoxa, editada em 2009, a equipe de Trump saiu a campo para procurar emresários brasileiros que já manifestaram no passado interesse em trazer o certame para o país. Num primeiro momento, consultaram Ricardo Bellino, homem responsável pelos negócios do Aprendiz na terra de Érico Veríssimo, Caetano, KL Jay, Ice Blue, Sandy Leah, Mano Brown, Mayra Petruso, Miriam Leitão, Vera Fischer, Reinaldo Azevedo, Luiz Carlos Prates e do rock-adolescente-retardado da banda Restart. Em dezembro de 2009, Bellino fora à Trump Tower acompanhado de Luciana Gimenez e do diretor da Rede TV! Marcelo de Carvalho apresentar a proposta inicial pela realização do Miss Universo no Brasil. A ideia não vingou, pois teria de percorrer uma via tortuosa que ia dos diretores nacionais do certame à emissora detentora dos direitos. Foram exatos doze meses de uma via-crucis, encerrada com o acordo assinado por Johnny Saad aos olhos de Ximena Navarrete, de Trump e de outro empresário brasileiro, cuja identidade ainda é desconhecida.
Caberá agora a esse ilustre desconhecido organizar, encaminhar e resolver toda a papelada burocrática de liberações, negociações com prefeituras e governos (especialmente as equipes de transição de agora e os mandatários estaduais que assumirão ou reassumirão no dia 1º de janeiro) e acertos com artistas, técnicos e cenógrafos para a concepção de uma festa à altura da magnitude do 60º aniversário do concurso de Miss Universo. Em relação à coroa, essa é uma outra questão que ficará pendente. Se prevalecerá o modelo atual, adotado em 2009, ou se vai ser usada uma peça especial para a ocasião, isso não se discute. Agora, a ordem é colocar a produção do Miss Universo 2011 a toque de caixa.

Sobre João Lima

Crítico de entretenimento desde 2001, João Eduardo Lima escreve no Jornal Meio Norte. Foi repórter de Regional, Polícia e Nacional. Em 2005, entrou no mundo da blogosfera independente com o pioneiro TV em Análise. Suas postagens sobre os bastidores do Miss Brasil-Miss Universo mostraram ao público um lado dos concursos de beleza que os organizadores não querem que você saiba. E, ainda por cima, querem, na base da mordaça, impedir você, leitor, contribuinte e pagador de impostos, de saber o que está por trás do manto vermelho da missologia nacional.
Esse post foi publicado em Nossa Grana, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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